1 de mai de 2014

Uma Introdução à Lingüística

Há algum tempo, já, tenho lido um livro de introdução a lingüística. O livro me pareceu bem conhecido: "An Introduction to Language", de Victoria Fromkin, Robert Rodman e Nina Hyams (estou lendo a 9ª edição, mas achei rapidamente a 7ª edição aqui, e uma "versão internacional" da 9ª aqui [pelo visto, essa versão não tem o capítulo sobre semântica =/]).

Normalmente, eu intercalo outras leituras aleatórias com cada capítulo (que em geral leio "numa sentada"), especialmente porque usualmente não tenho saco pra ficar lendo a mesma coisa durante muito tempo. Nos últimos dias, li o capítulo sobre Fonética e comecei o de Fonologia. Já passei pelo de Morfologia, de Sintaxe e de Semântica (a Pragmática é tratada em conjunto com a Semântica). Há tempos me perguntava várias coisas que agora cada vez mais têm ficado claras. Resolvi então fazer uma série de postagens nas quais devo explicar genericamente (bem de leve) o que aprendi em cada um desses tópicos. Nessa postagem introdutória, porém, quero pelo menos dar uma "pincelada" em todos eles. Como meus interesses são sobre Semântica e Aquisição de Linguagem, é possível que, depois de passar por todos os tópicos, eu faça postagens mais "aprofundadas" sobre esses assuntos. Meus objetivos, com isso, são os seguintes: (1) produzir conteúdo sobre o assunto em português [já que tenho a impressão de que o material na internet não é muito farto]; (2) usar o que eu produzir como "referência própria", i.e., poder voltar aqui e ler rapidamente sobre esses assuntos quando eu quiser "refrescar a memória".

Uma "Hierarquia Linguística"

Normalmente, quando se começa a tratar de linguística, a primeira coisa a se apresentar (foi a primeira coisa que me apresentaram, pelo menos) são as "camadas" através das quais as línguas são estudadas. Estou acostumado a ver imagens como as ao lado.

A idéia é mais ou menos a seguinte: as línguas são compostas de sons (ou fones), os quais são estudados pela Fonética (vou abstrair as línguas de sinais, mas em geral as teorias também se aplicam a elas -- porque, pelo que tenho lido, o "processamento cognitivo" de um falante é o mesmo realizado pelos usuários de línguas de sinais). Para cada língua, agrupamentos desses sons compõem fonemas (ficará mais claro na postagem sobre o assunto, quando eu começar a explicar explicitamente como esses agrupamentos ocorrem), os quais são estudados pela Fonologia. Os fonemas são então organizados e dão forma a palavras (ou pedaços de palavras, como o inter- em interestadual). A área que estuda que palavras podem se juntar a que outras palavras, e como algumas delas podem mudar de acordo com algumas características próprias suas (por exemplo, verbos mudam seu final conforme o tempo que se quer comunicar [presente, pretérito perfeito, futuro do pretérito, ...]) é a Morfologia.

Para cada língua, algumas restrições em como as frases devem ser organizadas são impostas. Por exemplo: em alemão, a segunda coisa de cada frase necessariamente precisa ser um verbo. Outro exemplo: enquanto em português, frases como O que vocês estão falando sobre? não são gramaticais, o inglês as aceita perfeitamente. O campo que estuda como essas regras se aplicam é a Sintaxe.

É importante notar que a sintaxe não se preocupa com o significado das palavras. Frases como O vento do duende vem de roxo quando pisca a inconsciência do javali são sintaticamente corretas, apesar de terem um significado bizarro. Quando o significado entra em cena, estamos falando de Semântica (para os leitores computeiros, os nomes dessas duas últimas áreas não deve ser nenhuma surpresa).

Por fim, existe um último campo que, dependendo da literatura, às vezes aparece dentro da Semântica e às vezes aparece fora: a Pragmática. Nela se estudam os motivos pelos quais frases como está frio aqui! são interpretadas como feche a janela! ou diminua a intensidade do ar-condicionado!; ou poderia me passar o sal? é interpretada como um pedido para que o sal seja passado [acho que tirei esses exemplos do próprio livro que eu to lendo, mas não consegui achar =/ ].

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Além de tratar de todos esses assuntos, a Lingüística está interessada em como se dá a aquisição de linguagem, tanto da língua materna, por crianças [o que eles chamam de L1], quanto de outras línguas, por já adultos [o que eles chamam de L2]. Aqui, há espaço para muitas perguntas, relacionadas a várias outras áreas do conhecimentos. Por exemplo: que processos cognitivos estão relacionados ao assunto? Como a genética está relacionada? As interações entre seres humanos são afetadas quando na presença de uma criança (que está aprendendo a língua)? Como a língua influencia na sociedade? E de que forma a língua escrita influencia em tudo isso? ...

Não tratarei desses assuntos nessa série. Provavelmente, porque a aquisição de linguagem é um tópico sobre que me interesso muito, escreverei algo sobre o assunto no futuro. Aliás... eu ainda não esqueci que no fim do ano comecei a falar sobre expressões multipalavras. Ainda me interesso por elas: provavelmente aprenderei muito sobre elas quando me aprofundar em Semântica!

Bom... essa foi só uma introdução. Na próxima postagem, falarei de Fonética e Fonologia. Tomara que agrade xP

R$

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