29 de dez de 2013

Random Links pós-TCC

Bom... então... como todos sabeis, eu terminei o TCC há poucos dias. E, como eu já disse anteriormente, no tempo em que eu estava fazendo-o, eu deixei muitas abas no meu navegador abertas, esperando por alguma atenção. Algumas delas ficaram abertas até que eu as referenciasse por aqui; outras, ainda nem lidas haviam sido.

Mudanças sonoras

As abas contemplam vários assuntos: desde recursão em línguas, passando por verbos frasais, e finalizando em alguns links sobre criação de painéis e gráficos em R. Num dos últimos dias, por exemplo, passei o tempo todo lendo sobre mudanças de sons em línguas (o motivo ficará evidente numa próxima postagem). Estou longe (e nem tenho a pretensão) de esgotar o assunto, mas gostei bastante do que aprendi. Foquei mais ou menos em 4 grandes tipos de mudanças:

  • Assimilação (que engloba vários outros tipos de mudanças sonoras, dentre os quais os que mais me interessaram foram metafonia [e, daí, a nomenclatura vai à loucura e eu só vou deixar os links de harmonia vocálica e umlaut aqui], e harmonia consonantal): o efeito em que um som de uma palavra se torna mais próximo de um outro som em suas redondezas (um bom exemplo é como o n muda de lugar conforme a consoante que o segue: enquanto ele é pronunciado "na frente da boca" em palavras como dentro [ok ok, exceto em alguns sotaques como o de Bento Gonçalves, no interior gaúcho], ele é pronunciado "no fundo da boca" em palavras como dengue).
  • Elisão (que eu conhecia com o nome de síncope): o sumiço de uma parte de uma palavra para facilitar a sua fala (como o sumiço do p em excepto, ou do c em facto e em insecto. Outros bom exemplo é a contração para o --> pra o --> pro ou o pronome cada vez mais comum ). Quando a elisão ocorre no fim de uma palavra, ela é chamada de apócope.
  • Lenição: o enfraquecimento de uma consoante (um ótimo exemplo são os particípios passados do latim, que fizeram a transformação tus --> do pra chegar ao português).
  • Fortição: o oposto de lenição xP (bem mais incomum, obviamente)

Verbos frasais

Bom... voltemo-nos a verbos frasais agora. Ao longo do meu TCC, eu citei vários verbos frasais como exemplo de algo [que eu queria exemplificar no momento]. Como verbos frasais tendem a ser um tópico "avançado" de inglês, eu me sentia [e sinto] frequentemente inseguro para criar exemplos que não os que eu já havia visto alhures. Por isso, eu fui atrás de novos verbos na internet em lugares que parecessem minimamente confiáveis.

Nessa busca, acabei percebendo o quanto verbos frasais são frouxamente definidos por aí. Nesse link, por exemplo, dos 4 verbos "frasais" que ele menciona, somente um (fall through -- intransitivo) é realmente um verbo frasal de acordo com a definição que eu uso. Todos os outros são verbos normais cuja regência exige uma preposição transitiva (ou seja, uma preposição que exige um "objeto").

Por outro lado, 100% dos verbos desse link eram frasais de acordo com a minha definição (e, aliás, apesar de ele não dizer nenhuma grande novidade, vale a leitura xP). Por fim, eu encontrei um link que tentava dar uma idéia de como é difícil determinar exatamente o que são verbos frasais e o que não são, e mostrava como o significado dos frasais pode mudar conforme o contexto (no caso dele, blow up poderia significar ambos "explodir" e "soprar pra cima" -- ou talvez a versão blow up que significa "soprar pra cima" não seja um frasal, daí u.u). De bônus, eu acabei encontrando um artigo da wikipedia (que não existe em outras línguas O_o) sobre verbos "catenativos", que achei mega interessantes xP


Recursão

Em alguns momento do meu TCC, eu percebi que havia escrito uma frase comprida demais e que, por causa do tamanho, o seu entendimento ficava difícil. Lembro que no mesmo dia eu tinha dito a um colega que existe uma língua que não permite recursão, e, como a frase me lembrou do assunto, resolvi "espraiar a cabeça" procurando um pouco sobre o assunto.

Aí eu achei esse blog, que dá uma explicada bem de leve no problema, e esse artigo, que só agora eu fui ter tempo de ler com calma. Como recursão em lingüística frequentemente aponta pra gramáticas generativas, criação e objeto de estudo do Chomsky (algo que eu só fui descobrir há pouco tempo), eu já concluí que isso não é algo que eu possa parar pra ler por agora xP [tem coisa demais nesse meio pra eu me afundar T__T].


Procrastinartigos...

Dentre as coisas que achei por aí, havia 3 artigos que eu deixei pra ler "depois" e que só agora fui terminar de ler.

EDIT: eu ía fazer uma postagem separada, mas fiquei com preguiça. Dane-se... vai ficar aqui mesmo u.u

Os três artigos são os seguintes:
David Wood -- Formulaic Language in Thought and Word: Vygotskian Perspectives

Alison Wray -- Formulaic Language in Computer-supported Communication: Theory Meets Reality
Kathy Conklin and Norbert Schmitt -- Formulaic Sequences: Are They Processed More Quickly than Nonformulaic Language by Native and Nonnative Speakers?
O que dizer? O primeiro deles tenta linkar as idéias dos estudos sobre linguagem formuláica (relacionados a como a gente lida com sequências formuláicas, e a por que processos mentais a gente passa pra fazê-lo) às idéias propostas por um cara chamado Vygostki (que eu não conhecia, mas que um amigo meu e uma prima minha me disseram ser top na pedagogia).

Enquanto descrevendo as idéias do Vygostki, me chamaram a atenção algumas partes relacionadas a como ele acreditava que o desenvolvimento do pensamento ocorria:
In Vygotsky's view (Vygotsky, 1934/1986), there are two planes of speech, the inner, semantic one, and the outer, or phonetic representation of it. A child masters outer speech from word to sentence, from part to whole, and inner speech from whole, meaningful complex to whole. These two processes run in opposite directions. At first, a child's thought is a vague, shapeless whole, and needs expression in a word. As thought gets more differentiated over time, there is less need for words, but for whales such as phrases and sentences and texts. As speech progresses to wholes in this way, thought also progresses in the opposite direction, becoming more particular and less holistic.
[... e depois, mais pra frente ...]
Another key point in Vygotsky's ideas of the development of speech and thought is the development of egocentric and inner speech (Vygotsky, 1934/1986). Both of these forms of speech in children are speech for oneself, while external speech is speech for others. Inner speech, the foundation of thought, is preceded by egocentric speech, a transition from the social connections through language of the child to individual activity and thought development. Egocentric speech, or talking aloud to oneself, serves mental orientation to tasks and conscious understanding of the environment. It especially appears to help the child overcome difficulty, and it increases in frequency when tasks require reflection and focus of consciousness. Egocentric speech is evident in young children who imitate speech sequences and structures observed in adult conversation, and use them to talk to themselves during individual play. Over time, this egocentric speech transforms into inner speech, a more internal, less vocalized, and less readily understood form of self-talk. In the end, inner speech separates completely from speech for others or social speech, and vocalization stops altogether. This is the foundation of thought.
 O que me "incomoda", de certa forma, é a parte em negrito logo ali em cima. Me pergunto: é incomum que vocalization não páre? Porque no meu caso eu acho que ele não tá nem longe de parar (sim, eu vivo falando comigo mesmo como forma de pensar -- e isso me ajuda affuuuu a estruturar meu pensamento ).

Já sobre o segundo artigo, ele é só uma descrição sobre como, realmente, boa parte das idéias propostas pela autora em vários outros escritos dela dão certo quando postas em prática -- e a leitura é tri agradável xP Uma idéia que eu acho legal que ela comenta no seu artigo é um tal de "princípio da needs only analisys", através do qual as partes de uma expressão idiomática só são analizadas separadamente se o seu significado como um todo não tiver sido recuperado com sucesso (ou seja, o significado da expressão "inteira" não fizer sentido).

O que eu achei tri é que justamente o terceiro artigo mostra que as expressões idiomáticas tendem a ser processadas mais rápidamente do que o mesmo número de palavras separadamente, mas que o nosso cérebro é rápido o suficiente pra se ligar quando o sentido da expressão é literal ou idiomático.



Random Links of Happiness

Bom... tem links que não caem em categoria alguma. Um deles é esse teste de vocabulário de inglês que um amigo meu me mandou e com que eu brinquei um pouco quando conheci. É bem legal, mas fica roubado quando a gente é latino, já que várias das palavras "difíceis" são nossas xP

A definição de idioma da wikipedia, essa lista de idiomas do inglês e essa definição de frasema da wikipedia (a nomenclatura pra Expressões Multipalavra não é muito bem definida ainda, e frasema é só mais um nome para um fenômeno muito parecido) também entram como links não muito bem classificados. Por fim, uma definição de gêmeos siameses em lingüística -- esse artigo é bem legal n_n




Finalmente, já to notando que eu to prometendo um monte de postagens e eu to com medo de não conseguir cumpri-las. Tomara que eu consiga e que gosteis delas: se a minha produtividade quanto a escritos aqui tem sido baixa, pelo menos a minha vontade de produzir tem sido bem alta xP

Eras iss...

R$

Nenhum comentário:

Postar um comentário