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18 de abr. de 2012

Em Kaiserslautern #5 -- Nazi-chuveiro...

De todas as coisas daqui de Kaiserslautern das quais eu não gosto, somente uma até agora conseguiu me tirar do sério.

Eu posso me incomodar com a freqüência com que se come batata-frita nos almoços, e pode não me agradar o fato de os supermercados não aceitarem cartão de crédito (e nem de débito), normalmente. Eu posso não gostar do fato de que a minha cortina mal me protege contra a tremenda iluminação diária no início da manhã, e também posso ficar até meio aturdido com a idéia de que todos os moradores da Alemanha que tenham algum acesso à "mídia" tenham de pagar imposto por isso (a menos que digam que não têm nada em sua casa -- já que os trabalhadores da empresa que dá conta disso não podem entrar nas suas casas para verificarem qualquer coisa). Os dias podem ser muito longos no verão (o que eu acho ruim) e os alemães em geral podem ser bem inflexíveis com horários; mas UMA coisa tem me deixado TOTALMENTE fora do sério e não tem relação com qualquer uma das coisas acima citadas: o meu chuveiro.

Eu moro no quarto andar do meu prédio e é aceitavelmente esperado que a força da água não seja das melhores. Paradoxalmente, ela é! Mas só às vezes! E é aqui que mora o problema: freqüentemente, a água simplesmente vai perdendo força, perdendo força, perdendo força, até o ponto em que não haja mais água suficiente para que um certo pininho do chuveiro se mantenha ativado e então a água pare. Sério... desmotivante! Se eu não posso reclamar do frio -- o meu banheiro é sempre quentinho, graças à maravilhosa calefação --, eu não tenho como não reclamar do chuveiro. Logo, ela volta (eu fico segurando o pininho pra ele não cair e a água continuar saindo enquanto ela tá fraca), depois de uns 40segundos, e o banho volta ao normal... não fosse por um outro problema:

A água também esfria! Às vezes, do nada, ela está normal, na temperatura perfeita, e, quando vejo, de repente, ela está fria! Completamente fria! Por causa disso, minha reação imediata (contra a qual aprendi a lutar) é movimentar o registro um pouco para a esquerda (o registro da água é uma alavanca: para a esquerda fazemos a água esquentar e para a direita fazemos a água esfriar) e esperar até que a água passe a esquentar. Aprendi a lutar contra essa reação porque, alguns segundos depois, quando a água quer "voltar à sua temperatura normal", ela está muito quente, porque o maldito registro foi movimentado para a esquerda. Se isso ocorresse com freqüência aceitável, uma vez a cada 5minutos, por exemplo, seria o menor dos meus problemas. Mas isso ocorre o tempo todo! O TEMPO TODO!

Minha teoria: eu tenho, por algum motivo (alguém tem que ter, afinal), literalmente, a menor prioridade sobre a água quente em todo o meu prédio. E também tenho uma das menores prioridades sobre a água. Quando os meus vizinhos começam a usar sua água quente pra o que quer que queiram fazer com sua água quente, eu fico sem a minha água quente. Por que eu tenho a menor prioridade? Sei lá! Acaso! Por que eu acho que isso não ocorre com todos: porque eu já perguntei aos outros brasileiros que moram também no último andar, e nenhum deles relatou problema parecido. Aliás, por muito acaso, os chuveiros deles não são estranhos, com alavanca, o que me leva a crer na possibilidade de o cara que estava aqui antes -- que quebrou a porta (motivo pelo qual eu tenho a única porta diferente, que abre por fora, do prédio inteiro) -- também talvez tenha sutilmente quebrado o registro do chuveiro durante a sua estadia (talvez pelos mesmos motivos que me levam a escrever nesse blog no momento).

Mesmo assim, é verdade que eu passo bem menos trabalho do que se estivesse no inverno brasileiro: apesar de chuveiro chato (o que eu tinha no Brasil sempre foi ótimo), não se sente nunca frio nenhum [e essa frase é para aqueles que adoram as duplas negações do Português], mesmo quando a temperatura lá fora está abaixo do 0.

Uma última reclamação: putz... que ralo bem fiadapu! O ralo é pequenininho, e facilmente entopível. Mais uma coisa com que me enervar T___T

R$

14 de abr. de 2012

Nas noites de Abril...

Desde que aprendi, há alguns dias, a palavra "Heimweh", no alemão, que significa algo como "saudade de casa" (ou falta de casa), andei matutando uma coisa: por que raio de motivo é a palavra saudade tão difícil de ser traduzida (na opinião de uns certos pesquisadores britânicos).

Saudade (1899), por Almeida Júnior.
(fonte: Wikipedia)

Fui à wikipedia, e achei uma definição horrorosa da palavra, tanto em português, quanto em inglês. Explicação contradizente ou não conclusiva era o que mais havia por lá -- inclusive na página de discussão. Fiquei pensando nos possíveis diferentes significados e tentando encontrar casos nos quais a palavra tem sentido totalmente diferente daqueles a que estamos acostumados.

Inicialmente, eu sempre achava que a palavra saudade, como substantivo, poderia facilmente ser traduzida como "o substantivo relacionado ao verbo 'miss', do inglês". A gente diz "to com saudades da minha mãe", e a tradução parece óbvia: "I miss my mother". Apesar disso, eu sempre tive aquela noção de que a palavra saudade tem um sentido mais emocional: quando criança, eu gostava de diferenciar "saudade" de "falta por necessidade".

Passado algum tempo, encontrei a palavra "Yearning". Pelo que entendi, ela é uma "falta" forte e profunda de algo. Mas a questão é que essa palavra parece ser uma falta não necessariamente melancólica por algo que se tinha e que se perdeu, ou que se gostaria de ter (ou ver): uma pessoa pode ter "yearning for justice", por exemplo.

Um sentido, especialmente, também me impressiona na nossa palavra: a saudade de algo futuro. Eu não sei o quão certo é o uso desse sentido, mas ele é bastante freqüente no cristianismo do século passado. Expressões como "Saudade de Sião" ou "Saudades da Jerusalém Celestial" -- coisa que eu não vi, mas que anseio "conquistar", e que de certa forma conheço -- aparecem bastante nos nossos cancioneiros. Aliás, a gente também gosta de dizer que tem saudades de Jesus, e isso não é nenhuma "falta", e dificilmente seria traduzível como "miss" (apesar de eu não fazer idéia de o quanto isso seria traduzível como "yearning").

Finalmente, concluo o inútil, i.e., que não sei. Seria legal perguntar a algum nativo de ambas as línguas o que ele acharia. É engraçado porque, acho eu, por eu pouco dizer que tenho saudades de algo[uém] -- é realmente raro! -- eu tenho a impressão às vezes de eu não sei bem exatamente o sentido dessa palavra.

A única coisa que sei é a seguinte: uma saudade a mim muito agrada, a saber:



R$

6 de abr. de 2012

Uma longa conversa sobre casos gramaticais...

Como eu creio já ter comentado, tenho tido aulas de alemão. As aulas são ministradas por duas professora: a Oksana, uma russa, muitíssimo divertida (e absurdamente didática!) e a Nino, uma Georgiana (que, aliás, também fala russo) que, se não dá as melhores aulas do mundo, é fácil notar que ela sim tem bastante boa vontade para com os alunos.

Esses dias, após o intervalo, estávamos comentando sobre as diferenças entre as línguas das diversas nacionalidades das quais a nossa turma tem representantes: chinês, árabe, persa (tem um libanês que acho que fala árabe; e os dois iranianos pelo que entendi falam persa e entendem um pouco de árabe, já que árabe é a o latim do islam: a língua da religião que todos devem aprender), português, espanhol (temos um colega colombiano), francês, romeno e, é claro, russo (a Oksana é que estava em aula). Perguntou-se se o russo seria uma língua difícil, no que a professora respondeu que certamente é mais difícil que o alemão. Me interessei: não pela dificuldade, mas pelos motivos pelos quais ela seria assim. A professora comentou que haveria mais casos gramaticais além dos 4 populares do alemão, a saber, Nominativo, Acusativo, Dativo e Genitivo. Perguntei quais casos seriam, mas por não ter a tradução correta para o alemão, a professora chutou um tal de Vocativo.

(pera pera... se o leitor não estiver entendendo nada dessas palavras com "ivo" no fim, por favor, tenha paciência, elas serão explicadas)

Ei ei, pera aí! Vocativo existe no português, não é? Sim, respondo ao duvidoso leitor: como resultado, ao término da aula vim à Wikipedia fazer uma pequena pesquisa. Quem diria: o português também tem vários casos gramáticais (e inclusive declinações) das quais a gente nem se dá conta.

Mas o meu interesse ainda eram os casos do russo, no que descobri que eles são seis ao todo: além dos quatro casos da língua alemã, existem os casos Preposicional e Instrumental. Mas e o Vocativo? A wikipedia diz que o russo apresenta alguns casos "adicionais", como o Vocativo e o Locativo (o qual no russo não se diferencia do Preposicional; mas em outras línguas, como no ucraniano, parece que sim).

Após comentar sobre essas descobertas para a professora, me interessei sobre que outras possibilidades poderiam haver no português ou no inglês, e que casos a mais poderia eu encontrar. Descobri MUITA coisa, sobre que talvez o leitor nunca tenha pensado, e que ultimamente me tem feito cagar tijolos diariamente. Essa tal de linguística é muito do foda! Sério!



Por isso, resolvi que faria uma "breve" explicação sobre as descobertas que realizei. A primeira coisa a fazer é explicar o que são os quatro casos que a gente aprende no alemão. É interessante dizer que esses "casos gramaticais", em teoria, não deveriam depender da língua em que são usados (afinal, essa é a idéia da linguística, a saber, ser um estudo sobre as línguas independente da língua em foco). Afinal, os mesmos casos usados no alemão aparecem no latim, e, como já foi mencionado, no russo.

O caso Nominativo é pra mim ao mesmo tempo o mais fácil e um dos mais difícil de explicar. Ele aparece sempre nos sujeitos e nos predicativos do sujeito das frases em alemão, e ficará mais claro assim que eu começar a exemplificar. O Nominativo é o primeiro caso a se aprender, afinal, somente frases com verbos no imperativo (não confunda: imperativo não é um caso gramatical, mas uma possivel "conjugação" dos verbos) permitem que, às vezes, omitamos o sujeito em frases no alemão.

O Acusativo é o segundo a aprendermos na língua alemã. Ele em geral denota, para nós, o objeto direto. Independentemente da língua, o Acusativo deve sempre denotar o "paciente" do verbo, i.e., aquele que sofre a ação.

No português, não fazemos diferença entre o caso Nominativo e o caso Acusativo, e acabamos, portanto, confiando na ordem das palavras (em geral, "Sujeito-Verbo-Objeto" ou "Sujeito-Objeto-Verbo") para extrairmos o sentido real das frases. Frases como as seguintes teriam significado ambíguo, se a ordem fosse desprezada:

O homem mata a cobra.
O homem a cobra mata.

Quem matou quem? No alemão, essas duas frases também podem ter significado ambíguo em casos em que ambos sujeito e objeto são femininos ou neutros. Se algum dos dois é masculino, pode-se verificar o artigo "o" ("der", no nominativo, aka sujeito; e den, no acusativo, aka, objeto direto) para saber quem é o sujeito da história.

Der Mann tötet die Schlange.  <--- o homem é quem mata
Den Mann tötet die Schlange.  <--- a cobra é quem mata

O terceiro caso a ser apresentado é o Dativo, que representa para nós lusófonos o objeto indireto. Em teoria, como o próprio nome diz, ele indica "aquele a quem o 'paciente' da ação é 'dado'". Se no português em geral esse caso é denotado através de uma preposição (queira o leitor verificar os exemplos), no alemão a diferença se dá frequentemente através (novamente) da declinação do pronome (e, também, do artigo) de uma forma diferente:

Eu dou à moça o presente.
Ich gebe der Frau das Geschenk. <---- der agora significa "a", e não mais "o"

Eu dou a ela o presente.
Ich gebe ihr das Geschenk.

(Verde - Nominativo; Vermelho - Dativo; Azul - Acusativo)

(É claro que a ordem comum do português em geral é outra: se no alemão a ordem comum é "Sujeito - Verbo - Dativo - Acusativo", no português utiliza-se normalmente a ordem "Sujeito - Verbo - Acusativo - Dativo".)

Agora vem o primeiro mind blow da postagem: o português também tem uma declinação "Datívica", infelizmente só presente nos pronomes pessoais nas terceiras pessoas do singular e do plural! Se eu substituir, no exemplo anterior, a locução "a ela" pela declinação Dativa do pronome "ele", a frase seria a seguinte:

Eu dou-lhe o presente.

Ou, mais coloquialmente,

Eu lhe dou o presente.

No inglês, o pronome em geral declina, com ou sem preposição (e, aliás, o pronome declina mesmo quando ele estiver no "Acusativo"):

I give her the gift.
I give the gift to her.

Finalmente, o último caso a verificarmos no alemão é o caso Genitivo. Esse é fácil de explicar: em geral, denota posse; mesmo assim, às vezes algumas construções não denotam [totalmente] posse e exigem Genitivo no alemão. No português, apesar de não termos declinações relativas a esse caso, em geral, o "emulamos" através da preposição "de". Vejamos exemplos:

O presente da mulher.
The gift of the woman. / The woman's gift.
Der Geschenk der Frau.

O que acontece no alemão? Em vez de termos uma preposição, como no português ("de"), temos uma declinação do pronome "die" (die Frau, no Nominativo), transformando-o em "der" (der Frau, no Genitivo), e ficamos livres de preposições. Tri né?



Agora que falamos daquilo que é mais importante para o alemão, estamos livres para falar de alguns casos que são bem interessantes e que frequentemente aparecem como casos "especiais" na língua portuguesa. O primeiro deles é o Vocativo. O que é o Vocativo afinal? Pelo que andei vasculhando, o Vocativo é exatamente o Vocativo que temos na nossa língua. [In]Felizmente, assim como no inglês, nós não temos diferença nenhuma entre o nosso caso Vocativo e o nosso caso Nominativo, o que faz com que em geral ele seja descartável e esquecível. A forma de demonstrarmos com quem estamos falando é através de alguma pausa ou maior ênfase na voz.

Talvez resquício de diferença, creio eu (isso é suposição minha), seriam expressões do tipo "Vossa Senhoria", nas quais a palavra "Senhoria" derivaria da palavra "Senhora". No latim, por outro lado, se no Nominativo as palavras terminavam com "us", no Vocativo elas terminavam com "e", e isso tornaria fácil de perceber na fala momentos em que se estivesse falando diretamente com uma pessoa -- aquela que fosse "vocativizada".



Outro caso presente na língua portuguesa -- e também no inglês -- é um tal de caso Oblíquo. Enquanto eu falava de Dativo, o leitor deve ter discordado ao ler que o nosso caso "Dativo" só existe nas terceiras pessoas (afinal, além do "lhe", temos também o "te" e o "me", não é?). Mas pelo que andei Wikipediando, parece que prefere-se dizer que esses pronomes pertencem ao "caso Oblíquo", o qual parece ser uma mistureba entre o caso Acusativo e o caso Dativo.

O que acontece: quando o Acusativo inteiro é substituído por um pronome pessoal, ele declina de um pronome pessoal reto para um pronome pessoal oblíquo átono (te, me, nos, etc).

Ex: O menino chuta a bola.
O menino chuta ela. <---- ERRADO
O menino a chuta. <---- CERTO


Ao substituir o Dativo inteiro por um pronome pessoal, ele declina de um pronome pessoal reto para um pronome pessoal oblíquo tônico (ti, mim, nós, etc).

Ex: O menino entrega o bolo ao homem galante. -- (e eu sou o homem galante)
O menino entrega o bolo a eu. <---- ERRADO
O menino entrega o bolo a mim. <---- CERTO

Frequentemente, ainda, a gente substitui o Dativo por um pronome pessoal oblíquo átono ou o Acusativo por um pronome pessoal oblíquo tônico, e eu não sei se isso é certo ou errado:

O menino chuta a ela.
O menino me entrega o bolo.
O menino mo entrega. (Equivalente a "O menino me o entrega")

Finalmente, existe um caso chamado "Comitativo", que indica que algo é feito com a presença de outrem. Como ele é construído no português: quando o pronome pessoal reto declina para um pronome pessoal oblíquo e a preposição "com" está presente na frase, ela se junta à preposição "com".

Ex: Ele jogou video-game até agora comigo.

(aliás, eu estava me perguntando agora qual dos dois seria o certo:

Eu vou com ele ao mercado.
Eu vou consigo ao mercado.

Digo isso porque eu sempre lembro do video da Anabela de Malhadas com o radialista dizendo "Vai me dar um fanico consigo".)

Obviamente, o significado desse tipo de exemplo pode ser extraído de frases sem a preposição com:

Eu vou junto à minha mãe ao centro da cidade.
Eu vou junto a ela ao centro da cidade.

Também é legal perceber que às vezes o caso Comitativo "degenera" para o caso Instrumental (um caso que indica o que foi utilizado para que algo seja feito):

Foi contigo que eu consegui vencer nesse jogo. (indicando que foi "através" de ti)



Um último comentário sobre a língua: a gente tem uma coisa bem tri que o mano sempre tinha me dito e que agora andou fazendo bem mais sentido. Frequentemente, quando queremos tornar "alguma coisa" em "alguma pessoa", adicionamos o sufixo "em" às palavras, como em "alguém", "outrem" e "quem". Às vezes me pergunto se isso não é algum resquício de algum caso gramatical que não tenhamos mais.

Finalmente, dando uma olhada nos casos que o Latim tem, estou pra dizer que ele tem: Nominativo, Acusativo, Dativo, Genitivo, Locativo, Vocativo e Ablativo.

Não sei o quanto o leitor gostou dessa conversa sobre os casos gramaticais, mas é foda perceber o quanto a nossa língua é cheia de belezas encroadas das quais pouco ou nada conhecemos.

R$

12 de mar. de 2012

Em Kaiserslautern #4 -- Numa terra em que se fala alemão

Não digo que fale alemão muito bem, mas estou muito feliz com meu desempenho nessa língua considerada tão difícil.

As pessoas em geral que nenhuma relação com ela têm reclamam que parece que sempre se está através dela xingando. Eu discordo: fora quando ouço os sotaques austríacos (nos CDs que vêm nos livros com os quais estudamos), tenho sempre a impressão de que a língua fala de um jeito extremamente pacífico, comunicando aquilo que os sons de suas palavras realmente desejam.

Quando ouve-se uma palavra como "schlecht" (leia "chlêrrt" -- lol, isso foi o mais próximo que consegui chegar da pronúncia no português),  é de se esperar que algo ruim a ela esteja relacionado. Mas reflita o leitor: teria a palavra "Blume" (flor -- e o nome de uma guria que há muito conheci v_v) um som tão ofensivo?

Durante o curso (que com o dia de hoje completou duas semanas desde o seu início -- e que ainda durará mais cinco), as aulas, como é de se esperar, são dadas somente naquela que é a língua foco de nosso aprendizado. Como o curso é intensivo (aulas das 8h30 às 12h e das 13h30 às 15h -- ou às 16h45, em alguns dias da semana, mas a professora sempre libera antes), comigo tem ocorrido um fenômeno extremamente interessante: após a aula, passo horas e horas "influenciado pela língua", pensando em alemão. Por isso, às vezes sem nem mesmo perceber (e às vezes forçando -- com o objetivo de obviamente melhorar o meu aprendizado) acabo fazendo planos, pensando na vida, lendo, o que for... retraduzindo para o alemão tudo aquilo que eu faço.

Ao viajar para Trier, nesse último fim de semana, ocorreu-me (na verdade, um colega me deu a grande sacada, mas, enfim) a resposta para uma pergunta que eu tinha já há algum tempo: por que motivo às vezes o alemão têm palavras derivadas do latim tão parecidas com o português (algumas que às vezes nem mesmo o inglês tem -- como se isso indicasse qualquer coisa)? A resposta é: o Império Romano estava aqui! A cidade à qual fomos, Trier, foi fundada no ano 17a.C., ou seja, num tempo em que aqui só se falava latim! [Trier, aliás, foi a antecessora de Constantinopla como "A Capital do Império Romano do Ocidente" (ou do Oriente, não sei -- a Alemanha fica bem no meio, como vou saber?)] Isso explica muito o fato de que palavras como o verbo "fotografieren" (fotografar) e "duschen" (tomar uma ducha) existem no português e são muitíssimo diferentes de "take pictures" (ou ao menos eu não consigo pensar em que verbo seria mais próximo disso, no inglês, pra fotografar) e "shower". (tá, ok, se bem que ninguém fotografava naquela época; e também não sei com que frequência se tomava banho nos tempos do Ímpério Romano v_v -- mas tem outras palavras!)

Anyway, é melhor eu parar de escrever por aqui... tem um monte de "Hausaufgaben" que a professora deu hoje pra a gente fazer e corrigir amanhã e eu ainda nem comecei D=

(um último comentário: se o leitor gosta, assim como eu, da idéia de querer falar várias línguas, querer saber mais e mais sobre como se dá a visão de mundo das pessoas através de sua língua -- porque, como disse um cara chamado Ludwig Wittgenstein, "As fronteiras da minha linguagem são as fronteiras do meu universo" --, por favor, não cometa o erro não aprender espanhol. É uma língua fácil pra nós, falantes nativos do português, e, apesar de feinha -- sim, verdade, eu não acho a língua mais bonita do mundo v_v --, aumenta DRASTICAMENTE a quantidade de pessoas com quem no futuro se pode vir a conversar numa língua no mínimo um pouquinho melhor que o inglês)


Buenas...

20 de fev. de 2012

Em Kaiserslautern #3 -- no trabalho...

Do leitor que já ouviu a rádio Farroupilha (eu ouvia todo dia, "por osmose", graças à minha avó) espero que ao menos reconheça a referência, no título da postagem.

Finalmente, o trabalho começou de verdade \o/ Estou empolgadíssimo (e, lol, não escrevo isso esperando que os meus chefes leiam, porque, apesar de brasileiros, duvido que estejam interessados nesse blog)! Inicialmente, o meu trabalho foi meio "dummy": pelo que entendi, o objetivo era que eu aprendesse a brincar com templates (que até então sempre foram uma dor de cabeça pra mim), Doxygen (uma ferramenta de documentação de código que, sério, achei MUITO fodalhona -- dá até pra fazer gráficos UML das relações entre as classes do programa) e o Eclipse (foi a primeira vez que eu realmente usei o Eclipse, relativamente a fundo, e, sinceramente, to até que gostando).

Ainda sobre o Eclipse, no momento em que me pediram pra usá-lo, eu reclamei que ele era muito poluído (era o argumento que eu lembrava de ser o "ponto fraco" dele, na minha opinião -- eu tenho tentado usar o VIM e, convenhamos, qualquer coisa se torna poluída quando se usa o VIM). Depois de 10min na frente do Eclipse, me veio o real problema que eu tive com ele quando tentei usá-lo noutros tempos: ele não me dá (ou é complicado fazer com que ele me dê, porque até agora eu não achei comofas) controle sobre o Makefile que ele gera pra o seu projeto. Além disso, achei um exagero, uma bobagem, que na auto-geração de classes do Eclipse CDT ele já crie o método destrutor como sendo virtual. E se eu não quiser que outras classes herdem da minha classe? Pra que virtual? Achei meio frescura, especialmente depois de ter lido o  Deep-C que me disse pra não sair sempre declarando qualquer destrutor como virtual v_v

Mesmo assim, no fim das contas, estou feliz com o Eclipse: ele me dá syntax highlight bem fodástico (apesar de ter me levado uns 10min pra eu conseguir configurar tudo do jeito que eu queria) e ainda me permite pular direto pra declaração da função simplesmente segurando Ctrl e clicando no seu nome (além de reindentar todo um código que esteja emporcalhadamente mal-indentado, se for o caso, através de um simples atalho -- e a reindentação, apesar de seriamente limitada, é [um pouco] configurável). Também, a opção de refactor dele é simplesmente maravilhosa -- apesar de às vezes dar uns bugzinhos D= -- e, no monitor que me deram, a poluição do browser se faz perfeitamente tolerável (sobra tanto espaço que não consigo ficar só com o Eclipse aberto ocupando todo o espaço da área de trabalho: me obrigo a ficar com a linha de comando ou o firefox (ou ambos) abertos pra diversificar um pouco a partilha do espaço.

Quando terminei o meu "trabalho dummy", no fim da semana passada, ganhei novas instruções: deveria começar a fuçar com sockets. Não sabem os meus chefes que eu acho esse assunto de redes, e ferraria, e bits e protocolos super divertido (além de super engenheiro também), apesar de ser super n00b nisso (mas estou tentando, vá-la, logo estarei sabendo da coisa direitinho).

Assim, o meu carnaval está sendo regado a programação e aprendizado =) (o carnaval aqui é super estranho: como é frio, não tem muita gente nas ruas e eu nem mesmo to sabendo de qualquer aglomeração/festa/coisa do tipo aqui nas redondezas (na cidade). Sei que teve, só, alguma coisa -- uma festa a fantasia, certamente -- no sábado, quando peguei um ônibus "lotado" (cheinho, para os padrões de Porto Alegre) na volta do supermercado, mas não creio que tenha feito grandes alardes "na comunidade")

Eras isso...

R$

11 de fev. de 2012

Em Kaiserslautern #2 -- vivendo sem mofo ou insetos

Uma das primeiras coisas que eu notei ao chegar aqui foi a completa ausência de insetos. Ainda no Brasil, sofria bastante com os mosquitos. Em tempos de muito calor, eles invadem as casas e se tornam inimigos número um do sono do ser humano. Sem um repelente ou um veneno, dormir em sua presença se torna uma tarefa árdua, quase (e talvez até totalmente) incumprível.

Quando cheguei aqui, nos primeiros dias, frequentemente tinha aquela sensação agoniante de que algum desses ávidos malfeitores rodeava o meu ouvido. É claro, era só a sensação: em poucos segundos a minha razão entrava em ação e me lembrava da sua completa ausência. Se o motivo da ausência são as temperaturas abaixo de zero (o que não faria tanto sentido, levando em consideração o fato de que dentro dos ambientes fechados a temperatura beira aos 20°C) ou se eles realmente não existem por essas bandas do mundo, não sei dizer com certeza. Sei, porém, que não sinto falta de nenhum deles.

Os mosquitos não são os únicos seres dos quais não sentirei falta tão cedo. As moscas, que eu gosto de chamar de "o único ser que Deus errou em fazer" (é claro, o que não significa que eu concorde plenamente com isso v_v) e que estão ausentes desde a minha saída do Brasil, também me eram muito mal quistas. Se os mosquitos atrapalhavam o sono à noite, as moscas estorvavam muito mais durante o dia, passando por perto dos ouvidos fazendo barulhos irritantes e pousando por cima da comida, sendo espantadas e logo voltando ao ponto de onde haviam acabado de sair.

Uma coisa boa nesse oásis livre de insetos é o fato de que posso deixar coisas relativamente abertas na cozinha. Como não passam insetos por aqui ultimamente, sei que nenhuma formiga virá me roubar o açúcar aberto, por exemplo. Também sei que nenhuma barata virá visitar as minhas panelas ou os meus armários, e não tenho problemas em deixá-los abertos.

Como o ambiente é bastante seco aqui -- especialmente por causa da calefação, creio eu, que, além de esquentar, seca bastante o ar (o que me faz, diga-se de passagem, frequentemente acordar com bastante sede) --, também parece que não se formam muitos fungos em lugar algum. Desde que cheguei, venho amontoando o meu lixo em um saco, grande, no qual imaginei que, em virtude da grande quantidade de comida e tudo o mais, criar-se-ía uma significativa quantidade de mofo. Que nada: até agora nada. E isso que já fazem quase 10 dias desde o primeiro momento em Kaiserslautern.

Espero que as coisas continuem assim: insetos e mofos são problemas contra os quais eu não teria paciência alguma de lutar T_T

Era isso...

R$

7 de fev. de 2012

Em Kaiserslautern #1 -- comida, pessoas

Esse é um post sem imagens. Só texto. Tomara que o leitor não se incomode =)

Nos primeiros dias, estávamos perdidos. Na noite de sexta-feira, nem comida tínhamos ainda, e a nossa primeira refeição foi no Mensa: batata frita, uma carne de porco num espetinho de madeira com um molho meio picantezinho (não sei do que era), alfaces (a melhor parte! -- nunca pensei que diria isso) e uma sopa de vegetais.

Segunda-feira, ontem, comemos no Mensa novamente, e eu cria que a alimentação seria diferente. Duas coisas, porém, permaneceram as mesmas: as batatas fritas e a sopa de vegetais. Dessa vez, a sopa estava menos salgada (aaa... aliás: nenhuma água ou qualquer líquido durante a refeição, a menos que seja comprado), e a carne, em vez de porco, era um bife à milanesa, macio como eu nunca tinha comido antes. Em vez de alface, tivemos cenoura com um molho branco, para a minha tristeza: cenoura está longe de ser um dos meus pratos preferidos.

De acordo com uma guria que trabalha no ISGS -- o departamento que ajuda os intercambistas a se instalarem aqui --, tem batata frita quase sempre no Mensa. Se eu estivesse comendo também frequentemente o meu amado feijão com arroz eu admito que não seria um pesadelo. Mas tenho a impressão de que como lanche todo dia. O que tem salvo ultimamente têm sido as jantas, regadas as massas. Aliás, ontem fui a um mercado -- que a mesma guria do ISGS nos sugeriu -- onde em teoria a comida é mais barata. Encontrei arroz! Um de saquinho, que dá pra fazer de um jeito que é sugerido no rótulo (todo em alemão, é claro). Comprei uma massa, e assim que eu conseguir uma panela maior eu vou tentar fazer arroz com massa (+ um molho que eu comprei aqui também e não sei direito comofas pra usar ainda).

Finalmente, sobre as pessoas, deixo aqui a minha primeira impressão: os alemães parecem pessoas sérias, não tão cordiais.  Falam baixo (um colega frequentemente comenta que quando estamos em grupo só ouvimos as nossas vozes e não as dos outros por quem passamos), dizem as coisas diretamente e frequentemente não estão dispostos a tentar nos entender quando demonstramos não falar alemão decentemente (especialmente as pessoas das lojas D=). Não mostram os dentes (ou seja, não sorriem), e parece que esperam que façamos o mesmo. A menos que saibam que tratarão diretamente com uma pessoa durante bastante tempo, não demonstram nem esperam cordialidade. No popular: são frios, distantes (e é exatamente o que me diziam as pessoas ainda no Brasil).

Se essa é ainda a minha primeira impressão, então supõe o leitor que ela possa mudar, e, se o faz, o faz corretamente. Minhas opiniões em geral mudam frequentemente e eu não acho que isso seja algo ruim.

Era isso \o/

R$

6 de fev. de 2012

Uma chegada conturbada

Vista do quarto, a partir da porta
Já no fim -- bem bem no fim mesmo -- do terceiro dia desde a minha chegada, finalmente escrevo aqui alguma coisa sobre como têm sido os primeiros dias nessa terra distante chamada Alemanha.

Tendo pego o vôo em Porto Alegre, sentei-me ao lado de um dos colegas entre os quais viemos. Com ele, passei a conversar somente nos últimos 30 minutos do vôo até São Paulo, o qual durou algo em torno de 1h40. Em São Paulo descemos -- estava chovendo --, comemos alguma coisa e fomos para a "sala de embarque" (ou como quiser o leitor chamar aquele espaço entre o saguão e o avião). Como o embarque era internacional, tivemos de esperar numa fila até podermos finalmente mostrar os passaportes.

Ao chegar na tal sala de embarque, um grande grupo de passageiros se amontoava próximo ao portão através do qual deveríamos passar. Foi o nosso primeiro contato com "pessoas alemãs". Uma quantidade bastante exagerada de senhores falando numa língua "desconhecida" se colocava como obstáculo entre nós e o portão de embarque.

Entramos no avião! Ufa! Agora é só esperar a janta, ir ao banheiro, e dormir até a manhã do dia anterior. Antes eu conseguisse! A poltrona pouco reclinável com um relevo para a frente na altura da cabeça me impediu de pegar no sono durante muito tempo. Logo acordei, além de desconfortável, com o estômago doendo. Esperei uma hora, duas horas, três, ..., nem sei direito quanto tempo fiquei acordado, olhando para os lados ou assistindo a algum filme no computadorzinho disposto à minha frente, até que finalmente chegamos à Europa -- no sul de Portugal -- e, mais tarde, enquanto acima da Bahia de Biscaia, veio o tão esperado "café da manhã", que já estava mais para almoço.

A partir de depois do almoço, uma senhora que estava ao meu lado no vôo (ela e o marido tinham ido visitar a América do Sul -- pff... como se fosse possível olhar tudo numa mísera viagem v_v) começou a puxar alguma conversa, sempre em inglês. Como não pude resistir à curiosidade, dei trela. Ela e o marido (que estava ao seu lado, na janela) eram Dinamarqueses. Ela ensinava alemão, e ele era aposentado: havia trabalhado durante 44 anos na Lego (a famosa empresa dinamarquesa), que surgiu em sua cidade, Billund. Me convidaram, inclusive, a visitar a Legolândia, também em Billund (apesar de ter "remakes" em mais três ou quatro lugares do mundo), e me deixaram o seu e-mail, para que fizesse contato.

Chegando ao aeroporto, tivemos de mostrar passaporte novamente. Achei engraçado, porém: ninguém me perguntou o que eu vinha fazer no país, ou me cobrou visto, ou qualquer coisa do gênero. Tanto faz, também: o importante é que cheguei \o/. Ao pegar as malas, um susto! Uma mala de um dos colegas simplesmente não havia aparecido nas esteiras. Demorou uns 50min, mas finalmente resolveram o problema: a mala havia sido posta em meio a malas de outro vôo, pelo que entendi.

Quando saímos do espaço de desembarque, bateu o frio. Todo mundo se agasalhou. Não devidamente, mesmo assim: acho que ninguém estava muito com noção de o quão frio estava na hora. Por sorte, um dos colegas entendia bem alemão e sempre ía na frente, perguntando, conversando, abrindo caminho. Não foi difícil, através dele, comprar a passagem para Kaiserslautern. Difícil mesmo foi carregar aqueles montes de malas pra cima e pra baixo (literalmente: as estações têm bastantes escadas ) o tempo todo.

Na chegada em Kaiserslautern estava fazendo -7,5ºC. Frio suficiente pra me fazer não sentir direito as mãos. E como não tinha toca, a coisa estava bem problemática. Depois de uns 25min de espera, finalmente chegou o cara (não consegui gravar seu nome) para nos pegar na estação. Ao sair, o primeiro contato com a "neve". Sério, até agora estou com problemas com a definição de neve: se é neve aquilo que cai, é também neve aquela que se forma, durante as madrugadas, no chão e nos vidros dos carros? Por agora, isso não importava: o que importava era que chegássemos a um lugar quente e pudéssemos finalmente largar as malas.

Chegamos! E depois de alguma espera -- o cara fez 3 viagens para poder trazer a todos -- tivemos uma pequena conversa com o cara. Ele nos disse algumas coisas que deveríamos saber e, como não comíamos desde o café da manhã do vôo, finalmente comemos (pão com nutella ou margarina, presunto e queijo -- acho que era isso, ao menos -- e leite com Schokodrink, um achocolatado em pó que achou-se aqui).


Bom... não tem muito o que contar a partir daí. No dia posterior fomos ao ISGS -- andamos de ônibus sem pagar --, como tínhamos sido orientados e lá fizemos uma série pequenas coisas, como ganhar um login na universidade, fazer um cartão pra o Mensa (o RU daqui), etc. Depois fomos à empresa de ônibus pra pegar um tal de Month Ticket, que nos custou 38 euros e nos permite andar pela cidade o quanto quisermos durante um mês.

Tirei, nesse primeiro dia, também, umas fotos do meu quarto, para mostrar ao leitor. Ele estava bagunçado, sacumé, né? Utilizando a implementação de um algoritmo que foi alvo de um estudo para o trabalho final de uma cadeira de fotografia que fiz no semestre passado, fiz a seguinte montagem (imagino que se o leitor clicar, conseguirá ver melhor), que mostra a vista do meu quarto a partir da minha cama:

Vista do quarto, a partir da cama

Uma outra montagem, já vista pelo leitor no início da postagem, também utilizando o mesmo algoritmo, mostra a vista a partir da porta do quarto. A terceira montagem mostra a vista da janela:

Vista do terceiro antes (último) da janela
Ao chegar, não tínhamos uma série de coisas: edredon, xícaras, pratos, talheres, adaptadores pra tomada (os meus simplesmente não serviram pras tomadas alemãs), etc, etc, etc.. Muitas das coisas que temos agora foram nos dadas pelos brasileiros que cá estavam antes de nós e por brasileiros que devem logo ir embora. Claro, tivemos de comprar coisas, mas não me foi necessário comprar talheres (eu só comprei uma faca e uma colher, porque ainda não tinha recebido as coisas de todo mundo), xícaras, pratos, copos, uma TV (sim, eu ganhei uma TV \o/), uma toca, etc. Dois colegas têm, agora, microondas, e temos um aspirador de pó, que deve ser usado comunitariamente.

Assim, apesar de ainda não estarmos instalados totalmente -- temos uma série de coisas a arrumar ainda --, estamos bem bem. Já comemos uma vez no Mensa, já podemos andar por aí de bus, já sabemos mexer na calefação e já nos acostumamos com o frio (e acho que finalmente ninguém mais se perde nesse alojamento -- sério, andar por aqui não é difícil, mas por algum motivo o pessoal andou se perdendo affuuu nos primeiros dias ).

Logo escrevo mais sobre as minhas experiências na Europa -- e especialmente na Alemanha.

Tchuss!

R$

31 de jan. de 2012

Sobre a língua portuguesa

Essa é uma postagem pequena. Nem vai ter imagem. Só vai ter um comentário curto sobre a minha amada língua: a portuguesa.

Estou lendo Memórias Póstumas de Brás Cubas. É um livro incrível! Como não o tinha digerido antes? Como não tinha me maravilhado pela narrativa agradável e encantadora desse escritor tão conhecido por seus textos de altíssima qualidade?

Mesmo ainda estando longe do fim (se bem que o livro é curtinho, o que significa que alcançarei o fim logo), já constatei 3 palavras que me chamaram a atenção. A primeira é "intata" (intacta, atualmente). Quando foi que, no português brasileiro, que tão frequentemente aniquilou as consoantes mudas, a palavra "intata" recebeu um "c"? A palavra me chamou tanto a atenção que quase parei para sublinhá-la. Estando num ônibus, porém, não me foi possível fazê-lo.

Uma segunda palavra também se apoderou de um pedaço importante da minha mente, e dela não quer sair: "minuete". O significado, óbvio dentro do contexto, talvez não seja tão simples quando fora dele; troca-se uma letra, porém, e a magia se torna notável: o leitor não teria dificuldade de perceber o significado da palavra "minueto", teria? Fiquei me perguntando: teria o Machado de Assis traduzido livremente a palavra (tentando dar-lhe um tom aportuguesado) ou seria essa variação a normalmente utilizada naquela época? A resposta não é importante; importante é simplesmente o fato de que a sua sonoridade me agrada.

A terceira palavra, porém, foi a grande motivação da criação dessa postagem. Li "garção" (um jovem rapaz) em seu livro, e foi imediata a constatação de que a tradução seria a mesma de garçom, no francês. Novamente, a dúvida me vêm: seria uma tradução livre? Se era, já não sei -- e talvez nunca chegue a descobrir --, mas é verdade que creio que naquela época o português era mais livre, e mesmo assim mais pomposo, mais belo. Não utilizava deliberadamente palavras de outras línguas, mas traduzindo-as, aportuguesando-as, somava à língua, em vez de dela se desfazer.

Por fim, ressalto que um amigo me comentou que, no livro Dom Casmurro, o mesmo autor (como se algum leitor precisasse que lhe dissesse isso), Machado de Assis, usa "os japões", em vez de "os japoneses". Se era assim que se dizia na época, não sei. Aliás, será que se dizia na época? Afinal, quem é que precisava saber dos japões, num tempo em que a informação corria com a velocidade de uma carroça? Assim, mais uma vez, meio que defendo: possivelmente essa tenha sido a forma como o autor resolveu traduzir.

Era isso... (uma última coisa tenho a dizer: não sei se o leitor agradou-se da postagem. Sei, porém, que eu me agradei. O tom rebuscado da minha escrita -- que nem me parece minha -- aí está em virtude do livro que tenho lido. Adoro esse modo de escrever)

R$

10 de jan. de 2012

Desânimo

(Procurei por "ânimo" no Google Imagens e me apareceu um monte de figuras em espanhol O.o)

Espero ter entendido certo (essa frase parece siamesa) (caso alguém não entenda): "Se houvesse mais gente como vós os jornais se veriam em figuras a tratar de baixar o ânimo de cada um".



Ultimamente tenho percebido que ando meio desanimado.

Desanimado não naquele sentido que todo mundo tá acostumado a pensar. Não estou "triste", achando que a vida não valha a pena ou querendo morrer. Estou só desanimado, de acordo com o que a palavra realmente tenta significar: sem ânimo.

Frequentemente, eu planejo coisas. Tento predizer exatamente quantas coisas úteis vou fazer em cada momento da minha vida. Desde que assisti a aquela palestra sobre "Os poderes secretos do tempo" (a qual vai aí embaixo), passei a refletir sobre o quanto sou definitivamente orientado ao futuro. O problema é que ultimamente eu não tenho tido saco pra fazer as coisas que eu defino que farei.



Tem sido frequentemente assim: "amanhã, eu tenho que mandar tal e-mail, e ir a tal lugar, e ler tal texto e assistir a tais videos no youtube [é que eu to com um monte de abas abertas com palestras no youtube que eu gostaria de ver]". O resultado tem sido próximo de "passo o dia na frente da TV... aí vou pra frente do computador e fico 3h lendo posts no Facebook, comentando em posts no 9gag e vendo outros videos totalmente de bobagem no youtube".

Não tenho tido saco pra fazer nada! Só pra ter uma idéia, queria aprender sobre o Vim nessas férias, por exemplo. Nem comecei. Queria ter lido o Guia do Mochileiro das Galáxias 4 nas férias. Nem olhei pra o livro. Queria ter dado uma brincada com a Löve do Lua. Nem baixei ela ainda. Queria ir mais à igreja, até. E a ela tenho ido só pelo compromisso D=


Eu sento na frente do computador pra fazer a coisa e não consigo ter vontade de fazê-la. Até para escrever aqui tem sido um sacrifício.

Para hoje, resolvi fazer uma lista das coisas que tenho que fazer. Essa (escrever no blog) é somente a primeira delas que estou realizando. E já são 16h15 da tarde

Enfim... enfim... tenho andado desanimado. Sinceramente: essa é EXATAMENTE a mesma sensação que tenho quando estou chegando ao fim de um semestre cansativo. Acho que logo deve passar. Espero, ao menos, já que nem Megaman eu tenho tido saco pra jogar.

R$

6 de jan. de 2012

Alemanha [2]

Na falta de uma imagem decente, fiz a minha própria com o GoogleMaps. Aí é onde vou morar =)    
No início de 2011, não tendo conseguido ser selecionado para um programa de intercâmbio entre o Instituto de Informática da UFRGS e a TU Berlim, escrevi uma postagem, comentando sobre o meu conformismo e sobre como tinha planejado e me programado bem antes, esperando o sucesso, mas entendendo que o fracasso seria possível.

Naquele momento, sim, eu fracassei. Os professores, apesar de minhas notas, me colocaram numa posição bem ruim, o que logo concluí que tivesse sido culpa da minha entrevista.

Como já estudava alemão há 4 semestres (e estava começando o quinto semestre), em agosto de 2011 me inscrevi para o processo seletivo de um outro convênio de intercâmbio, firmado, desta vez, entre o Instituto de Informática da UFRGS e as universidades de Kaiserslautern, Stuttgart e Tübingen. Como o número de selecionados no ano anterior tinha sido bastante expressivo (14, dentre os quais 10 foram para Kaiserslautern, a cidade para a qual eu adoraria ir), achei que as minhas chances seriam bastante grandes.

Para a elaboração da carta de apresentação, dessa vez, achei que seria significativamente interessante pedir ajuda para alguém que retiraria os meus horríveis erros de gramática (aqueles mais sutis, que os falantes não nativos demoram mais pra aprender). Por isso, pedi ajuda à minha ex-professora de inglês, Luciana, que fez várias sugestões e deixou a carta bastante "polida".

Resultado: até onde sei, fui o único dos candidatos a ser chamado para uma entrevista pelo seu laboratório. A entrevista foi pelo Skype, totalmente em português. Os entrevistadores eram brasileiros, o que me deu bastante liberdade pra falar o que eu pensasse e demonstrar "quem eu sou" bem (se bem que eu acho que virtualmente a gente sempre demonstra ser bem mais legal do que realmente é).

Por fim, fiquei sabendo do resultado mais ou menos 10 dias antes de todos. Mesmo assim, não fiz "alardes": falei somente aos amigos mais "chegados" nesses primeiros dias, já que tinha medo de sair falando e, de repente, na hora de sair o resultado oficial, o meu nome não aparecer na lista. Felizmente, deu tudo certo: fui selecionado \o/

O que isso significa? No dia 1º de fevereiro de 2012 eu pegarei o vôo para Frankfurt. De lá, pegarei o trem para a Kaiserslautern Hauptbahnhof (a estação de trem de Kaiserslautern) e, de lá, para as minhas novas acomodações na Alemanha, onde deverei permanecer até o fim do mundo (na verdade, até fevereiro do outro ano, mas como o fim do mundo ocorre antes, então não tenho por que me preocupar v_v).

Deverei participar de algum projeto de pesquisa no Laboratório de Sistemas de Tempo Real. O que isso significa? Em termos burocráticos: estudo; em termos populares: trabalho; pra mim: diversão!

Infelizmente, estou tendo uma grande quantidade de gastos por causa da viagem (nenhum incentivo nos é dado pela UFRGS ou qualquer outro órgão) e acomodações e tudo mais. Terei de comprar roupas lá (lembre-se, caro leitor, que chegarei no inverno) -- o povo daqui que já morou lá me sugeriu que comprasse as roupas lá -- e só receberei algum salário (viu como é trabalho? Tem até salário!) a partir do fim do primeiro mês.

Na soma de tudo: estou muito feliz. Essa será uma experiência incrível. Finalmente, serei "adulto", pela primeira vez. Terei de lavar/secar/passar minhas roupas, terei de comprar e preparar minha comida (aliás, um dos meus objetivos era aprender a cozinhar no mínimo algo mais sofisticado do que uma massa, batata, arroz ou um bife), terei minha própria casa (um quarto, com banheiro e uma mini-cozinha), sem ninguém pra me dizer que o chão está sujo, a cama desarrumada ou que a resistência do chuveiro queimou. Serei, enfim, adulto, com responsabilidades, trabalho, nariz próprio. Decidirei quando entrar e quando sair de casa, ou mesmo se vou pra outro lugar. E não terei ninguém para avisar que chegarei mais tarde, ou que já estou em casa desde cedo.

Enfim... será uma experiência muito diferente, muito importante para o meu desenvolvimento como adulto, em minha opinião. Estou ansioso...

Era isso =)

R$

1 de jan. de 2012

Reativando

O leitor assíduo -- claramente incomum -- deve ter percebido que esse blog passou os últimos 3 meses de molho. Não cheguei a declarar que isso aconteceria. Não dei satisfações. Não escrevi um post explicando os motivos do sumiço e nem avisando uma temporária desativação. Simplesmente, fiz o que era necessário: parei de escrever.

Esse último semestre foi bem cansativo. Com 7 cadeiras (aliás, que me renderam talvez as melhores notas desde o meu primeiro semestre \o/), uma bolsa de IC e alguns compromissos extra-curriculares (sobre os quais não estou a fim de comentar), passei um bom tanto do semestre correndo dum trabalho para o outro. Era sempre a mesma rotina: ao entregar um trabalho, já passava a ter de me concentrar em um outro.

Finalmente, as férias vieram. Com elas, várias notícias, sobre as quais certamente falarei nas próximas postagens. O importante agora, por essa postagem, é simplesmente afirmar o seguinte: o ano de 2012 será um ano significativamente movimentado nesse blog.


Ao leitor: Feliz 2012! (deixo no video uma daquelas músicas que ficam na cabeça da gente nessa época do ano)

R$

10 de set. de 2011

Poluição

Já estou há tempos querendo escrever sobre isso, mas sempre que venho pra o computador dá uma preguiça D= Pois bem, hoje tomei jeito.

Motor Ecológico?
Desde que comecei a pegar ônibus pra ir pra o vale, de tempos em tempos, eu sinto algumas dores de cabeça. No início supus um motivo bem esquisito: como das primeiras vezes elas vieram bem quando eu sentava naqueles bancos do ônibus que são virados pra o lado contrário (aí tu fica andando sempre como estivesse dando ré), eu achava que era só a falta de costume de sentar naqueles bancos, motivo pelo qual passei a evitá-los.

Num segundo momento, percebi que não era bem assim: mesmo pegando bancos normais, havia momentos em que eu sentia dores fortes de cabeça. Minha segunda suposição (foi bem numa época em que eu comecei a tomar bastante isso): café. Pensei que eu poderia talvez estar tomando café demais, baseado justamente no comportamento do meu irmão, que durante um tempo associou ao café suas fortes dores de cabeça.

Com o tempo, fui percebendo que talvez o motivo fosse outro. Lembro que cheguei a dizer que talvez o cheiro do ônibus fosse tal que me desse dor de cabeça (ora... tanto eu quanto um colega concordamos que cheiro de carro novo nos dá dor de cabeça -- por mais estranho que talvez isso possa aparentar ao leitor).

Ultimamente, porém, tenho concluído que essas dores, que vêm e vão, às vezes presentes frequentemente durante um certo intervalo de tempo, e às vezes ausentes, têm sido causadas por um fator muito mais óbvio: a poluição. Nas últimas semanas, andei sentindo dores enquanto no caminho da rodoviária até o terminal dos Guaíba, especificamente (tá... na real... é engraçado... são só umas latejadas... e elas parece que acontecem sempre que eu inspiro u.u). Por ali passam MUITOS carros e ônibus, o tempo todo.

Além da poluição dos carros, o pessoal aqui em Porto fuma desenfreadamente. O cheiro de cigarro já é parte característica e essencial do centro da cidade. Os prédios são sujos (ninguém nunca limpa o exterior da parte "alta" de suas paredes) e pinchados (é assim que escreve isso?). Eu fiquei me perguntando: o centro das outras capitais é assim também? Isso é seguro? Não tem gente que morre por causa dessa sujeira toda?

De qualquer forma.......... Porto Alegre é o centro do Universo, o qual gira em torno do Rio Grande do Sul. Assim, apesar de talvez poluída demais, aqui certamente é melhor u.u Se não é melhor, ao menos é sempre mais perto v_v'

Era isso...

R$

Interação Humano-Computador

Entre as cadeiras que estou fazendo esse semestre, sem dúvida aquela que tem as aulas mais massantes e "trabalhos" mais desagradáveis tem sido Interação Homem-Computador (ou Interação Humano-Computador, ou, simplesmente, IHC).

Enquanto ela é ministrada geralmente por um professor da Computação Gráfica (o que, pra mim, de certa forma, me causa uma boa imagem imediata), ela tem estado no mesmo nível da Engenharia de Software do semestre passado.


Esses dias tive de fazer uma apresentação em IHC e, para ter uma noção da matéria -- não consigo prestar atenção na aula -- comecei a ler os capítulos que o professor deixa na ferramente de EAD que nós usamos (o moodle). Tenho de concordar que, apesar de não ser muito bom em apresentar a matéria, o professor é bem dedicado, deixando bastante material para nossos estudos.

Eu li boa parte dos capítulos e até que gostei no início. A matéria é bem "humana" e tenta meio que modelar (ou usar os modelos já criados em outras áreas) o modo como funciona a nossa cognição (tomara que eu esteja falando direitinho). Mas a matéria é pesada e bem chata (convenhamos: eu não estou interessado em como se faz interfaces bonitas!) e depois de um tempo eu já não aguentava mais D=

Enfim enfim... só queria falar um pouco sobre como eu tenho achado a cadeira de IHC. Sem dúvida, uma das piores cadeiras do meu curso. Acho que não sou o único com essa opinião.

R$

31 de ago. de 2011

"X"

[esta postagem tem relativamente forte influência religiosa. Se você tem problemas com isso, pode simplesmente ignorá-lo -- bem como, na realidade, qualquer outra postagem do blog, já que ninguém é obrigado a ler u.u]

De todas as coisas que eu faço, talvez haja pouquíssimas (MUITO pouquíssimas) que me agradem tanto quanto ou mais do que ser (como um ato) um estudante de Ciência da Computação de uma universidade reconhecida no país e agir como um entusiasta dessa área do conhecimento que definitivamente é a área para a qual eu quero devotar o resto da minha vida. Pouquíssimas! Mesmo assim, acho que para qualquer um que conviva um mínimo comigo não seja difícil chutar a que coisa eu poderia me referir com tamanho prazer (a ponto de comparar com a computação). De qualquer forma, creio que errariam: possivelmente, chutariam "música"; certamente, a resposta é "cantar" (o importante é notar que não é a música que me agrada tanto, mas cantá-la -- se bem que, é claro, música também me agrada bastante, mas não a ponto de ficar acima ou se comparar à computação, e isso fica bem evidente pra mim quando eu reconheço que não me arrependo nem por um segundo em ter escolhido computação, em vez de música, no vestibular).

No domingo passado, dia 28 de agosto, um dos dois corais religiosos dos quais participo (que eu e mais alguns amigos chamamos rebeldiosamente de "Coral X", apesar de seu nome ser na verdade "Patmos" -- Patmos é uma ilha, e na verdade o motivo do nome do coral não faz muito sentido pra mim) foi cantar em Cidreira, no litoral, à noite. Por conta disso, o domingo inteiro foi à base de viagem de ônibus e coisas relacionadas ao coral e à igreja. Além disso, o sábado também teve boa parte dos seus momentos (quase todos) ocupado com coisas relacionadas à igreja e aos corais.

Na ocasião, um dos integrantes do coral, bastante entendido dessas coisas de filmagens e fotografia, levou a sua câmera e, com os microfones do regente do coral, gravou o nosso audio, enquanto cantávamos. Queríamos gravar, principalmente, para que pudéssemos verificar nossos erros durante a apresentação, mas também para que pudéssemos mostrar o nosso "trabalho" (falando assim até parece que a gente sofre pra fazer isso u.u) para outras pessoas que conhecemos. O resultado é que ficou bem legal (na minha "omilde" opinião), e eu posto o video da música "Jesus, Amigo Fiel" a seguir, para que o leitor assista:



Cantamos 8 músicas, se não me engano, ao todo. Infelizmente, uma ou duas não foram postadas no Youtube. De qualquer foram, estão no Youtube as seguintes: Servo do Senhor, Nada Melhor, Bendita Segurança, Meu Novo Lar, Saudade.

Bom... o que posso dizer? Eu, como participante do coral, fiquei SATISFEITÍSSIMO com como ficou. Apesar de alguns pequenos focos de desafinação aparente em quase todos os videos, o todo ficou bem legal.

Ao mesmo tempo, admito que fico meio que "mordidinho" com os gritos de "Glória a Deus" e "Aleluia" que as pessoas emitem no meio das músicas (inclusive integrantes do coral). Mesmo assim, não posso reclamar: isso faz parte da cultura da igreja da qual faço parte, feliz (porque por um lado é, pra mim, até, bonito esse tipo de "declaração") e infelizmente (porque por outro pessoas que não participam do meio podem achar o ambiente muito esquisitão u.u).

Enfim enfim... eu ADOREI os videos (mas, claro, sou suspeito pra falar). Achei ótimos... muito divertido \o/. Se o leitor tiver gostado, ou não, comente, é de grátis (bem como o evangelho) u.u //sacas

R$

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Depois do culto a gente ganhou um lanche que tava tri bom. Entre os bolos, tinha um que era branco com umas "manchas" pretas de nega-maluca no meio. Uma das gurias mais "escuras" do coral comentou que o bolo tava com aquelas cores pra simbolizar a misturança que são as cores das pessoas participantes do coral. Eu ri u.u  [/politicamente incorreto]

24 de ago. de 2011

Makefiles, Autotools, bolsa de iniciação científica, MClone, etc...

(Esse post é praticamente uma continuação do post "Documentando")

Como o leitor que leu o post anterior já deve saber, eu estou tri feliz por estar documentando o MClone. Já expliquei várias coisas, tendo criado alguns arquivos de documentação conforme ía preparando o programa para compilar no computador que uso lá no laboratório.

Hoje tive uma reunião com meu professor, na qual comentei com ele sobre o que andava fazendo. Meu próximo passo seria fazer o Makefile para que semana que vem a gente visse se ele conseguiria compilar o programa no Mac dele. Por causa disso, fui ler sobre Makefiles. Procurei por alguns tutoriais na internet, mas, pelo visto, com esses arquivinhos, ou é oito ou é oitenta: os tutoriais eram muito básicos, mas a documentação do GNU make é grande demais, e eu a evitaria o quanto pudesse. Infelizmente, definitivamente, não achei lugar melhor. Desisti e fui pra documentação. Ela é enorme, e já perdi umas boas horas lendo-a. Aprendi UM MONTE, e pra falar a verdade não posso dizer que me arrependo: nela encontrei vários macetes interessantes.

A minha primeira idéia era fazer uma Makefiles bonito, que funcionasse e que fosse elegante. Resolvi que o farei, pelo aprendizado, mas não deixarei ele lá por muito tempo. Se o tempo permitir, quero ver se leio sobre outra coisa que já adiava há tempos ler: Autotools. Desde uns dois anos atrás pra cá tenho o link de um tal de Autotools: a practitioner's guide to Autoconf, Automake and Libtool que uma vez eu achei na internet procurando pelo motivo de haver uns tais de Makefile.in e Makefile.am (se não me engano era isso) num projeto que eu estava tentando compilar. Agora tenho desculpa pra ler! E uma ótima desculpa, já que tenho me sentido com a maior satisfação do mundo mantendo ativamente um projeto no googlecode (infelizmente, não é um projeto que tenha muita chance de se tornar popular D=).

Para melhorar a minha vida, aliás, tenho deixado todo o código numa pasta do Dropbox, através da qual consigo mexer no código do programa de qualquer lugar. Agora mesmo, ao chegar em casa, lembrei que tinha algo que eu deveria ter feito antes de sair de lá dos labs. Abri o arquivo pela pasta do Dropbox, fiz as modificações que queria, e commitei no svn. Funcionou lindamente \o/ (eu tava com medo de o svn reclamar, por qualquer motivo, mas não aconteceu).

Ao término desse semestre, enfim, acho que vou estar fodão com Makefiles e Autotools =D. Tomara: esse é o tipo de coisa que eu acho muito tri e útil. Só falta eu aprender a usar decentemente um shellzinho u.u

Era isso...

R$

21 de ago. de 2011

Novo Design

Essa postagem deve ser curta...

Desde o início do blog, tenho usado o mesmo design, azul com laranja, e tudo mais. Como meu irmão me sugeriu, aquele design era "antigo" e pessoas desatentas que conhecessem um pouquinho do blogger como meu irmão (na real, eu acho que meu irmão conhece até demais isso) poderiam ter a impressão de que o blog não é atualizado há algum tempo (apesar de, como argumentei pra mim mesmo, as datas aparecem cintilantes próximo ao título de cada postagem).

Por fim, como estava com preguiça de ler o que eu tenho pra ler (hey, hey, isso me lembra o seguinte video, em seus primeiros 25segundos:



), resolvi dar uma mexida aqui ou ali no leiaute do blog e, acho, ficou bem melhor do que antes, além de "atualizado". Além disso, finalmente consegui fazer o "Rabanetes Cebolas" do título do blog ficar bonitinho, aos meus olhos, é claro.

Por fim... era isso... só pra avisar do novo design, caso o leitor tenha sido capaz de não notar u.u

R$

20 de ago. de 2011

Documentando

Estou muito satisfeito com a bolsa de iniciação científica, a qual começou oficialmente este mês.

O meu objetivo, durante meu trabalho lá, será implementar a paralelização do código do MClone, a.k.a, a implementação do trabalho de doutorado do meu professor. Quando peguei o código pela primeira vez, ele estava uma bagunça (ainda está). Desde o seu desenvolvimento inicial, em torno do ano de 1999, um bom número de pessoas, para diferentes fins, modificou o código do MClone. Como elas gostariam dos créditos de sua modificação, causaram um monte de poluição incluindo comentários do tipo "modificado por 'insira_nome_aqui' em 'insira_data_aqui'". Além disso, como não tinham o objetivo de manter o código usável para outrem num futuro distante, não parecem ter se preocupado muito com a legibilidade, mantendo comentadas (das mais variadas formas possíveis) as partes "obsoletas".

Em um certo momento, no início do ano, quando eu comecei a entrar em contato (contato muito frágil, digamos assim) com o programa, percebemos a bagunça. Algumas partes estão muito bonitas, com código limpinho e bem documentado. Outras partes estão complicadas, cheias de comentários aleatórios de código antigo e estruturas de dados com nomes nem um pouco convencionais (e.g., tem uma lista encadeada com o nome de Array). No meio do semestre passado, pegamos cada arquivo e demos uma olhada em o que cada coisa faz. Decidimos que faríamos uma série de classes e reestruturaríamos tudo. Apesar de eu participar dessas reuniões, muito pouco mexi no código até agora: quem mais arrumou (e fez um ótimo trabalho, reestruturando em pastas as classes -- antes, como o código era majoritariamente em C, quase nem víamos classes; agora, as coisas já estão encaminhando, creio --, sempre versionando através do projeto do MClone que a gente criou no GoogleCode) tudo foi o mestrando que trabalhava comigo.

Agora, no início do semestre, voltei a mexer no código. Como precisava conseguir compilar o programa no Ubuntu que eu instalei numa máquina lá da Computação Gráfica, e como pretendia utilizar o Eclipse, e como ao programa faltava um Makefile (acho que ele se perdeu no meio das reestruturações), resolvi documentar tudo, desde o que se deve fazer para compilar utilizando o Eclipse até como é que se faz para instalar as bibliotecas necessárias ao programa. Foi isso que fiz durante quase o dia inteiro de quarta-feira, e isso que pretendo terminar de fazer na segunda-feira.

Documentando o código, percebi algo interessantíssimo: eu ADORO documentar. Adoro escrever explicações sobre de que forma é possível fazer algo que não seria óbvio para qualquer um.

Lendo A Catedral e o Bazar, do Eric Raymond, esses dias, eu me deparei com a seguinte frase (negrito feito por mim):

Many people (especially those who politically distrust free markets) would expect a culture of self-directed egoists to be fragmented, territorial, wasteful, secretive, and hostile. But this expectation is clearly falsified by (to give just one example) the stunning variety, quality, and depth of Linux documentation. It is a hallowed given that programmers hate documenting; how is it, then, that Linux hackers generate so much documentation? Evidently Linux’s free market in egoboo works better to produce virtuous, other-directed behavior than the massively funded documentation shops of commercial software producers.

Eu não sou lá um programador grande coisa... então acho que posso ser bom em documentar (e gostar disso), mesmo, né?

Finalmente, meu professor estava reclamando sobre o fato de que o porte que uma das pessoas que mexia no código antigamente fez para Mac não funciona no computador dele. Sinceramente, acho que após as minhas pequenas arrumações há uma relativa chance de que o programa passe a funcionar no computador dele também - o que seria algo bem legal, né?

Era isso, enfim... o todo foi mais para explicar que eu percebi que gosto de fazer documentação u.u

R$

11 de ago. de 2011

Academia

FINALMENTE comecei "academia".

Como falarei em um post futuro, musculação e treino, e seus respectivos derivados são palavras que me incomodam um pouco, e que eu frequentemente evito usar. Mesmo assim, acho que é bom tentar terminar com esse problema (tentemos):

FINALMENTE comecei musculação.

Lendo o "How to Become a Hacker", do Eric Raymond, me deparei com esse parágrafo, onde o Eric Raymond fala que trabalho repetitivo e desnecessário deve ser evitado a todo custo, e que sempre deve-se tentar automatizar aquilo que frequentemente fazemos e que não demanda esforço. "Levantar peso", de certa forma, sempre me pareceu algo desse gênero (eee, sinceramente, eu não sei o que fez com que eu realmente quisesse começar a fazê-lo nesses últimos tempos). De qualquer forma, após ler essas coisas, me deparei com o seguinte parágrafo:

"(There is one apparent exception to this. Hackers will sometimes do things that may seem repetitive or boring to an observer as a mind-clearing exercise, or in order to acquire a skill or have some particular kind of experience you can't have otherwise. But this is by choice — nobody who can think should ever be forced into a situation that bores them.)"

Traduzindo livremente:

(Há uma execção aparente a isso. Hackers às vezes farão coisas que podem parecer repetitivas ou tediosas para um observador como um exercício que limpe a mente, ou com o objetivo de adquirir uma nova capacidade ou ter algum tipo particular de experiência que você não poderia de outra forma ter. Mas isso é uma escolha ninguém que pode pensar deveria ser forçado a estar em uma situação que a tedie em momento algum.)

Lendo esse parágrafo, muitos leitores poderiam pensar "tá... mas qual capacidade tu quer adquirir?". Nenhuma: procuro tratar esse levantamento de peso um exercício de "limpeza de mente", um exercício durante o qual eu não precise pensar em nada, ou possa pensar em coisas quaisquer. Um exercício que não exija concentração maior do que a necessária pra contar até 10 (ou 15, às vezes u.u). Enfim... eu realmente acho a atividade completamente tediosa, mas tenho plena certeza de que ao menos durante um mês eu vou permanecer participando dela todos os dias em que me é permitido participar (até porque eu já paguei, e isso significa MUITO pra mim v_v').

Finalmente, esse começo de academia tem sido um tanto difícil: não aguento aquele ambiente, cheio de pessoas que parecem querer demonstrar que estão lá há muito mais tempo e que já são infinitamente melhores do que eu nesse aspecto; tenho sentido bastantes dores, principalmente nas pernas (hoje passei o dia andando o mesmo que se tivesse me cagado nas calças); e não suporto não poder usar calças jeans - to usando umas calças de moletom que me fazem me sentir como se estivesse de pijamas D= - para praticar exercícios físicos. Nenhum desses problemas, de qualquer forma, se apresentar como grandes obstáculos, e acho que logo estarei acostumado a essa coisa toda.

O objetivo dessa postagem, enfim, era somente compartilhar um pouco sobre essa experiência estranha dos meus últimos dias.

Era isso...

R$


9 de ago. de 2011

Sobre a língua e os preconceitos sociais associados a ela

Alguns anos atrás, quando eu ainda fazia parte de verdade (hoje em dia não me sinto mais parte daquele departamento, apesar de, efetivamente, fazer parte dele) do "departamento de Jovens" (não sei qual é o nome de verdade do departamento) da igreja, fui a um retiro de carnaval (para quem não sabe o que é, é a forma como muitas igrejas conseguem fazer com que seus jovens evitem sair a "pular carnaval". Lá, eles passam os dias da "festa da carne" fazendo nada - sempre tem tempo definido pra justamente fazer nada u.u - e coisas relativas à bíblia e ao mundo cristão) num "lugar" (não sei como chama, se é parque, sítio ou o que) chamado "La Toma". Lá, durante os momentos de fazer nada, e como um amigo tinha levado um tabuleiro de xadrez (com imas e tudo mais) para jogar no tempo livre, me convidei para jogar consigo. Esse amigo, por acaso, era o Diego, um surdo. Na hora em que comecei a jogar, sem me ligar no porquê (e nem imaginar que esse porquê poderia ser importante), pensei coisas do tipo "aaa... vai ser fácil ganhar". O jogo foi acontecendo, eu cometi algumas mancadas, ele também (porque, afinal, acho que nem eu nem ele somos do tipo de gente que joga xadrez mais do que, quando muito, uma ou duas vezes por ano), e aos poucos eu fui percebendo que o tinha subestimado. Certamente que ele era bem melhor do que eu esperava. Mesmo assim, eu ganhei a partida =D.

O caso me foi marcante porque "por algum motivo" eu tinha achado que ele tinha de ser um mal jogador de xadrez. Imaginei, na época, que o motivo tivesse alguma relação com um possível preconceito "inconsciente" que eu tivesse contra ele e que, por acaso, naquele momento se fez aparecer. Aos poucos, acho, esse preconceito foi se "revelando", como vou explicar mais adiante...

Mudando dos paus pra canoa, o leitor obviamente concorda comigo quando digo que crianças têm um "seu jeito peculiar" de falar. Às vezes não concordam os gêneros direito, às vezes usam o pronome errado, às vezes não concordam os números direito (se bem que, convenhamos, nem a gente concorda), etc. No meu terceiro semestre na UFRGS, quando estava fazendo a cadeira de "Arq2" (Organização e Arquitetura de Computadores 2), tive um colega que, ao falar, às vezes, me lembrava uma criança. Ele era africano, de um país onde não se fala nativamente o português, e, apesar de já falar até que bem bem o português, ele ainda tinha algumas dificuldades, às vezes, para construir as frases em "tempo real". Ele tinha outra característica importante: perguntava SEMPRE. Era provavelmente o aluno que mais fazia perguntas na aula (ao menos naquela aula, onde praticamente ninguém falava nada u.u).

Logo no início do semestre, quando o seu "perguntar SEMPRE" passou a chamar a atenção (é que, realmente, ele perguntava affuuuu), fiquei com uma impressão ruim. Não sei por que motivo, mas achava que ele tinha alguma dificuldade, alguma problema que talvez tornasse as aulas mais difíceis pra ele. Talvez até fosse algum problema "da cabeça", sei lá. Bobagem! Era o meu preconceito falando mais alto denovo. Quando comecei a pensar que ele talvez falasse mais línguas que eu (o que não é tão difícil assim, mas, enfim), que tinha saído do seu país e vindo pra um lugar totalmente novo, com outra cultura, e, assim, enfim, tinha provavelmente já experienciado muito mais coisas do que eu sequer poderia imaginar à época, percebi o meu erro.

Esses tempos, no dojo de programação, apareceu um dos intercambistas da Alemanha pra participar. Como falava pouco e seu nome era "normal" (acho que era Raphael), eu nem percebi que era alemão. Em vez disso, estava já ficando com a seguinte impressão: "burro" o cara não é, afinal, ele tava na UFRGS e demonstrava conhecer já algumas linguagens; mas definitivamente algum problema social o cara tem. O problema social era a língua u.u. Quando percebi que o cara era alemão (o cara fala português tri bem já pra quem está desde março, acho, aqui), me liguei que o meu preconceito estava tentando gritar denovo.

Mas que preconceito é esse de que eu tanto falo? Aos poucos, com o convívio com os surdos e com pessoas aleatórias de outros lugares que passam pela minha vida, tenho percebido que, quando uma pessoa não domina bem a língua "do lugar", é fácil imaginarmos que ela também não domine bem outras "faculdades mentais", digamos assim. Pondo de uma outra forma, a gente (ou, ao menos eu, mas, chegarei lá, chegarei lá) tende a esperar pouco, i.e., subestimar, em geral, as pessoas, quando elas não dominam a língua "que esperamos que ela domine".

Um professor de português do cursinho (o Marcelo, ou Mamute, como o chamavam), em 2007, disse mais ou menos a mesma coisa. Lembro que na época ele defendeu sobre como é comum a gente julgar uma pessoa pelo modo como ela fala e como é fácil a gente subestimar a capacidade de uma pessoa só porque às vezes ela tem dificuldades de comunicação.

Também, o Eric Raymond, um dos caras fodões da cultura de código aberto, escreveu no seu "How to Become A Hacker" (esses dias fui ao site dele, como quem não quer nada, e, por acaso, encontrei esse texto. Só pra saber o que ele dizia, me parei a ler. Gostei =D), o seguinte:

"Being a native English-speaker does not guarantee that you have language skills good enough to function as a hacker. If your writing is semi-literate, ungrammatical, and riddled with misspellings, many hackers (including myself) will tend to ignore you. While sloppy writing does not invariably mean sloppy thinking, we've generally found the correlation to be strong — and we have no use for sloppy thinkers. If you can't yet write competently, learn to."

(para o caso de alguém não entender, vou traduzir livremente - vai ficar horrível, mas vamos lá):

"Ser um falante nativo de inglês não garante que você seja bom na língua o suficiente para ser um hacker. Se sua escrita é semi-literal, não gramatical, e enigmática em função de erros de ortografia, muitos hackers (incluindo eu) tenderão a ignorá-lo. Enquanto escrita desleixada não invariavelmente significa pensamento desleixado, em geral percebemos que a relação é forte - e não vemos utilidade alguma para pensamento desleixado. Se você ainda não consegue escrever competentemente, aprenda."

O leitor vai me dizer "tá... mas isso aí tem a ver com a escrita, e não com a fala". Mesmo assim, na minha opinião, o caso é o mesmo: o problema está principalmente na falta de domínio sobre a língua, eu diria. Infelizmente, como a forma de comunicação nesse caso é escrita, o julgamento fica ainda mais prejudicado, na minha opinião.

Finalmente, me uso como exemplo: frequentemente, quando em meio a pessoas que eu já conheço e com quem me dou bem, me demonstro [até que] com facilidade de comunicação (ou ao menos mais ou menos isso u.u), e tenho a sensação de que as pessoas não têm impressões ruins quanto às minhas capacidades mentais. Por outro lado, às vezes, quando em situações que exigem um pouco mais de personalidade (ao falar em público, apresentar trabalho, perguntar sobre preços, condições, e outras coisas em alguma loja ou estabelecimento comercial em geral), eu me demonstro uma negação social, e acabo me fazendo parecer um doente (dá pra perceber pela cara da pessoa que me atende na loja quando acontece, e eu ainda estou tentando desenvolver uma "defesa" contra isso u.u). Conheço várias pessoas aqui em Guaíba que, na minha opinião, são parecidas comigo, nesse aspecto. Conversar com elas durante 5min deve dar uma impressão horrorosa; conversar durante 30min deve dar uma impressão ótima.

Era isso...

R$