21 de set de 2013

A quarta conjugação

Esses dias, enquanto lendo sobre a gramática do latim, descobri que a língua tinha 4 conjugações. As 3 conjugações "oficiais" do português são derivadas diretamente delas: ar, er e ir.

O que eu não esperava descobrir era essa página, que falava sobre a existência de uma quarta conjugação, que foi extinta em 1959. A partir de então, passou-se a ensinar nas escolas que os verbos terminados em or faziam parte da segunda conjugação. O motivo é que o verbo pôr deriva do verbo ponere, que ao longo do tempo virou poer (evisto [i.e., evidenciado] inclusive pelo seu particípio presente poente), fazendo parte da segunda conjugação.

Como verbos monossilábicos no português já tendem a ser irregulares por natureza, fazia sentido simplesmente acrescer o pôr ao grupo e esquecer de mais um enorme conjunto de regras que o falante nativo, apesar de saber, acha que não sabe e tem que decorar v_V Dá pra ver que as variações do verbo pôr são bem produtivas (repor, compor, decompor, dispor, impor, supor, depor, expor, propor, ...), ou pelo menos já foram (se hoje não são). Quando mo ensinaram na escola, minha professora inclusive me fez crer que realmente as terminações desses verbos eram as mesmas das dos verbos terminados em er.

Nunca questionara... sempre aceitara isso como verdade. Até esses dias, quando sem querer escrevi o verbo dormor (em vez de dormir) e quis conjugá-lo, de brincadeira.

[agora pensando bem... como eu fui bocaberta durante todo esse tempo =S]

Enfim... para tornar o exemplo bem engolível, fiz inclusive uma tabela aqui (baseada fortemente na tabela do link que postei ali em cima) [ela é grande demais pra ver miudinha assim... então acho que o ideal é clicar nela].

Eu vislumbro a possibilidade de usar essa conjugação com qualquer radical (palavras como torpor, pavor, amor e calor poderiam quem sabe tornar-se verbos também), mas imagino o quão estranho deva soar aos ouvidos alheios xP

R$

4 comentários:

  1. Ó poderoso vulcano, faltou um J no título.

    Comentários aleatórios:

    (1) sempre achei meio estranho colocar o pôr na segunda conjugação se ele é diferente de todos os outros com -er. Ainda se fosse para ele não ficar sozinho, mas ele tem família: compor, transpor, repor... (sim, eu lembro do post sobre prevérbios do Vítor)

    (2) quando eu era criança e perguntei para a minha mãe o que era um verbo, ela disse que eram as palavras terminadas em R. Eu pensei: “Então «disco voador» é um verbo”?

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    Respostas
    1. [putz... eu tinha esquecido de responder aqui. Tomara que tu recebas um e-mail avisando que eu respondi agora ou então minha resposta cairá no esquecimento para todo o sempre]

      HUHAUEHUAEHA... lol... pois é... droga essas ambiguidades na hora de definir "sintaticamente" um verbo. Imagina: "pior", "melhor", "maior" e "menor" também são verbos, daí, pela definição da tua mãe xP

      Eu um tempo atrás inclusive tinha comentado como seria tri se os comparativos seguissem a regra "adjetivo + or" [com o "o" aberto, como em "pior"]... tipo "estranhor", "bizarror", e tal [aliás, agora eu sei que é assim que funciona no latim]. Mas daí depois fiquei pensando em como isso causaria confusão com verbos de uma possível quarta conjugação

      AA... eee... obrigado pelo aviso sobre o J ali. Nem me liguei. Vou arrumar xP

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    2. Não recebi e-mail, mas de vez em quando eu volto em lugares onde comentei, então a resposta não caiu no esquecimento, haha.

      Faço isso à moda antiga, visitando manualmente os sites. Já procrastino o suficiente sem aviso por e-mail/RSS/seja-lá-o-que-for de cada coisinha que acontece por aí, haha.

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    3. HEUHEUAHEU... pois é. Eu também procrastino demais já sem usar esses trecos. Imagino o que seria de mim se eu os usasse xP

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