7 de fev. de 2012

Em Kaiserslautern #1 -- comida, pessoas

Esse é um post sem imagens. Só texto. Tomara que o leitor não se incomode =)

Nos primeiros dias, estávamos perdidos. Na noite de sexta-feira, nem comida tínhamos ainda, e a nossa primeira refeição foi no Mensa: batata frita, uma carne de porco num espetinho de madeira com um molho meio picantezinho (não sei do que era), alfaces (a melhor parte! -- nunca pensei que diria isso) e uma sopa de vegetais.

Segunda-feira, ontem, comemos no Mensa novamente, e eu cria que a alimentação seria diferente. Duas coisas, porém, permaneceram as mesmas: as batatas fritas e a sopa de vegetais. Dessa vez, a sopa estava menos salgada (aaa... aliás: nenhuma água ou qualquer líquido durante a refeição, a menos que seja comprado), e a carne, em vez de porco, era um bife à milanesa, macio como eu nunca tinha comido antes. Em vez de alface, tivemos cenoura com um molho branco, para a minha tristeza: cenoura está longe de ser um dos meus pratos preferidos.

De acordo com uma guria que trabalha no ISGS -- o departamento que ajuda os intercambistas a se instalarem aqui --, tem batata frita quase sempre no Mensa. Se eu estivesse comendo também frequentemente o meu amado feijão com arroz eu admito que não seria um pesadelo. Mas tenho a impressão de que como lanche todo dia. O que tem salvo ultimamente têm sido as jantas, regadas as massas. Aliás, ontem fui a um mercado -- que a mesma guria do ISGS nos sugeriu -- onde em teoria a comida é mais barata. Encontrei arroz! Um de saquinho, que dá pra fazer de um jeito que é sugerido no rótulo (todo em alemão, é claro). Comprei uma massa, e assim que eu conseguir uma panela maior eu vou tentar fazer arroz com massa (+ um molho que eu comprei aqui também e não sei direito comofas pra usar ainda).

Finalmente, sobre as pessoas, deixo aqui a minha primeira impressão: os alemães parecem pessoas sérias, não tão cordiais.  Falam baixo (um colega frequentemente comenta que quando estamos em grupo só ouvimos as nossas vozes e não as dos outros por quem passamos), dizem as coisas diretamente e frequentemente não estão dispostos a tentar nos entender quando demonstramos não falar alemão decentemente (especialmente as pessoas das lojas D=). Não mostram os dentes (ou seja, não sorriem), e parece que esperam que façamos o mesmo. A menos que saibam que tratarão diretamente com uma pessoa durante bastante tempo, não demonstram nem esperam cordialidade. No popular: são frios, distantes (e é exatamente o que me diziam as pessoas ainda no Brasil).

Se essa é ainda a minha primeira impressão, então supõe o leitor que ela possa mudar, e, se o faz, o faz corretamente. Minhas opiniões em geral mudam frequentemente e eu não acho que isso seja algo ruim.

Era isso \o/

R$

6 de fev. de 2012

Uma chegada conturbada

Vista do quarto, a partir da porta
Já no fim -- bem bem no fim mesmo -- do terceiro dia desde a minha chegada, finalmente escrevo aqui alguma coisa sobre como têm sido os primeiros dias nessa terra distante chamada Alemanha.

Tendo pego o vôo em Porto Alegre, sentei-me ao lado de um dos colegas entre os quais viemos. Com ele, passei a conversar somente nos últimos 30 minutos do vôo até São Paulo, o qual durou algo em torno de 1h40. Em São Paulo descemos -- estava chovendo --, comemos alguma coisa e fomos para a "sala de embarque" (ou como quiser o leitor chamar aquele espaço entre o saguão e o avião). Como o embarque era internacional, tivemos de esperar numa fila até podermos finalmente mostrar os passaportes.

Ao chegar na tal sala de embarque, um grande grupo de passageiros se amontoava próximo ao portão através do qual deveríamos passar. Foi o nosso primeiro contato com "pessoas alemãs". Uma quantidade bastante exagerada de senhores falando numa língua "desconhecida" se colocava como obstáculo entre nós e o portão de embarque.

Entramos no avião! Ufa! Agora é só esperar a janta, ir ao banheiro, e dormir até a manhã do dia anterior. Antes eu conseguisse! A poltrona pouco reclinável com um relevo para a frente na altura da cabeça me impediu de pegar no sono durante muito tempo. Logo acordei, além de desconfortável, com o estômago doendo. Esperei uma hora, duas horas, três, ..., nem sei direito quanto tempo fiquei acordado, olhando para os lados ou assistindo a algum filme no computadorzinho disposto à minha frente, até que finalmente chegamos à Europa -- no sul de Portugal -- e, mais tarde, enquanto acima da Bahia de Biscaia, veio o tão esperado "café da manhã", que já estava mais para almoço.

A partir de depois do almoço, uma senhora que estava ao meu lado no vôo (ela e o marido tinham ido visitar a América do Sul -- pff... como se fosse possível olhar tudo numa mísera viagem v_v) começou a puxar alguma conversa, sempre em inglês. Como não pude resistir à curiosidade, dei trela. Ela e o marido (que estava ao seu lado, na janela) eram Dinamarqueses. Ela ensinava alemão, e ele era aposentado: havia trabalhado durante 44 anos na Lego (a famosa empresa dinamarquesa), que surgiu em sua cidade, Billund. Me convidaram, inclusive, a visitar a Legolândia, também em Billund (apesar de ter "remakes" em mais três ou quatro lugares do mundo), e me deixaram o seu e-mail, para que fizesse contato.

Chegando ao aeroporto, tivemos de mostrar passaporte novamente. Achei engraçado, porém: ninguém me perguntou o que eu vinha fazer no país, ou me cobrou visto, ou qualquer coisa do gênero. Tanto faz, também: o importante é que cheguei \o/. Ao pegar as malas, um susto! Uma mala de um dos colegas simplesmente não havia aparecido nas esteiras. Demorou uns 50min, mas finalmente resolveram o problema: a mala havia sido posta em meio a malas de outro vôo, pelo que entendi.

Quando saímos do espaço de desembarque, bateu o frio. Todo mundo se agasalhou. Não devidamente, mesmo assim: acho que ninguém estava muito com noção de o quão frio estava na hora. Por sorte, um dos colegas entendia bem alemão e sempre ía na frente, perguntando, conversando, abrindo caminho. Não foi difícil, através dele, comprar a passagem para Kaiserslautern. Difícil mesmo foi carregar aqueles montes de malas pra cima e pra baixo (literalmente: as estações têm bastantes escadas ) o tempo todo.

Na chegada em Kaiserslautern estava fazendo -7,5ºC. Frio suficiente pra me fazer não sentir direito as mãos. E como não tinha toca, a coisa estava bem problemática. Depois de uns 25min de espera, finalmente chegou o cara (não consegui gravar seu nome) para nos pegar na estação. Ao sair, o primeiro contato com a "neve". Sério, até agora estou com problemas com a definição de neve: se é neve aquilo que cai, é também neve aquela que se forma, durante as madrugadas, no chão e nos vidros dos carros? Por agora, isso não importava: o que importava era que chegássemos a um lugar quente e pudéssemos finalmente largar as malas.

Chegamos! E depois de alguma espera -- o cara fez 3 viagens para poder trazer a todos -- tivemos uma pequena conversa com o cara. Ele nos disse algumas coisas que deveríamos saber e, como não comíamos desde o café da manhã do vôo, finalmente comemos (pão com nutella ou margarina, presunto e queijo -- acho que era isso, ao menos -- e leite com Schokodrink, um achocolatado em pó que achou-se aqui).


Bom... não tem muito o que contar a partir daí. No dia posterior fomos ao ISGS -- andamos de ônibus sem pagar --, como tínhamos sido orientados e lá fizemos uma série pequenas coisas, como ganhar um login na universidade, fazer um cartão pra o Mensa (o RU daqui), etc. Depois fomos à empresa de ônibus pra pegar um tal de Month Ticket, que nos custou 38 euros e nos permite andar pela cidade o quanto quisermos durante um mês.

Tirei, nesse primeiro dia, também, umas fotos do meu quarto, para mostrar ao leitor. Ele estava bagunçado, sacumé, né? Utilizando a implementação de um algoritmo que foi alvo de um estudo para o trabalho final de uma cadeira de fotografia que fiz no semestre passado, fiz a seguinte montagem (imagino que se o leitor clicar, conseguirá ver melhor), que mostra a vista do meu quarto a partir da minha cama:

Vista do quarto, a partir da cama

Uma outra montagem, já vista pelo leitor no início da postagem, também utilizando o mesmo algoritmo, mostra a vista a partir da porta do quarto. A terceira montagem mostra a vista da janela:

Vista do terceiro antes (último) da janela
Ao chegar, não tínhamos uma série de coisas: edredon, xícaras, pratos, talheres, adaptadores pra tomada (os meus simplesmente não serviram pras tomadas alemãs), etc, etc, etc.. Muitas das coisas que temos agora foram nos dadas pelos brasileiros que cá estavam antes de nós e por brasileiros que devem logo ir embora. Claro, tivemos de comprar coisas, mas não me foi necessário comprar talheres (eu só comprei uma faca e uma colher, porque ainda não tinha recebido as coisas de todo mundo), xícaras, pratos, copos, uma TV (sim, eu ganhei uma TV \o/), uma toca, etc. Dois colegas têm, agora, microondas, e temos um aspirador de pó, que deve ser usado comunitariamente.

Assim, apesar de ainda não estarmos instalados totalmente -- temos uma série de coisas a arrumar ainda --, estamos bem bem. Já comemos uma vez no Mensa, já podemos andar por aí de bus, já sabemos mexer na calefação e já nos acostumamos com o frio (e acho que finalmente ninguém mais se perde nesse alojamento -- sério, andar por aqui não é difícil, mas por algum motivo o pessoal andou se perdendo affuuu nos primeiros dias ).

Logo escrevo mais sobre as minhas experiências na Europa -- e especialmente na Alemanha.

Tchuss!

R$

1 de fev. de 2012

De malas prontas

Com essa postagem, dou início a uma série de postagens que comentam sobre os causos por que passarei numa terra distante, chamada Alemanha.

O leitor assíduo (se houver) já deve saber que amanhã, dia primeiro de fevereiro de 2012, viajarei até o lugar que entenderei como minha casa durante os próximos 12 meses. É modinha entre meus amigos e colegas que já foram "para fora" relatar suas experiências em blogs, criados, frequentemente, somente em razão da viagem. Pois bem: farei quase o mesmo, com a diferença de que esse blog não compartilha do mesmo objetivo dos outros, mas tem sua vida própria, seus próprios devaneios e idéias aleatórias, às quais misturarei causos da minha vida em Kaiserslautern.

Já me despedi dos amigos da faculdade (com uma única e triste exceção, fruto de um esquecimento que nunca receberá perdão), dos meus amigos da igreja (eles levaram em consideração o meu pedido de não fazer uma "festa de despedida" -- creio eu, ao menos -- e a despedida foi menos chamativa e mais "privada", o que me deixou bem mais agradado n_n), dos meus irmãos (menos do mano, que na realidade não precisa =D) e agora só me faltam dois amigos, dos quais me despedirei amanhã mesmo. Já arrumei todas as coisas nas malas (com a gigantesca ajuda da minha mãe, que investiu todos os seus pontos de experiência na habilidade de empacotamento) e a única coisa que falta é colocar esse computador dentro da mochila.

Enfim... está tudo em ordem. Amanhã, quero chegar no aeroporto com no mínimo duas horas de antecedência. Pegarei um frio do cão lá, com direito a temperaturas negativas em pleno dia e até [talvez] neve. Nunca peguei tanto frio. Será que eu, que tanto comento gostar de frio, me agradarei desse extremo?

Leitor amigo, leitor assíduo. Espero que comente nos meus causos e participe, junto comigo, da minha jornada por terras distantes. Ficam aqui as últimas saudações escritas nesse blog em terras tupiniquins no ano de 2012.

R$

31 de jan. de 2012

Sobre a língua portuguesa

Essa é uma postagem pequena. Nem vai ter imagem. Só vai ter um comentário curto sobre a minha amada língua: a portuguesa.

Estou lendo Memórias Póstumas de Brás Cubas. É um livro incrível! Como não o tinha digerido antes? Como não tinha me maravilhado pela narrativa agradável e encantadora desse escritor tão conhecido por seus textos de altíssima qualidade?

Mesmo ainda estando longe do fim (se bem que o livro é curtinho, o que significa que alcançarei o fim logo), já constatei 3 palavras que me chamaram a atenção. A primeira é "intata" (intacta, atualmente). Quando foi que, no português brasileiro, que tão frequentemente aniquilou as consoantes mudas, a palavra "intata" recebeu um "c"? A palavra me chamou tanto a atenção que quase parei para sublinhá-la. Estando num ônibus, porém, não me foi possível fazê-lo.

Uma segunda palavra também se apoderou de um pedaço importante da minha mente, e dela não quer sair: "minuete". O significado, óbvio dentro do contexto, talvez não seja tão simples quando fora dele; troca-se uma letra, porém, e a magia se torna notável: o leitor não teria dificuldade de perceber o significado da palavra "minueto", teria? Fiquei me perguntando: teria o Machado de Assis traduzido livremente a palavra (tentando dar-lhe um tom aportuguesado) ou seria essa variação a normalmente utilizada naquela época? A resposta não é importante; importante é simplesmente o fato de que a sua sonoridade me agrada.

A terceira palavra, porém, foi a grande motivação da criação dessa postagem. Li "garção" (um jovem rapaz) em seu livro, e foi imediata a constatação de que a tradução seria a mesma de garçom, no francês. Novamente, a dúvida me vêm: seria uma tradução livre? Se era, já não sei -- e talvez nunca chegue a descobrir --, mas é verdade que creio que naquela época o português era mais livre, e mesmo assim mais pomposo, mais belo. Não utilizava deliberadamente palavras de outras línguas, mas traduzindo-as, aportuguesando-as, somava à língua, em vez de dela se desfazer.

Por fim, ressalto que um amigo me comentou que, no livro Dom Casmurro, o mesmo autor (como se algum leitor precisasse que lhe dissesse isso), Machado de Assis, usa "os japões", em vez de "os japoneses". Se era assim que se dizia na época, não sei. Aliás, será que se dizia na época? Afinal, quem é que precisava saber dos japões, num tempo em que a informação corria com a velocidade de uma carroça? Assim, mais uma vez, meio que defendo: possivelmente essa tenha sido a forma como o autor resolveu traduzir.

Era isso... (uma última coisa tenho a dizer: não sei se o leitor agradou-se da postagem. Sei, porém, que eu me agradei. O tom rebuscado da minha escrita -- que nem me parece minha -- aí está em virtude do livro que tenho lido. Adoro esse modo de escrever)

R$

23 de jan. de 2012

As Guerras de Copyright

A coisa está cada vez mais apavorante.

Imagem presente no site do megaupload.com
Se as empresas que aprenderam a ganhar dinheiro através da internet estão mobilizando, através de propaganda em massa, pessoas de todas as idades e de todas as regiões do mundo para lutar pelo direito de ter uma rede livre, e se através de uma internet livre é que foi possível movimentar os ativistas de vários países do Oriente Médio para lutar pela sua "liberdade" (ou por o que quer que eles realmente queiram), ao mesmo tempo, cada vez mais eu temo pelo que será do futuro da internet.

A opinião pública é unânime: quem é que seria contra a internet do jeito que ela é atualmente? Alguém é contra a pirataria desenfreada que corre à solta na internet nos sites de compartilhamento? Se o é, sofre de algum necessidade de realização de justiça alheia e, na minha opinião, tem problemas com a realidade.

Milhões e milhões (e eu arriscaria a dizer bilhões) de pessoas estão pouco se lixando se o episódio de Futurama que passou há 10 anos ainda está coberto por leis de direitos autorais. E provavelmente nunca nem mesmo comprariam um DVD oficial do Futurama se lhes não fosse permitido assistir de graça pela internet. Eu não consigo enxergar como essa poderia ser uma "venda perdida", como as grandes empresas detentoras dos direitos autorais gostam de dizer.

Nos últimos dias, com o objetivo de derrubar uma lei que beneficia as grandes detentoras dos direitos autorais (a SOPA/PIPA), vários sites, como o Google, o 9gag, o LolCats, FailBlog, Wikipedia, Reddit, Know Your Meme, Quick Meme, entre outros, se retiraram do ar (ou colocaram avisos sobre o assunto) numa tentativa de conscientização de o quanto a lei seria capaz de retirar a liberdade na rede. O SOPA/PIPA permitiria a censura de sites que potencialmente pudessem liberar conteúdo pirata na internet. É o Algoritmo do Banqueiro voltado para a internet.

Enquanto grandes empresas tentam a todo o custo diminuir a produção de conteúdo de qualidade e meter goela abaixo somente os seus próprios enlatados sem graça, a gente vê exemplos de produtores independentes dando um show de sofisticação e modernidade, dizendo que "se não pode comprar agora, então pirateia mesmo":

"Pirateie." já disse o criador do MineCraft
Terminado todo o alarde sobre o SOPA e sobre o PIPA, ontem mesmo ouvi falar de um tal de "ACTA", um acordo sobre patentes que seria capaz de impedir inclusive a compra de remédios "piratas" (ou seja, construídos sobre a quebra de alguma patente). PUTA QUE PARIU! Quando é que os governos vão parar de incentivar as grandes empresas e começar a pensar no povo? (eu não conheço ainda o tal do acta, mas duvido que ele não se torne bastante "popular" nos próximos tempos, se ele fizer o que disseram que ele faria no video a que eu assisti)

Por fim, devo logo assistir à seguinte palestra, do fim do ano passado:



Creio que o assunto esteja relacionado a essa guerra, que está recém começando e que logo causará um grande número de movimentações pelo mundo todo em prol da liberdade na internet. Vários sites de compartilhamento de arquivos já estão fechados ou sob restrições no funcionamento. A coisa apertou, e se eu tivesse que julgar, as revoluções no Oriente Médio foram só as primeiras.


(é nessas horas que a gente vê que o LulzSecurity e o Anonymous são na verdade os nossos melhores amigos na luta em prol da liberdade)

R$

10 de jan. de 2012

Desânimo

(Procurei por "ânimo" no Google Imagens e me apareceu um monte de figuras em espanhol O.o)

Espero ter entendido certo (essa frase parece siamesa) (caso alguém não entenda): "Se houvesse mais gente como vós os jornais se veriam em figuras a tratar de baixar o ânimo de cada um".



Ultimamente tenho percebido que ando meio desanimado.

Desanimado não naquele sentido que todo mundo tá acostumado a pensar. Não estou "triste", achando que a vida não valha a pena ou querendo morrer. Estou só desanimado, de acordo com o que a palavra realmente tenta significar: sem ânimo.

Frequentemente, eu planejo coisas. Tento predizer exatamente quantas coisas úteis vou fazer em cada momento da minha vida. Desde que assisti a aquela palestra sobre "Os poderes secretos do tempo" (a qual vai aí embaixo), passei a refletir sobre o quanto sou definitivamente orientado ao futuro. O problema é que ultimamente eu não tenho tido saco pra fazer as coisas que eu defino que farei.



Tem sido frequentemente assim: "amanhã, eu tenho que mandar tal e-mail, e ir a tal lugar, e ler tal texto e assistir a tais videos no youtube [é que eu to com um monte de abas abertas com palestras no youtube que eu gostaria de ver]". O resultado tem sido próximo de "passo o dia na frente da TV... aí vou pra frente do computador e fico 3h lendo posts no Facebook, comentando em posts no 9gag e vendo outros videos totalmente de bobagem no youtube".

Não tenho tido saco pra fazer nada! Só pra ter uma idéia, queria aprender sobre o Vim nessas férias, por exemplo. Nem comecei. Queria ter lido o Guia do Mochileiro das Galáxias 4 nas férias. Nem olhei pra o livro. Queria ter dado uma brincada com a Löve do Lua. Nem baixei ela ainda. Queria ir mais à igreja, até. E a ela tenho ido só pelo compromisso D=


Eu sento na frente do computador pra fazer a coisa e não consigo ter vontade de fazê-la. Até para escrever aqui tem sido um sacrifício.

Para hoje, resolvi fazer uma lista das coisas que tenho que fazer. Essa (escrever no blog) é somente a primeira delas que estou realizando. E já são 16h15 da tarde

Enfim... enfim... tenho andado desanimado. Sinceramente: essa é EXATAMENTE a mesma sensação que tenho quando estou chegando ao fim de um semestre cansativo. Acho que logo deve passar. Espero, ao menos, já que nem Megaman eu tenho tido saco pra jogar.

R$

6 de jan. de 2012

Alemanha [2]

Na falta de uma imagem decente, fiz a minha própria com o GoogleMaps. Aí é onde vou morar =)    
No início de 2011, não tendo conseguido ser selecionado para um programa de intercâmbio entre o Instituto de Informática da UFRGS e a TU Berlim, escrevi uma postagem, comentando sobre o meu conformismo e sobre como tinha planejado e me programado bem antes, esperando o sucesso, mas entendendo que o fracasso seria possível.

Naquele momento, sim, eu fracassei. Os professores, apesar de minhas notas, me colocaram numa posição bem ruim, o que logo concluí que tivesse sido culpa da minha entrevista.

Como já estudava alemão há 4 semestres (e estava começando o quinto semestre), em agosto de 2011 me inscrevi para o processo seletivo de um outro convênio de intercâmbio, firmado, desta vez, entre o Instituto de Informática da UFRGS e as universidades de Kaiserslautern, Stuttgart e Tübingen. Como o número de selecionados no ano anterior tinha sido bastante expressivo (14, dentre os quais 10 foram para Kaiserslautern, a cidade para a qual eu adoraria ir), achei que as minhas chances seriam bastante grandes.

Para a elaboração da carta de apresentação, dessa vez, achei que seria significativamente interessante pedir ajuda para alguém que retiraria os meus horríveis erros de gramática (aqueles mais sutis, que os falantes não nativos demoram mais pra aprender). Por isso, pedi ajuda à minha ex-professora de inglês, Luciana, que fez várias sugestões e deixou a carta bastante "polida".

Resultado: até onde sei, fui o único dos candidatos a ser chamado para uma entrevista pelo seu laboratório. A entrevista foi pelo Skype, totalmente em português. Os entrevistadores eram brasileiros, o que me deu bastante liberdade pra falar o que eu pensasse e demonstrar "quem eu sou" bem (se bem que eu acho que virtualmente a gente sempre demonstra ser bem mais legal do que realmente é).

Por fim, fiquei sabendo do resultado mais ou menos 10 dias antes de todos. Mesmo assim, não fiz "alardes": falei somente aos amigos mais "chegados" nesses primeiros dias, já que tinha medo de sair falando e, de repente, na hora de sair o resultado oficial, o meu nome não aparecer na lista. Felizmente, deu tudo certo: fui selecionado \o/

O que isso significa? No dia 1º de fevereiro de 2012 eu pegarei o vôo para Frankfurt. De lá, pegarei o trem para a Kaiserslautern Hauptbahnhof (a estação de trem de Kaiserslautern) e, de lá, para as minhas novas acomodações na Alemanha, onde deverei permanecer até o fim do mundo (na verdade, até fevereiro do outro ano, mas como o fim do mundo ocorre antes, então não tenho por que me preocupar v_v).

Deverei participar de algum projeto de pesquisa no Laboratório de Sistemas de Tempo Real. O que isso significa? Em termos burocráticos: estudo; em termos populares: trabalho; pra mim: diversão!

Infelizmente, estou tendo uma grande quantidade de gastos por causa da viagem (nenhum incentivo nos é dado pela UFRGS ou qualquer outro órgão) e acomodações e tudo mais. Terei de comprar roupas lá (lembre-se, caro leitor, que chegarei no inverno) -- o povo daqui que já morou lá me sugeriu que comprasse as roupas lá -- e só receberei algum salário (viu como é trabalho? Tem até salário!) a partir do fim do primeiro mês.

Na soma de tudo: estou muito feliz. Essa será uma experiência incrível. Finalmente, serei "adulto", pela primeira vez. Terei de lavar/secar/passar minhas roupas, terei de comprar e preparar minha comida (aliás, um dos meus objetivos era aprender a cozinhar no mínimo algo mais sofisticado do que uma massa, batata, arroz ou um bife), terei minha própria casa (um quarto, com banheiro e uma mini-cozinha), sem ninguém pra me dizer que o chão está sujo, a cama desarrumada ou que a resistência do chuveiro queimou. Serei, enfim, adulto, com responsabilidades, trabalho, nariz próprio. Decidirei quando entrar e quando sair de casa, ou mesmo se vou pra outro lugar. E não terei ninguém para avisar que chegarei mais tarde, ou que já estou em casa desde cedo.

Enfim... será uma experiência muito diferente, muito importante para o meu desenvolvimento como adulto, em minha opinião. Estou ansioso...

Era isso =)

R$

1 de jan. de 2012

Reativando

O leitor assíduo -- claramente incomum -- deve ter percebido que esse blog passou os últimos 3 meses de molho. Não cheguei a declarar que isso aconteceria. Não dei satisfações. Não escrevi um post explicando os motivos do sumiço e nem avisando uma temporária desativação. Simplesmente, fiz o que era necessário: parei de escrever.

Esse último semestre foi bem cansativo. Com 7 cadeiras (aliás, que me renderam talvez as melhores notas desde o meu primeiro semestre \o/), uma bolsa de IC e alguns compromissos extra-curriculares (sobre os quais não estou a fim de comentar), passei um bom tanto do semestre correndo dum trabalho para o outro. Era sempre a mesma rotina: ao entregar um trabalho, já passava a ter de me concentrar em um outro.

Finalmente, as férias vieram. Com elas, várias notícias, sobre as quais certamente falarei nas próximas postagens. O importante agora, por essa postagem, é simplesmente afirmar o seguinte: o ano de 2012 será um ano significativamente movimentado nesse blog.


Ao leitor: Feliz 2012! (deixo no video uma daquelas músicas que ficam na cabeça da gente nessa época do ano)

R$

10 de set. de 2011

Poluição

Já estou há tempos querendo escrever sobre isso, mas sempre que venho pra o computador dá uma preguiça D= Pois bem, hoje tomei jeito.

Motor Ecológico?
Desde que comecei a pegar ônibus pra ir pra o vale, de tempos em tempos, eu sinto algumas dores de cabeça. No início supus um motivo bem esquisito: como das primeiras vezes elas vieram bem quando eu sentava naqueles bancos do ônibus que são virados pra o lado contrário (aí tu fica andando sempre como estivesse dando ré), eu achava que era só a falta de costume de sentar naqueles bancos, motivo pelo qual passei a evitá-los.

Num segundo momento, percebi que não era bem assim: mesmo pegando bancos normais, havia momentos em que eu sentia dores fortes de cabeça. Minha segunda suposição (foi bem numa época em que eu comecei a tomar bastante isso): café. Pensei que eu poderia talvez estar tomando café demais, baseado justamente no comportamento do meu irmão, que durante um tempo associou ao café suas fortes dores de cabeça.

Com o tempo, fui percebendo que talvez o motivo fosse outro. Lembro que cheguei a dizer que talvez o cheiro do ônibus fosse tal que me desse dor de cabeça (ora... tanto eu quanto um colega concordamos que cheiro de carro novo nos dá dor de cabeça -- por mais estranho que talvez isso possa aparentar ao leitor).

Ultimamente, porém, tenho concluído que essas dores, que vêm e vão, às vezes presentes frequentemente durante um certo intervalo de tempo, e às vezes ausentes, têm sido causadas por um fator muito mais óbvio: a poluição. Nas últimas semanas, andei sentindo dores enquanto no caminho da rodoviária até o terminal dos Guaíba, especificamente (tá... na real... é engraçado... são só umas latejadas... e elas parece que acontecem sempre que eu inspiro u.u). Por ali passam MUITOS carros e ônibus, o tempo todo.

Além da poluição dos carros, o pessoal aqui em Porto fuma desenfreadamente. O cheiro de cigarro já é parte característica e essencial do centro da cidade. Os prédios são sujos (ninguém nunca limpa o exterior da parte "alta" de suas paredes) e pinchados (é assim que escreve isso?). Eu fiquei me perguntando: o centro das outras capitais é assim também? Isso é seguro? Não tem gente que morre por causa dessa sujeira toda?

De qualquer forma.......... Porto Alegre é o centro do Universo, o qual gira em torno do Rio Grande do Sul. Assim, apesar de talvez poluída demais, aqui certamente é melhor u.u Se não é melhor, ao menos é sempre mais perto v_v'

Era isso...

R$

Interação Humano-Computador

Entre as cadeiras que estou fazendo esse semestre, sem dúvida aquela que tem as aulas mais massantes e "trabalhos" mais desagradáveis tem sido Interação Homem-Computador (ou Interação Humano-Computador, ou, simplesmente, IHC).

Enquanto ela é ministrada geralmente por um professor da Computação Gráfica (o que, pra mim, de certa forma, me causa uma boa imagem imediata), ela tem estado no mesmo nível da Engenharia de Software do semestre passado.


Esses dias tive de fazer uma apresentação em IHC e, para ter uma noção da matéria -- não consigo prestar atenção na aula -- comecei a ler os capítulos que o professor deixa na ferramente de EAD que nós usamos (o moodle). Tenho de concordar que, apesar de não ser muito bom em apresentar a matéria, o professor é bem dedicado, deixando bastante material para nossos estudos.

Eu li boa parte dos capítulos e até que gostei no início. A matéria é bem "humana" e tenta meio que modelar (ou usar os modelos já criados em outras áreas) o modo como funciona a nossa cognição (tomara que eu esteja falando direitinho). Mas a matéria é pesada e bem chata (convenhamos: eu não estou interessado em como se faz interfaces bonitas!) e depois de um tempo eu já não aguentava mais D=

Enfim enfim... só queria falar um pouco sobre como eu tenho achado a cadeira de IHC. Sem dúvida, uma das piores cadeiras do meu curso. Acho que não sou o único com essa opinião.

R$