24 de mai de 2014

Symphonic Fantasies



Aleatoriamente, procurando por música pra ouvir essa semana, achei o video ali de cima, que é um album da Filarmônica de Tóquio com músicas de quatro jogos que (todos eles) marcaram a minha infância: Kingdom Hearts, Secret of Mana, Chrono Trigger e Final Fantasy (pelo visto, eles focam mais no VI e VII).

A última música tá me deixando tão atiçado que eu resolvi comentar aqui:

Começa com "Dive into the Heart", do Kingdom Hearts (na real, o tema aparece também no fim do jogo, em "End of the World", "Fragments of Sorrow", "Guardando nel buio", "Beyond the Door" [não é o mesmo tema, mas claramente relacionado] e, finalmente, "Destati").

Aos 1h14min25 começa um "interlúdio" que faz a transição, aos 1h14min44 pra "Meridian Dance", do Secret of Mana. Nota, porém, que as cordas permanecem no "ritmo" do Destati.

Quando a música vai entrar no loop da "Meridian Dance", aos 1h16min23, ela cai em "World Revolution", do Chrono Trigger Sem comentários xP
O loop denovo é o que causa a transição pra "One Winged Angel", que entra aos 1h17min39 e segue embora em uma "dança" com o tema do Kefka (essa parte é ABSURDA T__T)

Detalhe pra sessãozinha que começa aos 1h19min37: exatamente aos 1h19min44, as cordas, no fundo, tocam as três primeiras notas longas de "Dancing Mad". "Dancing Mad" (parte 2) segue, então, aos 1h19h59, "mergida" com a parte que seguiria de "One Winged Angel" =O

Nota as cordas aos 1h20min22 fazendo o tema do Kefka denovo, e toda essa "dança" denovo ocorrendo entre os dois temas aos 1h20min30.

Simplesmente explodiu minha mente T_______T

R$

18 de mai de 2014

A Língua Humana

Nesse fim de semana, assisti a dois videos que são parte de uma trilogia (não consegui achar na internet o terceiro) chamada "The Human Language Series".

As duas primeiras partes estão disponíveis no Youtube:





Os videos foram bem mais "profundos" do que eu esperava, e foram legais porque usaram como referência várias coisas sobre as quais eu tenho lido ultimamente num certo livro (Fromkin et al., An Introduction to Language, 9th edition [isso deve ser suficiente para achá-lo xP]) e nos artigos que eventualmente acabo achando aleatoriamente.

Eu achei que fazia sentido fazer alguns comentários. Para referenciar alguma parte dos videos, usarei o formato "[parte.minutos]". Assim, por exemplo, "[1.10]" significa "Parte 1, aos 10minutos". Quando eu quiser ser mais específico, usarei mais um ponto para denotar os segundos. Por exemplo "[1.10.30]" significará "Parte 1, aos 10minutos e 30 segundos". Comecemos então...

Em [1.10], mais ou menos, se fala sobre "o que é uma palavra", e o video começa a discutir sobre como a criança aprende que, por exemplo, "árvore" é "aquela coisa grande que fica do lado de fora da casa" e que essa palavra pode ser usada para todas as árvores (e não somente para aquela em específico). Se discute também sobre como a criança aprende a "separar" palavras numa frase. Isso é interessante para mim porque o meu TCC foi relacionado a expressões multipalavras e porque através dos tempos eu acabei descobrindo que às vezes alguns conjuntos de palavras ficam tão unidos um ao outro que acabam se tornando uma palavra só.

Quer exemplo? [na real, eu não tenho nenhuma certeza do que vou dizer agora -- apesar de me parecer que a Wikipedia está a meu favor] As nossas conjugações de futuro! Antes, era possível em português dizer coisas como hei de comer algo. Alternativamente, se podia inverter o hei de comer e dizer comer hei algo. Não precisa ser gênio pra perceber que com o tempo o comer hei virou comerei, que o comer hás virou comerás, e assim por diante. Para o leitor astuto que percebeu que a regra não funciona com os plurais havemos e haveis, basta dizer que eles eram muito mais usados numa forma alternativa hemos e heis (que, aliás, estão presentes no espanhol). O motivo dos dois terem virado uma palavra só? Uma reforma ortográfica! A reforma ortográfica fez com que as crianças passassem a aprender essas construções (antes "perifrásicas" -- ou seja, que usavam "perífrases", i.e., "palavrinhas", no caso, o hei) como se fossem uma coisa só -- e então passassem a pensar assim.

Por causa disso é que eu ficaria tri feliz se hoje se fizesse uma nova reforma através da qual o verbo ir, quando marcador de futuro (como em eu vou fazer, eu vou comer, ...), virasse parte do verbo principal (i.e., eu vofazer, eu vocomer). Também seria a favor da idéia de transformar a construção deixa eu em xo e fazê-la ser parte do verbo principal: deixa eu dar uma olhada viraria xodar uma olhada, por exemplo.

Voltando aos videos... em [1.17] se pergunta: Existem conceitos que nós não inventamos porque nascemos já os sabendo?. Apesar de eu não gostar da idéia bizarra de que tenhamos um "órgão" separado para a língua, eu acho que cada vez mais concordo com a idéia de que, sim, já nasçamos sabendo algumas coisas (ou pelo menos nasçamos com uma forte tendência a seguir alguns caminhos em vez de outros). O grande argumento é bastante evolucionista: todos os animais nascem com alguns "instintos". Por que conosco deveria ser diferente?

Alguns minutos adiante [1.21], um cara começa a falar sobre o grande número de possíveis sentenças que poderíamos construir se tivéssemos um vocabulário de apenas 10 palavras. O argumento dele é meio falacioso (convenhamos que as regras que regem as nossas frases cortam affuuuu a possibilidade de tantas sentenças diferentes -- alguns verbos exigem preposições, alguns pronomes exigem algumas flexões específicas dos verbos, ...), mas me remeteu novamente ao que eu aprendi durante meu TCC: apesar da grande quantidade de palavras que sabemos, algumas construções vêm normalmente "prontas" nas nossas cabeças, e usá-las normalmente funciona como "bengalas lingüísticas", i.e., nos dá "conforto" pra usar esse tempo em que as estamos proferindo para pensar naquilo que vem adiante. Assim, expressões como quem me dera não somente são fixas (ninguém diz quem lhe dera, desejando o bem a outrem) como também demoram o suficiente para que possamos já ir pensando em como dizer o que vai vir logo na frente.

Para terminar com o primeiro video, eu acho que tem um quote que é o mais interessante dele inteiro:

Now... nobody speaks a "primitive language". All languages are extremely sophisticated.
Agora... ninguém fala uma "língua primitiva". Todas as línguas são extremamente sofisticadas. (tradução minha, livre)

O segundo video diz (em algum momento -- não consegui achar =/ ) que essa "descoberta" foi feita por um cara chamado Chaussure, um dos "pais da lingüística moderna". Mas eu ainda não li direito sobre ele... então não tenho muito o que dizer =/

Indo para o segundo video, acho que a primeira parte que me interessa está lá pelos [2.17]. Eles falam sobre como analogias "não funcionam" para explicar a aquisição de linguagem por crianças, dando um clássico exemplo (estou chamando de clássico porque foi justamente o mesmo exemplo que o livro que estou lendo deu) sobre como uma certa construção em inglês funciona com um verbo e não funciona com outro. Eu acho (minha opinião) que essa conclusão é meio arbitrária: ela só mostra que há casos em que as analogias não funcionam, e que a criança precisa, normalmente, além de aprender as analogias, aprender (decorar mesmo!) em quais verbos elas funcionam e em quais verbos elas não funcionam. Afinal, claramente, é por analogias que crianças que ainda estão aprendendo as formas irregulares dos verbos concluem que o pretérito perfeito do verbo trazer é trazi, em vez de trouxe, ou que o pretérito perfeito do verbo fazer é fazi, em vez de fiz.

Por outro lado, aos [2.31] eles falam que as crianças não testam todas as possibilidades (eles são biased learners, i.e., aprendedores enviezados, numa tradução literal xP) na hora de aprender as regras de uma língua, mas só testam algumas coisas que fazem sentido para todos os seres humanos. Isso é um bom argumento de que realmente crianças talvez tenham uma capacidade "inata" de aprender língua. Reforçando esse argumento, lá por [2.50] se comenta que há erros que crianças nunca cometem... e talvez isso seja um bom argumento "contra" as analogias (i.e., talvez não seja só por analogias que as crianças aprendam, mas também por terem inatas algumas regras).

Lá pelos [2.45] se começa a dizer que todas as línguas têm um monte de coisas: verbos, substantivos, marcadores de pergunta, plurais, etc. Eu acho meio "forte" fazer essas declarações sem se conhecer realmente todas as línguas; mas isso é algo em que hoje se acredita e que contribui bastante para a força do argumento de que talvez a língua seja algo inato ao ser humano.

Enfim... um dos assuntos que mais me interessam hoje é justamente a aquisição de linguagem. Achei que fazia sentido fazer esses comentários. Tomara que tenha sido útil pra alguém =)

R$

1 de mai de 2014

Uma Introdução à Lingüística

Há algum tempo, já, tenho lido um livro de introdução a lingüística. O livro me pareceu bem conhecido: "An Introduction to Language", de Victoria Fromkin, Robert Rodman e Nina Hyams (estou lendo a 9ª edição, mas achei rapidamente a 7ª edição aqui, e uma "versão internacional" da 9ª aqui [pelo visto, essa versão não tem o capítulo sobre semântica =/]).

Normalmente, eu intercalo outras leituras aleatórias com cada capítulo (que em geral leio "numa sentada"), especialmente porque usualmente não tenho saco pra ficar lendo a mesma coisa durante muito tempo. Nos últimos dias, li o capítulo sobre Fonética e comecei o de Fonologia. Já passei pelo de Morfologia, de Sintaxe e de Semântica (a Pragmática é tratada em conjunto com a Semântica). Há tempos me perguntava várias coisas que agora cada vez mais têm ficado claras. Resolvi então fazer uma série de postagens nas quais devo explicar genericamente (bem de leve) o que aprendi em cada um desses tópicos. Nessa postagem introdutória, porém, quero pelo menos dar uma "pincelada" em todos eles. Como meus interesses são sobre Semântica e Aquisição de Linguagem, é possível que, depois de passar por todos os tópicos, eu faça postagens mais "aprofundadas" sobre esses assuntos. Meus objetivos, com isso, são os seguintes: (1) produzir conteúdo sobre o assunto em português [já que tenho a impressão de que o material na internet não é muito farto]; (2) usar o que eu produzir como "referência própria", i.e., poder voltar aqui e ler rapidamente sobre esses assuntos quando eu quiser "refrescar a memória".

Uma "Hierarquia Linguística"

Normalmente, quando se começa a tratar de linguística, a primeira coisa a se apresentar (foi a primeira coisa que me apresentaram, pelo menos) são as "camadas" através das quais as línguas são estudadas. Estou acostumado a ver imagens como as ao lado.

A idéia é mais ou menos a seguinte: as línguas são compostas de sons (ou fones), os quais são estudados pela Fonética (vou abstrair as línguas de sinais, mas em geral as teorias também se aplicam a elas -- porque, pelo que tenho lido, o "processamento cognitivo" de um falante é o mesmo realizado pelos usuários de línguas de sinais). Para cada língua, agrupamentos desses sons compõem fonemas (ficará mais claro na postagem sobre o assunto, quando eu começar a explicar explicitamente como esses agrupamentos ocorrem), os quais são estudados pela Fonologia. Os fonemas são então organizados e dão forma a palavras (ou pedaços de palavras, como o inter- em interestadual). A área que estuda que palavras podem se juntar a que outras palavras, e como algumas delas podem mudar de acordo com algumas características próprias suas (por exemplo, verbos mudam seu final conforme o tempo que se quer comunicar [presente, pretérito perfeito, futuro do pretérito, ...]) é a Morfologia.

Para cada língua, algumas restrições em como as frases devem ser organizadas são impostas. Por exemplo: em alemão, a segunda coisa de cada frase necessariamente precisa ser um verbo. Outro exemplo: enquanto em português, frases como O que vocês estão falando sobre? não são gramaticais, o inglês as aceita perfeitamente. O campo que estuda como essas regras se aplicam é a Sintaxe.

É importante notar que a sintaxe não se preocupa com o significado das palavras. Frases como O vento do duende vem de roxo quando pisca a inconsciência do javali são sintaticamente corretas, apesar de terem um significado bizarro. Quando o significado entra em cena, estamos falando de Semântica (para os leitores computeiros, os nomes dessas duas últimas áreas não deve ser nenhuma surpresa).

Por fim, existe um último campo que, dependendo da literatura, às vezes aparece dentro da Semântica e às vezes aparece fora: a Pragmática. Nela se estudam os motivos pelos quais frases como está frio aqui! são interpretadas como feche a janela! ou diminua a intensidade do ar-condicionado!; ou poderia me passar o sal? é interpretada como um pedido para que o sal seja passado [acho que tirei esses exemplos do próprio livro que eu to lendo, mas não consegui achar =/ ].

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Além de tratar de todos esses assuntos, a Lingüística está interessada em como se dá a aquisição de linguagem, tanto da língua materna, por crianças [o que eles chamam de L1], quanto de outras línguas, por já adultos [o que eles chamam de L2]. Aqui, há espaço para muitas perguntas, relacionadas a várias outras áreas do conhecimentos. Por exemplo: que processos cognitivos estão relacionados ao assunto? Como a genética está relacionada? As interações entre seres humanos são afetadas quando na presença de uma criança (que está aprendendo a língua)? Como a língua influencia na sociedade? E de que forma a língua escrita influencia em tudo isso? ...

Não tratarei desses assuntos nessa série. Provavelmente, porque a aquisição de linguagem é um tópico sobre que me interesso muito, escreverei algo sobre o assunto no futuro. Aliás... eu ainda não esqueci que no fim do ano comecei a falar sobre expressões multipalavras. Ainda me interesso por elas: provavelmente aprenderei muito sobre elas quando me aprofundar em Semântica!

Bom... essa foi só uma introdução. Na próxima postagem, falarei de Fonética e Fonologia. Tomara que agrade xP

R$