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31 de ago. de 2011

"X"

[esta postagem tem relativamente forte influência religiosa. Se você tem problemas com isso, pode simplesmente ignorá-lo -- bem como, na realidade, qualquer outra postagem do blog, já que ninguém é obrigado a ler u.u]

De todas as coisas que eu faço, talvez haja pouquíssimas (MUITO pouquíssimas) que me agradem tanto quanto ou mais do que ser (como um ato) um estudante de Ciência da Computação de uma universidade reconhecida no país e agir como um entusiasta dessa área do conhecimento que definitivamente é a área para a qual eu quero devotar o resto da minha vida. Pouquíssimas! Mesmo assim, acho que para qualquer um que conviva um mínimo comigo não seja difícil chutar a que coisa eu poderia me referir com tamanho prazer (a ponto de comparar com a computação). De qualquer forma, creio que errariam: possivelmente, chutariam "música"; certamente, a resposta é "cantar" (o importante é notar que não é a música que me agrada tanto, mas cantá-la -- se bem que, é claro, música também me agrada bastante, mas não a ponto de ficar acima ou se comparar à computação, e isso fica bem evidente pra mim quando eu reconheço que não me arrependo nem por um segundo em ter escolhido computação, em vez de música, no vestibular).

No domingo passado, dia 28 de agosto, um dos dois corais religiosos dos quais participo (que eu e mais alguns amigos chamamos rebeldiosamente de "Coral X", apesar de seu nome ser na verdade "Patmos" -- Patmos é uma ilha, e na verdade o motivo do nome do coral não faz muito sentido pra mim) foi cantar em Cidreira, no litoral, à noite. Por conta disso, o domingo inteiro foi à base de viagem de ônibus e coisas relacionadas ao coral e à igreja. Além disso, o sábado também teve boa parte dos seus momentos (quase todos) ocupado com coisas relacionadas à igreja e aos corais.

Na ocasião, um dos integrantes do coral, bastante entendido dessas coisas de filmagens e fotografia, levou a sua câmera e, com os microfones do regente do coral, gravou o nosso audio, enquanto cantávamos. Queríamos gravar, principalmente, para que pudéssemos verificar nossos erros durante a apresentação, mas também para que pudéssemos mostrar o nosso "trabalho" (falando assim até parece que a gente sofre pra fazer isso u.u) para outras pessoas que conhecemos. O resultado é que ficou bem legal (na minha "omilde" opinião), e eu posto o video da música "Jesus, Amigo Fiel" a seguir, para que o leitor assista:



Cantamos 8 músicas, se não me engano, ao todo. Infelizmente, uma ou duas não foram postadas no Youtube. De qualquer foram, estão no Youtube as seguintes: Servo do Senhor, Nada Melhor, Bendita Segurança, Meu Novo Lar, Saudade.

Bom... o que posso dizer? Eu, como participante do coral, fiquei SATISFEITÍSSIMO com como ficou. Apesar de alguns pequenos focos de desafinação aparente em quase todos os videos, o todo ficou bem legal.

Ao mesmo tempo, admito que fico meio que "mordidinho" com os gritos de "Glória a Deus" e "Aleluia" que as pessoas emitem no meio das músicas (inclusive integrantes do coral). Mesmo assim, não posso reclamar: isso faz parte da cultura da igreja da qual faço parte, feliz (porque por um lado é, pra mim, até, bonito esse tipo de "declaração") e infelizmente (porque por outro pessoas que não participam do meio podem achar o ambiente muito esquisitão u.u).

Enfim enfim... eu ADOREI os videos (mas, claro, sou suspeito pra falar). Achei ótimos... muito divertido \o/. Se o leitor tiver gostado, ou não, comente, é de grátis (bem como o evangelho) u.u //sacas

R$

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Depois do culto a gente ganhou um lanche que tava tri bom. Entre os bolos, tinha um que era branco com umas "manchas" pretas de nega-maluca no meio. Uma das gurias mais "escuras" do coral comentou que o bolo tava com aquelas cores pra simbolizar a misturança que são as cores das pessoas participantes do coral. Eu ri u.u  [/politicamente incorreto]

23 de mai. de 2011

Música de adventista?

Estou feliz.

Nos últimos tempos o mano andou ouvindo bastante uma rádio adventista: a rádio Novo Tempo (acho que é a frequência 99.9). Ele andou elogiando os Arautos do Rei, conhecidíssimo grupo adventista brasileiro, e meio que me instigou a querer ouvir.

Só uma das várias formações do grupo que, no momento, representa o estilo de música que tenho ouvido.
O grupo é conhecido por não ser fixo. Tem discos gravados desde 1962 (tá certo isso?) e de lá pra cá já passou por várias mudanças de formação. Mesmo assim, o estilo de música permanece o mesmo.

Hoje, na falta de algo para ouvir (queria ouvir algo porque o mano e a Priscilla estavam vendo, num volume inaceitável, de porta aberta, no quarto da mãe, um filme na TV), resolvi baixar um CD que achei no Jardim Gospel (um site que um colega da faculdade me sugeriu como grande fonte de músicas, de onde ele me deu a impressão de baixar frequentemente alguma coisa ou outra), deles, chamado "A Capella".

ADOREI o CD... e resolvi baixar mais coisas deles. Como eu disse, eles não são novidade para mim. Mas até agora eu nunca tinha me dado ao trabalho de baixar qualquer CD deles para ouvir. Hoje, tive a iniciativa, não causadora de arrependimento algum (até agora nenhuma música de que eu tenha realmente não gostado).


Gosto muito das suas harmonias, cheias de notas inesperadas, e de suas letras, ainda não contaminadas com a horripilante teologia da prosperidade.

Enfim... estou feliz... ouvindo música de adventista. É definitivamente o MEU estilo de música. Nenhum outro tipo de música me deixa mais "psicodelizado" do que esse. E fazia um tempo que eu não ouvia coisas desse tipo D=

Eras isso...

R$

29 de out. de 2010

O lado feio do cristianismo

Recebi um e-mail esses dias na lista de discussão da igreja. No fim dele (eu li até o fim, já que, apesar de ser sobre política, era um dos poucos que não estavam somente listando males de um ou de outro candidato e dizendo pra votar no contrário), encontrei isso:

BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de
reprodução sem autorização por escrito da BBC.


Depois de ler isso, fiquei pensando: era crente quem me mandou isso O.o (afinal, foi pra lista de discussão da igreja - e, sim, eu conheço a pessoa).

Da mesma forma, conheço alguns (e não é difícil encontrar no centro de PoA) cristãos camelôs. Eu posso dizer "aaa... mas ele tá trabalhando, e é a forma que ele tem de ganhar a vida", mas convenhamos que, no mínimo, isso deve ser considerado estranho ("dêem a César o que é de César"), né??

Por último, todos os anos, no natal ou na páscoa, a gente realiza um evento evangelístico que mobiliza toda a igreja de Guaíba (e alguns de Canoas também, sem contar quando vem gente de lá de Arapongas nos ajudar). É um dos poucos eventos evangelísticos promovidos pela igreja que realmente eu considero de boa qualidade: não é crivado de clichês "manda fogo" ou "faz chover", não é lotado de gritos de "Aleluia" e "Glória a Deus" (não querendo falar nada, mas sinceramente eu acho que isso significativamente deve afastar os ditos "ímpios" - que palavrinha horrorosa - da igreja) e as pessoas se vestem de um jeito natural, demonstrando que "crentes" também são "pessoas normais". Além disso, tem música boa, tanto no instrumental - normalmente uma orquestra bem boa - quanto no coral - como todo mundo fica meio que num furor pela apresentação, a coisa flui melhor do que se fosse só um trequinho tosco feito uma vez lá que outra.

O que me incomoda nessas cantatas é o xerox. Claro, claro: no Brasil, tirar xerox de música, além de ser algo TREMENDAMENTE normal, é algo que não dá multa muito cara. Mas, como bons cristão, não acho que isso seria o certo a se fazer O.o D=. No caderno das partituras da cantata, tem até escrito, bem grande, pra todo mundo ler, num quadrado chamativo, o seguinte aviso:

Importante:
É proibida a reprodução deste material com ou sem fins lucrativos. Os direitos de reprodução no Brasil são exclusivos da Ômega Alfa Ômega, conforme contrato com os produtores originais.


Mesmo assim.........

Não sou a favor de se comprar Windows original. Não sou a favor de se comprar algo além de um único exemplar das partituras da cantata que vamos apresentar, e só não sou a favor dos camelôs porque eles privatizam o espaço público (argumento que minha prima Jussara me deu sobre o assunto e que eu considerei muitíssimo bom =D). Baixo jogos "piratas" da internet e emulo roms de SNES sem nunca ter tido o cartucho. Por último, acho UM ABSURDO me dizerem que a indústria dos games vai terminar se continuarem pirateando tudo o que eles fazem por aí... ¬¬ (será que o Marcelo lê isso??)

Não considero errado quem faz tais coisas - como pode ter dado a entender o que escrevi antes. Só que acho estranho. Acho "feio". Acho que as leis precisam mudar, evoluir, e terminar com todo esse poder da propriedade intelectual e só assim terei a minha consciência tranquila quando eu quiser pegar o StarCraft II crackeado do meu primo (diz meu primo que conseguiu um na internet, quero ver =D) pra jogar.

Enfim... o que eu quis dizer é que os cristãos vivem dizendo que Cristo muda a nossa vida, e faz e acontece, mas me parece que tem um monte de coisas que eles continuam fazendo sem nem se dar por conta. Coisas pequenas, claro (nenhum cristão sai roubando, matando, estuprando, e não sabe que isso é errado - creio, ao menos), e, na minha opinião, não erradas, mas........ "feias"...

É isso =D

R$

1 de mai. de 2010

Onde está o amor?!!?

Estava me perguntando sobre isso há algum tempo, antes de criar esse blog. Tinha vontade de escrever sobre o que eu pensava, mas não teria cara de pedir pra usar algum blog de alguém que já conheço. Gostaria de escrever isso pra um público maior do que as pessoas que aqui vêm, mas, hoje esse assunto me veio à cabeça denovo e não quis adiar mais o escrever =D

Aviso que esse texto deve se assemelhar ao conteúdo da disciplina de Matemática Discreta, no sentido de que, apesar de introduzir alguns fragmentos aparentemente desconexos, ao término, todos eles saberão (ou ao menos na minha cabeça eles parecerão saber) "como se juntar".

1 - Um tempo atrás, estava voltando pra Guaíba, logo depois de uma aula na UFRGS, e prestei atenção, como sempre, na quantidade de mendigos que se acumulavam nas extremidades do "túnel" que passa por debaixo da avenida da Conceição, ligando o lado da Rodoviária ao lado onde está a IURD (Igreja Universal do Reino de Deus). É extremamente triste pensar que existem tantos passando fome, mendigando, se humilhando por alguns centavos. É mais triste ainda pensar que muitos deles, por falta de cultura/conhecimento/acesso à informação, gastam do pouco dinheiro que conseguem em drogas, bebidas, ou qualquer outra coisa que, certamente, só afunda mais ainda o coitado na sua miséria.
Algo que me incomoda é eu nunca ter visto (apesar de não poder dizer com certeza de se não acontece) algum dos caras da IURD ali do lado demonstrar algum tipo de gentileza ou prestar algum tipo de ajuda aos pobres diabos do lado de fora do seu majestoso "templo" (ou catedral, como eles gostam de dizer), apesar de com freqüência já tê-los visto abordar pessoas acompanhadas de cadeirantes (na verdade, a pessoa de quem eu melhor me lembro ter visto era uma mulher cuja filha tinha paralizia cerebral) ou mesmo pessoas "normais", aparentemente, ao menos =D.
Onde está o amor a essas pessoas?!?! Foi embora?!?! Não quero julgar os caras da IURD: eu passava por eles todos os dias. Onde está o amor a essas pessoas!??!

2 - Por algum motivo, ouvi, algum tempo atrás, que os cristãos pregam "o ódio às minorias" (ouvi isso de uma pessoa contra quem poderia facilmente usar a falácia do argumento ad hominem ¬¬, o que, de qualquer forma, não mudaria a veracidade do fato) e, infelizmente, depois de um pouco pensar, fui obrigado a, concordar. Fiquei envergonhado ao notar isso e percebi que, fundamentalmente, o cristão, andando por esse caminho, não está seguindo os preceitos que prega. Afinal, o cristão prega o amor incondicional a todos, não importando de onde venha ou quais as condições do próximo (lembrando da parábola do bom samaritano). A pergunta que me faço, quando penso nessa história toda, novamente é a mesma da "história 1": onde está o Amor?!!?
Frequentemente tenho a impressão de que (creio que verdadeira), diferentemente dos ditos evangélicos - grupo do qual eu faço parte =D -, muitos outros grupos sociais, relacionados ou não a alguma crença, são muito mais "amorosos", no sentido de que, mesmo (às vezes) com muito menos condições, se doam em prol de outrem.
Não sei por que, mas, por algum motivo, gosto de relacionar esse pensamento a uma frase proferida por Jesus: "aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á". Sei que, contextualmente, essa parte não tem tanto a ver com esse assunto (Jesus estava falando somente sobre o seguir a ele, nesse contexto), mas, penso que o alvo do evangelho é o próximo, e que, pegando os conselhos dados por Tiago2 e 1João3 em relação ao próximo, deveríamos, sim, nos doar mais às pessoas à nossa volta (digo isso de maneira hipócrita e envergonhada, já que eu, apesar de pensar nisso, admito não fazer nada disso).

3 - Semana passada, quando eu estava esperando na parada o Agronomia, me abordou um homem falando numa voz fraca e especialmente aguda. Ele me perguntou se poderia me dizer uma coisa, no que eu fui inicialmente relativamente rude respondendo com um simples sim, um tanto amedrontado. Quando ele começou a falar foi quando eu percebi que se tratava de um mendigo que me pedia apenas algumas moedinhas pra comer. Eu não acreditei num primeiro momento, tendo ficado com absurdo medo de abrir a mochila - a parada estava meio vazia - e, rapidamente, inventei uma desculpa pra não fazê-lo: disse que não tinha moedas na mochila. Enquanto dizia isso, minha consciência categoricamente me alertava sobre o troco do RU, de 40 centavos, que jazia ao fundo do menor bolso da mochila. Fiquei infeliz com o acontecido, mas, tendo falado, ele foi embora, clamar pela ajuda de um outro que estava um pouco mais ao lado. Cheio de remorso, revirei pelos 40 centavos aquele bolso, no que descobri que tinha mais de 1 real dentro da mochila. Dei um real, nada mais nada menos, de consciência um pouco mais limpa D=.
O que me incomodou nessa história no fim das contas foi principalmente que eu neguei ajudar ao próximo simplesmente por medo de que eu o ajudasse mais do que estava realmente disposto a fazê-lo (ou seja, no caso de ele me roubar \o/). Não dei o meu lenço, tendo ele me pedido o manto. Fui indesejavelmente cristão, naquele momento... D=

Enfim... o que essas três historinhas me ensinam é que, apesar da minha infinda tentativa de tentar fazer valer aquilo que ponho como características fundamentais do meu caráter, baseado na bíblia, infelizmente sou falho ao tentar fazê-lo. Definitivamente, não sou bom em ser cristão. Estou certo de que a graça de Deus me basta e me ajuda com esse sério problema (no sentido de que isso não vai me levar à perdição =D), mas certamente não consigo ser bom o suficiente. Penso em fuzilar os índios quando eles tentam tomar para si áreas industriais de Guaíba, ou penso em bombardear casas de multimilionários capitalistas quando eles não se preocupam com o "bem-estar" da natureza, destruindo, por exemplo (como o meu boné, que não tiro da cabeça, lembra), áreas de desovas de tartarugas marinhas nas praias do nosso litoral. Gosto de lembrar de quando espanquei até a morte (eu era criança) uma galinha pendurada na árvore do pátio da casa da minha tia e de quando o mano apertou a casca de bergamota no olho de outro. Frequentemente percebo ser da minha natureza ser mal com as pessoas, com os animais, e com muitas outras coisas (utilizando isso para minha simples e pura diversão, até mesmo), e vejo que isso não é bom, no que fica a pergunta, mais uma vez, martelando na minha cabeça e me incomodando, acusando a mim e ao meu cristianismo (e a todos aqueles que, teoricamente, o seguem): "Onde está o amor?!?!"

Abaixo, fica a música que me "inspirou" a escrever sobre isso, também. A letra é MUITO boa, muito condizente com a maldita realidade. Por algum motivo, ela me lembra daquele cara do Rio de Janeiro, cujo título recebido era o de "profeta", que dizia e repetia que "gentileza gera gentileza", querendo fazer com que a sociedade vivesse melhor, de maneira mais unida, feliz e "amorosa", nesse sentido. A música reclama de guerras e racismo. Ela me lembra muito a minha historinha número 2, ali.



O que mais frustra é pensar que, apesar de ter escrito sobre isso, NADA vai mudar (inclusive eu seguirei a minha vida egoísta sem ajudar ninguém, porque sou mais hipócrita do que tenho vontade de mudar, de alguma forma, a vida das pessoas), todos permaneceremos agindo do mesmo modo egoísta de sempre (até porque só uma ou duas pessoas vão ler isso =D).

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Enfim... certamente esse post não serve pra nada e eu só escrevi pra dizer alguma coisa e pra reclamar da minha falta de atitude quanto à vida dos outros... mas ao menos eu publiquei alguma coisa hoje =D

R$