20 de nov. de 2013

Um pouco sobre Fórmulas e Verbos Irregulares

[Eu deveria estar escrevendo meu TCC ou então terminando a implementação de um certo parser que gostaria de entregar amanhã; as circunstâncias do meu psicológico contudo mo impedem -- e o procrastinar se dá através desse blog]

Hoje quero falar de um conceito que me deixou muito interessado enquanto eu estudava sobre os "trabalhos relacionados" do meu TCC: o conceito de fórmula.

Quem o definiu foi um tal de Otto Jespersen, num livro que me pareceu ser bem popular, já que, desde a sua primeira publicação em 1924, foi republicado várias vezes: The Philosophy of Language. No capítulo inicial, "Living Grammar", ele comenta sobre um conjunto de assuntos "abertos" da língua, como como palavras homônimas podem significar coisas distintas, como palavras com o mesmo som podem ser escritas de formas completamente diferentes, e como tem coisas na língua que simplesmente "são", ou seja, que não seguem regra alguma. A essas últimas, ele dá o nome de fórmula. Com suas palavras:

A formula may be a whole sentence or a group of words, or it may be one word, or it may be only part of a word, -- that is not important, but it must always be something which to the actual speech-instinct is a unit which cannot be further analyzed or decomposed in the way a free combination can.

Traduzindo livremente:  Uma fórmula pode ser uma sentença ou um grupo de palavras, ou pode ser uma palavra, ou pode ser somente parte de uma palavra, -- isso não é importante, mas deve ser sempre algo que para o real discurso-instinto é uma unidade que não pode ainda ser analizada ou decomposta da forma como uma combinação livre pode.

O que me é interessante sobre esse assunto é que, para ele, ela não se limita à sintaxe, mas engloba também a fonética. Um exemplo que ele dá são as palavras com sufixo able, que, no surgimento desse sufixo, tendiam a ser "pré-proparoxítonas", como em 'despicable [o apóstrofo indica a sílaba acentuada], 'comparable, 'lamentable e 'preferable. Por acaso, algumas dessas acentuações acabavam caindo justamente na mesma sílaba da acentuação do verbo correspondente:

con'sider --> con'siderable

Com o tempo, a regra "mudou", e cada vez mais os falantes nativos passaram a pôr a acentuação na mesma sílaba onde o verbo é acentuado. Assim,

'acceptable --> ac'ceptable (ac'cept)
'respectable --> re'spectable (re'spect)

, e assim por diante [aliás... pra mim, sílaba em inglês é um negócio que só nativo entende u.u]. Eu quero deixar claro que esse é um exemplo em que a regra pra formação de palavras novas (o que ele chama de "free formations") mudou.

Ter visto esse exemplo me fez pensar num conjunto de verbos em português que, se houve qualquer free formation que levou à sua construção no passado, hoje ela não existe mais -- e só nos sobrou a fórmula. São verbos que seguem a estrutura:


início + a + consoante + segunda_conjugação

que, [ir]regularmente, mudam de raiz no seu meio. Por exemplo:

haver --> eu houve
caber --> eu coube
trazer --> eu trouxe
saber --> eu soube

Apesar do "o" na primeira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo, eu sempre disse "eu cube". Até pouco tempo atrás, não entendia daonde poderia ter saído isso; mas claramente a regra também se aplica ao verbo saber. Na minha cabeça, a conjugação é:

Eu sube
Tu soubeste
Ele soube

Faço o mesmo com o verbo trazer -- e é daí que sai o famigerado trusce [escolhei a grafia -- eu sempre escrevi assim], por causa dos quais as coleguinhas pseudo-intelectualizadas da escola se fartavam de xingar os outros de burros u.u [eu sempre direi trusce]. Pra mim é "claro" (evidente) que eu extraio essa estrutura de forma "pré-fabricada" da minha cabeça. Eu não aplico qualquer análise: eu trusce pra mim é tão certo (e padrão) quanto eu tive ou eu pus [outras conjugações "sem sentido", mas aceitas].

(Anyways... uma coisa a dizer é que o verbo "haver" já caiu em desuso (ou virou preposição) -- e só aparece quando queremos falar de forma mega-cuidada)

Outro exemplo pra mim super interessante de algo que é definitivamente uma "fórmula" são muitos verbos que seguem o padrão

início + e + consoante + terceira_conjugação
início + o + consoante + terceira_conjugação

que [a esmagadora maioria -- ou ao menos os mais comuns] troca o e/o por i/u em algumas conjugações:

ferir --> eu firo dormir --> eu durmo
sentir --> eu sinto demolir --> eu demulo
mentir --> eu minto engolir --> eu engulo
seguir --> eu sigo cobrir --> eu cubro
progredir --> eu progrido tossir --> eu tusso
refletir --> eu reflito

Pra mim eles são um bom exemplo de fórmula porque me parece que outros verbos menos freqüentes não soam muito bem quanto sofrendo o mesmo tipo de flexão:

gerir --> eu giro
emergir --> eu emirjo
abolir --> eu abulo
polir --> eu pulo
extorquir --> eu exturco
remir --> eu rimo
acodir --> eu acudo

Mais do que isso, ainda tem uns verbos que passam por cima de tudo [fórmula?] e só permitem mudanças depois do radical:

sorrir --> eu sorrio (presente) --> eu sorri (passado)
florir --> eu florio (presente) --> eu flori (passado)  [só eu digo isso?]
rir --> eu rio (presente) --> eu ri (passado)

[aliás... eu digo que as plantas estão floridas -- de onde eu tiro o verbo florir --; mas aceitaria naturalmente também as variações florescidas (florescer) e floreadas (florear)]

Um último conjunto de verbos que é claramente recuperado da nossa memória de forma pré-fabricada são aqueles que constróem a segunda e terceira pessoas do singular do presente do indicativo com "ói[s]":

moer --> ele mói
doer --> ele/isso dói
construir --> ele constrói
destruir --> ele destrói

[coloque-se o verbo poer --> põe nesse grupo, diga-se de passagem. Fico pensando: se esses verbos tivessem evoluído junto com o põe, talvez tivéssemos um conjunto de verbos da quarta conjugação completamente vivo e produtivo]

Bom... eu tenho mais um monte (um monte MESMO) de anotações sobre verbos irregulares presentes na nossa língua de que a gente simplesmente não se dá conta. Essas expressões não-livres me são interessantes porque freqüentemente não aparecem sozinhas: cada vez mais me convenço do quão raro é que uma irregularidade aconteça com somente uma palavra. Fico pensando em quão legal seria "regularizar" essas exceções... ou ainda torná-las produtivas de volta.

Enfim... eu preciso parar de procrastinar though... já perdi tempo demais por aqui hoje.

R$

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Edit: no início eu pensei que estivesse escrevendo bobagem, e no fim acabei removendo uma parte da postagem original, a qual, agora, depois de um pouco melhor pensar, resolvi, merece voltar:

Existe um conjunto de verbos que segue o caminho oposto ao conjunto início + o + consoante + terceira_conjugação. São verbos na estrutura

início + u + consoante + terceira_conjugação

que, na segunda e terceira pessoas do singular trocam o u por o. É como se eles antigamente fossem com "o" (é que eles seguem a mesma regra que "tossir", por exemplo) ou algo assim xP [aliás, minha suposição é de que eles "formem conjunto" com os que terminam em ói ali em cima -- a idéia é a mesma, só que lá em cima não tinha uma consoante pra "enrigecer" o som como aqui]. Assim, enquanto alguns verbos nesse formato não trocam vogal alguma

punir --> ele pune
curtir --> ele curte
grunir --> ele grune
ebulir --> ele ebule [se diz isso?]

, alguns outros realizam essa estranha troca:

zumbir --> ele zombe
fugir --> ele foge
cuspir --> ele cospe
sumir --> ele some
acudir --> ele acode


A minha conclusão é que, apesar de os verbos da terceira conjugação serem bem "chatos" de conjugar -- ou seja, seguirem regras muito frouxas --, errar aqui não torna o verbo difícil de entender (para o deleite dos não-nativos xP -- apesar de que, me parece, é justamente aqui que eles se "denunciam" quando falando português).

R$

19 de nov. de 2013

Expressões Multipalavras

Nos últimos 10 meses or so, eu venho trabalhando, no grupo de Processamento de Linguagem Natural, com um tópico que, se não se demonstra o meu maior interesse quando o assunto é lingüística, pelo menos se tornou um "assunto amigo" sobre que me é interessante conversar: Expressões Multipalavras.

O leitor deve [ou não] ter notado os [até que] freqüentes [demais] grifos no parágrafo anterior. Todos eles são exemplos -- em níveis diferentes de "rigidez" -- desse fenômeno recorrente através das línguas do mundo. Inclusive o próprio nome: "Multiword Expression", em inglês. Os grifos prosseguirão ao longo dessa postagem, evidenciando (ou, como eu gostaria de dizer, "evendo") o quão comum é essa classe. Aliás... eu poderia grifar até mais do que o faço; mas haveria discordantes, talvez, sobre se um grupo de palavras faz ou não parte de tal conjunto.

De fato... não precisamos ir muito longe: o motivo que me levou a escrever essa postagem foi que eu disse que a perícia médica deveria ter recomendado o uso de óleo de peroba, de 12 em 12 horas, pelo José Genoíno, tamanha a sua cara de pau.

Aí talvez o leitor se pergunte: mas por que diabos [sério... eu não to forçando o uso dessas expressões ] é que se usam essas expressões? Ou seja... como é que a língua "evolui" de forma a, com o tempo, desenvolver esses conjuntos "semi-fixos" de palavras? A resposta é grande, mas em sua versão resumida se limita a "não sei" [só sei que foi assim].

O que eu sim sei é que isso já ocorre desde línguas muito antigas -- e muitíssimas das nossas palavras de hoje são decorrentes desse tipo de coisa.

Quando eu comecei a escrever meu TCC, eu tinha alguns artigos através dos quais eu me baseava e aos quais eu gostaria de fazer referência na seção de "trabalhos relacionados". Como eu me sentia inseguro de referir sem muito conhecimento, comecei a ler freneticamente vários artigos, vários dos quais referiam outros artigos. É óbvio que nisso eu acabei caindo numa toca de coelho ("rabbit hole" -- parece que se tem usado essa expressão na internet ultimamente): referências referiam outras referências, num loop infinito do qual eu só conseguia fugir quando não era capaz de encontrar certo livro na internet.

Bom... o resultado foi que, no fim das contas, eu li até que bastante sobre as diferentes áreas que estudaram esse fenômeno. Por exemplo, um pessoal do leste europeu começou uns estudos sobre uma tal de "fraseologia", por exemplo, que engloba boa parte do que hoje chamam de expressões multipalavra; um outro cara chamado Otto Jespersen definiu a palavra "formula" pra se referir a tudo o que é "retrieved as a whole" (recuperado "como um inteiro") pela nossa memória durante a fala, em vez de dependente das regras da gramática [sintática- ou fonologicamente]  -- e aí várias pessoas passaram a usar termos como "prefabs", "formulaic language" (língua formuláica) e "formulaic sequence" (sequência formuláica) para se referir a esses fenômenos.

Mais um grifo... dessa vez do Dragon Quest xP


Enfim... esse é simplesmente o primeiro, o mais simples, mais introdutório, e provavelmente menos direto texto meu sobre esse assunto. Já deu pra perceber, pelos grifos do meu texto, expressões multipalavras são coisa recorrente, tanto na nossa fala quanto na nossa escrita. De fato, tem um tal de Ray Jackendoff que chegou a estimar que elas compõem cerca de 50% do nosso vocabulário nativo (diga-se de passagem, alguns outros caras defendem que são justamente essas "expressões formulaicas" que denunciam os falantes não-nativos de que eles não o são), e eu acredito nele: apesar de certamente mais de 50% do total deste texto não serem grifos, tem muitas expressões mais que poderiam estar grifadas. É o caso dos superlativos no início desse parágrafo, por exemplo. Afinal, em português, constróem-se os superlativos através da formação "artigo + mais + adjetivo", formação essa composta por mais de uma palavra. E o que falar sobre os verbos que exigem preposição? E os reflexivos? E os nomes de pessoas? [o Jackendoff os contava]

Não importam muito, na verdade, quais são os limites que definem quando uma construção "entra como" uma expressão multipalavra ou não. O que importa, no momento, é que elas existem... que são freqüentes demais para serem ignoradas, ao passo em que, na verdade, elas o são.

Enfim... eras isso...

Próximas postagens deverão focar em assuntos mais bem definidos e [quem sabe?] mais interessantes xP

R$

16 de nov. de 2013

Quick update

[sério: eu pensei eu nomear essa postagem com alguma coisa como "rápida sobredata" ou coisa do gênero, mas achei que ficaria forçado demais xP]

Bom... já sabeis o que direi: que ando meio "sem tempo" [i.e., com outras prioridades, ou coisa do gênero] e que por isso acabei ficando sem postar no blog. É bem isso mesmo.

Na real, estou a mais ou menos duas semanas de terminar o meu TCC (e, com isso, basicamente, terminar o meu curso inteiro \o/) e tenho perdido muito tempo escrevendo. O tempo livre dos últimos dias tem tentado (nem sempre conseguido) ser completamente dedicado a dormir ou/e (porque eu fico insistentemente sonhando com isso) fazer coisas relacionadas a meu TCC.

Com a escrita, acabei encontrando uma série de "trabalhos relacionados" (muitos deles acabaram virando referências na seção de "embasamento teórico" sobre o assunto) que me pareceram muito interessantes. Por isso, estou pretendendo construir, nos próximos tempos, uma série sobre expressões multipalavra, já que esse é o foco do meu trabalho.

É claro que ainda vou acabar escrevendo um monte de coisas loucas que eu andei notando nos últimos tempos sobre latim. Para aqueles de vós leitores que convivem comigo frequentemente, admita-se que não haverá muita surpresa: só um monte de coisas sobre etimologia que eu andei notando nos últimos tempos; espero surpreender -- ou, pelo menos, deixar feliz -- aqueles outros de vós que não me vêem com tanta freqüência.

Que mais? Queria ter posto uma imagenzinha aqui, e falado sobre como várias coisas aleatórias de línguas que sem motivo eu aprendo são legais... mas... infelizmente... por agora... é só o quick update.

É isso...

R$

21 de set. de 2013

A quarta conjugação

Esses dias, enquanto lendo sobre a gramática do latim, descobri que a língua tinha 4 conjugações. As 3 conjugações "oficiais" do português são derivadas diretamente delas: ar, er e ir.

O que eu não esperava descobrir era essa página, que falava sobre a existência de uma quarta conjugação, que foi extinta em 1959. A partir de então, passou-se a ensinar nas escolas que os verbos terminados em or faziam parte da segunda conjugação. O motivo é que o verbo pôr deriva do verbo ponere, que ao longo do tempo virou poer (evisto [i.e., evidenciado] inclusive pelo seu particípio presente poente), fazendo parte da segunda conjugação.

Como verbos monossilábicos no português já tendem a ser irregulares por natureza, fazia sentido simplesmente acrescer o pôr ao grupo e esquecer de mais um enorme conjunto de regras que o falante nativo, apesar de saber, acha que não sabe e tem que decorar v_V Dá pra ver que as variações do verbo pôr são bem produtivas (repor, compor, decompor, dispor, impor, supor, depor, expor, propor, ...), ou pelo menos já foram (se hoje não são). Quando mo ensinaram na escola, minha professora inclusive me fez crer que realmente as terminações desses verbos eram as mesmas das dos verbos terminados em er.

Nunca questionara... sempre aceitara isso como verdade. Até esses dias, quando sem querer escrevi o verbo dormor (em vez de dormir) e quis conjugá-lo, de brincadeira.

[agora pensando bem... como eu fui bocaberta durante todo esse tempo =S]

Enfim... para tornar o exemplo bem engolível, fiz inclusive uma tabela aqui (baseada fortemente na tabela do link que postei ali em cima) [ela é grande demais pra ver miudinha assim... então acho que o ideal é clicar nela].

Eu vislumbro a possibilidade de usar essa conjugação com qualquer radical (palavras como torpor, pavor, amor e calor poderiam quem sabe tornar-se verbos também), mas imagino o quão estranho deva soar aos ouvidos alheios xP

R$

20 de set. de 2013

Latim -- Primeira, segunda e terceira declinações

Achei que valeria a pena escrever um pouco sobre o meu processo de aprendizado. Nos últimos dias, antes de dormir, tenho passado quaisquer 10min tentando decorar [e achar lógica] nos grupos de declinações das palavras em latim.

[Caso não saibais o que são casos gramaticais (o que é nominativo, genitivo, dativo, acusativo ...), eu sugeriria ler a postagem que fiz quando estava aprendendo sobre sua existência e suas funcionalidades. Relendo agora notei algumas bobagens, mas acho que tá valendo. Ao menos não ficaríeis completamente perdidos]

Como comecei porque queria saber declinar direitinho a palavra thesaurus, acabei decorando a segunda declinação primeiro. Aqui, porém, começarei pela primeira, e explicarei a lógica que tento manter na minha mente na hora de decorar.

Substantivos que declinam segundo a primeira declinação são em sua grande maioria femininos. Algumas palavras masculinas relacionadas a ocupação (como poeta, agricola ou nauta), porém, também "adotaram" esse uso.

(Fonte: Wiktionary)
O Wiktionary ainda comenta sobre como a primeira declinação sugou algumas palavras do grego, e mostra tabelas com suas declinações. Porém, como as declinações dessas palavras, pelo que entendi, tendem a ser irregulares (e causar confusão ao aprendiz novo -- meu caso), acabei por ignorá-las temporariamente. Em todo caso, se encontrasse uma delas, declinaria de acordo com as regras em "stella", e suporia que o falante nativo [que já não mais existe, lol] seria capaz de entender.

Então, que lógica devo dizer que essas declinações seguem? Inicialmente, acho que me direis "nenhuma". Mas esperai até que eu apresente a segunda declinação, e aí muito mais sentido encontrareis.

Pois então? Que estamos esperando? Vamos à segunda declinação!


(Fonte: Wiktionary)
Em oposição à primeira declinação, composta primariamente por palavras femininas, substantivos na segunda declinação são normalmente ou neutros ou masculinos. Novamente, o Wiktionary comenta sobre a existência de palavras femininas vindas do grego que também declinam da mesma forma. Como eu sou principiante ainda, resolvi ignorá-las completamente.

Normalmente, o nominativo singular da segunda declinação termina em um (para neutros) e us (para masculinos). Mas isso me pareceu estar longe de ser a regra, e o Wiktionary inclusive apresenta os exemplos ager e puer.

Bom... finalmente cheguei a um ponto onde eu posso começar a achar lógica na minha decoreba. A existência de dois grupos de declinações que "se opõem" um ao outro me permite notar algumas regras. A primeira coisa a notar é a seguinte: olhai como os o's tornam-se a's na maioria das declinações, ao converter uma palavra do masculino para o feminino. A única exceção é o acréscimo de um e no dativo singular da primeira conjugação. Esse acréscimo, aliás, é a única diferença entre o dativo e o ablativo.

[diga-se de passagem, o Wiktionary inclusive comenta sobre como "filia" declina como "filiabus" no dativo -- ou seja, de acordo com outra regra --, só para fazer distinção entre "aos filhos" e "às filhas"]

Para saber o nominativo plural, normalmente olho para o genitivo singular. Exceto os nomes neutros, ambos normalmente são idênticos. Os nomes neutros, por sua vez, são ainda melhores: nominativos, acusativos e vocativos são idênticos \o/

Ainda cuidando os gêneros, notai como acusativos singulares declinam com "a vogal do gênero" + m, e como os plurais declinam idênticos ao português (exceto os nomes neutros -- leia o parágrafo acima).

Por fim, sobram vocativos (idênticos ao nominativo, fora o e da segunda declinação) e genitivos plurais (esses eu relacionei aos sufixos ário e ório do português [como em tributário -- ou seja, "de tributo" --, e classificatório -- ou seja, "de classificação"], que normalmente me indicam o caso genitivo).

...

Daí me vieram os nomes da terceira conjugação, e bagunçaram todas as minhas regras mentais. Ali, qualquer gênero é permitido, e o nominativo nem serve pra achar a raiz da palavra (já que é frequentemente diferente dos outros casos). Mesmo assim, ao menos ele sempre idêntico ao vocativo.

(Fonte: Wiktionary)
Se a letra "tema" da primeira conjugação era o a, e a da segunda era o o, na terceira conjugação ela definitivamente é o e. No acusativo, por exemplo, basta pegar a segunda declinação e substituir os o's por e's. O i do genitivo singular também vira e no nominativo plural; e o ablativo singular, que antes "combinava" com o português (e com o espanhol), agora também recebe um e pra diferenciar.

Agora, ambos masculinos e femininos declinam idênticos. Os neutros, por sua vez, seguem exatamente a mesma "regra" da segunda declinação: nominativos, acusativos e vocativos são idênticos, declinando em -a no plural.

Finalmente, dativos e ablativos ganham -ibus no plural -- o que pra mim tornou bastante óbvia a etimologia da palavra ônibus.

Algumas palavras na terceira declinação também recebem um i antes de algumas declinações. Se há alguma regra para descobrir quais palavras o fazem e quais não, não consegui descobrir. Pelo visto, será mais algo a decorar -- o que, admito, me é meio frustrante.

...

Daí perguntar-me-eis "e os adjetivos?"... afinal, adjetivos podem assumir qualquer gênero (concordando em gênero com o nome que modificam). De fato, o maior motivo por eu ter escrito tudo até aqui foi justamente a descoberta: os adjetivos declinam "igual"! Tomemos por exemplo o adjetivo veteranus (veterano):

(Fonte: Wiktionary)
Notai o escrito "Inflection: First/second declension". Isso significa que, para o gênero feminino, essa palavra segue a primeira declinação (igualzinho a stella, lá em cima), enquanto, para os gêneros masculino e neutro, ela segue a segunda declinação (igualzinho a dominus e forum, lá em cima). Tri, não?


Pelo que percebi, os particípios presentes (amante, andante, paciente, potente), quando "adjetivados", declinam, daí, de acordo com a terceira declinação (olhai aí do lado). Da tabela ali, dá inclusive pra ver daonde saiu o nosso particípio presente: até onde sei, ele é formado pelo "acusativo sem o m" (ignorai o "neutro", já que, até onde também sei, ele foi "droppado" bem cedo pelo "vulgus").

...

Bem, por enquanto, isso é "tudo" (tem mais algumas coisas, mas, enfim, eu ainda não to seguro quanto a se realmente as sei) que eu tenho aprendido até agora. Por enquanto, to deixando o francês de molho... mas eu já sei que sou assim: de tempos em tempos crio alguma coisa nova, me dedico totalmente a ela, até que enjôo e mudo pra outra. Passado algum tempo eu volto pra primeira coisa e me dedico affuuuu denovo... e aí me desenvolvo um pouco mais. Certamente não será diferente com essas línguas, apesar de eu duvidar da possibilidade de um dia ler tranquilamente em latim xP

Tomara que a postagem tenha sido interessante =)

R$



16 de set. de 2013

Aprendendo latim

Então eu resolvi fazer o que já há tempos queria mas nunca tomara coragem para: aprender latim.

Na verdade, eu tenho certeza de que meus conhecimentos de latim acabarão não ficando melhores do que os poucos conhecimentos de francês que adquiri nos últimos 3 meses (bem poucos, ainda insuficientes pra uma conversa), mas pelo menos eu to me divertindo com as declinações. Enquanto houver declinações pra decorar e conjugações pra memorizar minha vida estará mais feliz.

Ao término de cada dia, tenho dedicado alguns 10min para repetir cuidadosamente as terminações de nomes em alguma declinação "alvo" que deseja memorizar. Como começara com tudo isso com o intuito de somente aprender a declinar "thesaurus" (tesouro), palavra que uso constantemente na minha "pesquisa" (aqui entre aspas porque tenho picuinhas com essa palavra xP -- e me sinto meio "inferior" pra chamar o que eu faço de pesquisa), acabei aprendendo a segunda declinação antes da primeira. Agora já decorei ambas (primeira e segunda) e estou estudando (na real, eu acho que já decorei... mas to inseguro ainda) a terceira.

Meu vocabulário em latim, aliás, também, é quase totalmente dependente do meu vocabulário em português... ou seja, portanto, extremamente limitado. Mas tá valendo: enquanto eu me divertir estará tri. No mais, as conjugações de verbo ainda também me confundem. Latim é "completo demais", na minha opinião, e nem aos passivos ele dá o luxo de serem perifrásicos (ou seja, mais coisa pra lembrar).

No mais, alguns particípios passados [aliás, isso me lembra que eu ainda não escrevi sobre os particípios aqui ] são completamente irregulares (como pressus e lectus, que por acaso eu acabei lendo hoje), e a decoreba canta solta em mais esse aspecto da língua.

Enfim... essa postagem era mais pra dar um "update" do que tenho feito. Vai que algum leitor se empolga e resolve aprender alguma língua também xD Tenho uma lista até que bem grande de assuntos para escrever (verbos de segunda e terceira conjugação -- além de umas irregularidades dos de primeira --; minhas descobertas mágicas sobre os particípios; uma postagem sobre as tosqueiras do inglês; minha imagem sobre o alemão depois de ter começado com o latim; e talvez mais coisas que nem lembre agora).

R$

8 de set. de 2013

Convertendo WMA para MP3 [on Linux xP]

[acho estranho que cada vez mais seja comum usar o gerúndio em nomes de tutoriais. Seguindo a onda, faço o mesmo v_V]

Eu descobri que tinha um CD dos Arautos do Rei no meu celular [a que eu tava tri a fim de ouvir] que o "Music" (o programa de ouvir música do Android) não conseguia ler: as músicas estavam no formato wma.

Arautos do Rei: harmonias geniais, músicas ótimas, muito bem cantadas, e sem teologia da prosperidade são o que o ouvinte espera encontrar em seus discos, que raramente decepcionam. [tá tá, eu acho que ficou claro que eu gosto affuuuu das suas músicas v_V -- de fato, minha diversão é ficar procurando onde tá cada voz on-the-fly nas músicas]
Procurei achar na internet o disco pra baixar em mp3, mas não tive sucesso [aliás, não encontrei também em wma: boa parte do que eu já tinha visto estava no 4shared, no qual eu agora preciso logar pra poder baixar coisas]. Então, achei esse link que me ensinou a converter as músicas.

Eu não usei a linha de comando de lá porque, por algum motivo, simplesmente não funcionou. Aí tentei entender o que tá acontecendo e gerei a seguinte linha:
mplayer -vo null -vc dummy -af resample=44100 -ao pcm:waveheader file.wma ; lame -h -V 6 audiodump.wav file.mp3 ; rm audiodump.wav

O que está acontecendo? Acho que é melhor destrinchar a linha em partes pra ficar mais claro:

mplayer -vo null -vc dummy -af resample=44100 -ao pcm:wa
veheader file.wma 
lame -h -V 6 audiodump.wav file.mp3 
rm audiodump.wav

Bom... em primeiro lugar, quem está convertendo os arquivos para mp3 é um programa chamado lame. Lá na man page dele dá pra ver vários exemplos de como converter arquivos pra mp3. Eu não sei se fiz a melhor escolha de opções, mas os arquivos que gerei [e a que estou ouvindo agora] parecem estar ok.

O problema é o seguinte: o lame não lê arquivos wma, mas sim wav. É pra isso que serve o mplayer, que através daquelas opções [sério, eu simplesmente usei as mesmas do link lá] gera um arquivo chamado audiodump.wav, legível pelo lame.

Por fim, o rm remove o arquivo.

Tomara que isso seja útil pra outrem como foi pra mim v_V

R$

1 de set. de 2013

Umas músicas de flauta doce



Eu andei ouvindo músicas de flauta doce nesse fim de semana, influenciado por um amigo meu. Não tendo onde guardá-las e querendo voltar a elas num futuro relativamente distante... deixo-as aqui, no caso de alguém mais querer também ouvi-las. Enfim... nada de muito especial v_V












R$

Pronomes Relativos -- Assimetria do "Quem"

Na minha última postagem eu disse que a próxima coisa sobre que falaria seria uma tal de "Assimetria do Quem". Cá estamos, então xP

Quando eu ainda tratava todas as palavras interrogativas como pronomes (e me perguntava por que algumas delas seriam, afinal, pronomes), um dos argumentos que eu me dava para que o fossem era o fato de que elas em geral poderiam ser usadas como pronomes relativos. Mas, calma, talvez não saibais o que sejam esses tais. Então, aqui vai uma explicação.

Do modo como eu vejo, pronomes relativos são um conjunto de palavras que ligam duas orações, de modo que um dos argumentos do verbo (ou seja, sujeito, objeto direto ou objeto indireto... ou mesmo adjunto adverbial) da segunda oração seja "extraído" da primeira.

Exemplo:

A menina estava feliz. A menina desenhava.
A menina que desenha estava feliz.

O pronome relativo mais comum é o que. Mas o qual não fica muito atrás, já que o que pode ser trocado pelo qual em quase todos os casos em que funciona como pronome relativo:

O menino jogava bola. O menino tinha ódio.
O menino que jogava bola tinha ódio.
O menino o qual jogava bola tinha ódio.

[bom, aqui tem uma questão de pontuação. Eu não sei como funciona. Tenho a impressão de que se eu pôr entre vírgulas a oração subordinada ela vai virar uma "oração subordinada adjetiva explicativa", em vez de permanecer como "oração subordinada adjetiva restritiva"... e isso não é o que eu quero. Daqui a pra frente, ignorarei essa questão, que "está fora do escopo dessa publicação" -- anyways, em alemão isso estaria entre vírgulas sem dúvida]

Diferentemente do que, o qual concorda em gênero e em número, e ainda exige um outro pronome (pessoal oblíquo, creio) (o vbuaraujo me fez notar que provavelmente seja um artigo) o antecedendo.

O menino o qual jogava bola tinha ódio.
As meninas as quais jogava bola eram masculinizadas.

Nessas frases, o pronome relativo aparece como sujeito da oração subordinada. Quem tinha ódio? O menino! Quem estava feliz? A menina! ... Mas a oração subordinada pode usar o pronome relativo para tornar em objeto direto o argumento "sugado" da primeira oração:

O lápis quebrou. O menino entregou o lápis à menina.
O lápis que o menino entregou à menina quebrou.
O lápis o qual o menino entregou à menina quebrou.

Apesar de a diferença me parecer sutil em português, ela é gritante em alemão [na real, nem tanto: só no masculino], onde a declinação se torna diferente do sujeito pra o objeto.

Uma última possibilidade, é usar um argumento da primeira oração como objeto indireto da segunda oração (e aqui as coisas ficam um pouco mais complicadas). O "gramatical" (i.e., o "certo") seria fazermos o seguinte:

A guria invocou a lei Maria da Penha. A cara da guria foi arrebentada.
A guria da qual a cara foi arrebentada invocou a lei Maria da Penha.

O guri foi pro hospital. O pé do guri se quebrou.
O guri do qual o pé se quebrou foi pro hospital.

Esse é o obstáculo. Eu devo passar por esse obstáculo.
Esse é o obstáculo por que eu devo passar.
Esse é o obstáculo pelo qual eu devo passar.

Nos dois primeiros exemplos acima, eu não pus a versão com que por um motivo: ela me soa mal, e o que a gente acaba fazendo é pôr um quem no lugar. E isso está relacionado à tal "assimetria" título dessa postagem... mas eu chegarei lá:

A guria de *que a cara foi arrebentada invocou a lei Maria da Penha.
O guri de *que o pé se quebrou foi pro hospital.

Algo que direto acontece é omitirmos a preposição quando o contexto não é ambíguo (acontece especialmente com as preposições a, de e em) e adicionarmos um novo pronome oblíquo:

O guri que o pé [dele] rachou já foi pro hospital.
O apartamento que eu fui ontem era tri bom.

E isso gera algumas coisas muito estranhas:

Aquele é um cara legal com quem conversar.
Aquele é um cara legal de conversar [com ele].

Essa é uma tecnologia boa junto da qual trabalhar.
Essa é uma tecnologia boa de trabalhar junto [com ela]. [frase verídica]

[mas eu tava tentando "dividir" essas orações e não consegui... então talvez haja algo que eu não entenda aí no meio. O problema pra mim é o infinitivo ali]

Continuando... eu gosto de pensar que a declinação em genitivo do que (através da qual a preposição de passa a ser desnecessária) é o cujo. De fato, durante as aulas de alemão, toda vez que um pronome relativo estava declinado no genitivo, era possível utilizar cujo (e variações) na tradução. O cujo funciona como artigo na oração subordinada, e corcorda em gênero e número exatamente como um.

A guria, cuja cara foi arrebentada, invocou a lei Maria da Penha.
O guri, cujo pé se quebrou, foi pro hospital.

Existe ainda o de/por/para/sobre/... cujo, ou seja, o caso em que a oração subordinada se refere a algo que é do elemento extraído, e o põe no objeto indireto. Mesmo assim, essa opção já está morta na fala, e, por isso, listo formas alternativas a ela logo abaixo.

Essa é a menina. Eu te falei sobre o vestido da menina.
Essa é a menina sobre cujo vestido te falei.

Essa é a menina sobre o vestido de quem eu te falei.
Essa é a menina de quem eu te falei sobre o vestido [dela].
Essa é a menina que eu te falei sobre o vestido [dela]. [popular]

Um último detalhe, antes de extendermos o nosso conjunto de pronomes relativos: há algumas orações principais onde o argumento é justamente a oração subordinada (daí a oração subordinada é "substantiva", até onde eu lembro). Nesses casos, um pronome (pessoal oblíquo?) aparece na oração principal pra servir de "gancho" pra subordinada. É engraçado que nesses casos o que me parece substituível não pelo qual, mas pelo aquele/aquilo. Nos exemplos a seguir, o pronome aparece em vermelho:

Tu vais ver 3 luzes. A [luz] que estiver piscando é boa. [sujeito]
Essa arma é a [arma] que matou minha mãe. [obj. direto]
Tu vais ver 3 luzes. Olha pra [luz] que estiver piscando. [obj. indireto]

E isso explica o funcionamento do o que:


O que eu não quero ver é a sua cara nunca mais.


Bom... cansei. Acho que já expliquei bem (se é que eu sei realmente do que to falando) o que são esses tais pronomes. Se quiserdes mais infos, uma explicação mais "profissional" do assunto se encontra aqui:


Ok. O que acontece agora? Extenderemos o nosso conjunto de pronomes relativos! No início da postagem, eu disse que as "palavras interrogativas" também agiam normalmente como pronomes relativos. Pois bem, aqui vão alguns exemplos:

Gostava daquele tempo, quando me alimentava a base de doce. [em que]
Esse foi o jeito como eu resolvi o problema. [através do que (?)]
Ontem fui a um apartamento, onde deixei meu cachorro. [em que]

Mas [e agora chegamos ao ponto onde eu queria chegar] tem um pronome que me parece não dar certo. Simplesmente, não é usado... e me soa muito mal aos ouvidos: o quem. Em inglês [e alemão?], por outro lado, soa perfeitamente ok:

A vida do homem era triste. O homem atirava de metralhadora.
A vida do homem *quem atirava de metralhadora era triste.

The life of the man who shot with a machinegun was sad.

E tem mais. Quando ele aparece no objeto indireto (ou seja, quando o pronome relativo espera uma preposição), é o que que soa errado:

As pessoas passeavam pela rua. As vidas das pessoas foram arrancadas.
As pessoas *de que as vidas foram arrancadas passeavam pela rua.

Eu ainda não consegui pensar bem sobre quando o quem substitui um sujeito, mas eu tenho a impressão de que há frases em que a coisa dá certo e há frases em que não:

Eu tomei café. Eu fiz bagunça.

Eu, que fiz bagunça, tomei café.
Eu, *quem fez bagunça, tomei café. [?]

Fui eu quem destruiu a cafeteira.

Enfim. Tudo isso pra falar meia dúzia de palavras sobre o quem. Espero que essa postagem sirva pra ajudar-vos com pronomes relativos, caso não vos interessais pela tal da "Assimetria do Quem" (na verdade, agora, pensando melhor, talvez seria melhor chamar de "Não-hortogonalidade do Quem", não?).

R$

31 de ago. de 2013

Pronomes e Advérbios interrogativos

Agora há pouco, resolvi escrever aqui. A idéia era falar sobre um assunto que me chamou a atenção esses dias, a que eu dei o nome de "Assimetria do Quem"; mas acabou que eu "abri" toda uma nova "lata de vermes" quando, enquanto procurando por informações sobre o "quem" (que entra na classificação de "pronome interrogativo" em português), descobri que se faz uma certa distinção entre "Advérbios Interrogativos" e "Pronomes Interrogativos".


Os Advérbios Interrogativos são os seguintes:Quando, como, onde, por que

Os Pronomes Interrogativos são os seguintes:
Quanto, qual, o que, quem

Qual a diferença? Afinal, todas essas palavras podem começar perguntas e soar como se tivessem simplesmente a mesma "classe" gramatical. Exemplos:
Quem é aquela ali?
Quando é que ela vem?
Qual teu nome mesmo?
Como vai você?

(enquanto procurando pela diferença, encontrei esses videos desse professor -- pelo sotaque deve ser gaúcho u.u --, que pareceram bem bons até... apesar de inúteis para meus propósitos: )




Mas, enfim, depois de um pouco mais procurar, encontrei esse link. Percebi que essa distinção entre as duas classes resolve justamente um problema que eu tinha com as palavras que aprendi participarem da classe dos "advérbios relativos": elas não substituem nada! Explico...

A minha definição de pronome, desde o início, era perfeitamente expressável pela frase "Pronomes são palavras que substituem nomes" (a idéia que eu tinha era mais ou menos essa). Estudava pronomes tendo isso como verdade, e tudo sempre deu muito certo para os pessoais. Mas ao chegar nos indefinidos, tudo descambava para algo como "essas palavras são pronomes deal with it". Nos últimos tempos, comecei a notar que onde, como, quando e por que não substituíam nada em início de pergunta... mas os tinha como pronome por um simples motivo: tampouco o faz a classe dos pronomes possessivos (conforme eu pensava -- na minha cabeça, os pronomes possessivos são simplesmente a "declinação dos pessoais no genitivo"). Mas aí andei notando que a função dos pronomes possessivos é a mesma dos demonstrativos: não necessariamente substituir, mas especificar. Frases como

O casaco que comprei e de que agora sou dono escolheu.

, quando em contextos em que toda essa informação em azul é desnecessária, podem ser reescritas assim:

O meu casaco encolheu.
Este casaco encolheu.

Essa nova "função" dos pronomes me tornou inseguro quanto à classe, e eu tinha meio que aquela idéia de que "se eu não sei, então deve ser pronome". Aliás, me perguntando agora sobre o motivo de eu considerar aquelas quatro palavrinhas como pronomes, duas possibilidades me vêm à mente:

  1. Todas elas são wh-cognatas (e, bem, qu-cognatas, quando comparado ao latim); ou
  2. Todas as quatro podem funcionar como pronomes relativos.

E, aliás, um tempo atrás eu comentei sobre algumas palavras simplesmente não exigirem cópula. O conjunto delas me pareceu justamente restrito ao dos Pronomes Interrogativos (tá tá... fora o cadê, que é mágico -- aliás, acho que o "novo" cadê será o xo, como contração de "deixa eu").

Enfim... eras isso. Numa próxima vez eu escrevo sobre a tal "Assimetria do Quem".

R$