5 de abr. de 2014

Que andei ouvindo

(Eu quero pôr isso em algum lugar que eu saiba que, depois, quando eu quiser ouvir denovo, seja fácil de acessar)

Eu andei ouvindo, ultimamente, a trilha do Jurassic Park. Eu ouvi só a do primeiro filme, mas a lista de reprodução tem também a do The Lost World.

https://www.youtube.com/playlist?list=PL9127B29B6663E7B2

Deveis saber que eu não conheço grandes coisas de músicas de filmes, mas resolvi abrir uma exceção um tempo atrás e certamente não me arrependi =)

...

A segunda coisa que andei ouvindo foi esse concerto, Distant Worlds: Returning Home (porque foi apresentado no Japão):



Certamente, a parte de que eu mais gosto disparado é quando eles executam Dancing Mad (a partir dos 8min15):



Mesmo assim, a música da batalha contra o Gilgamesh no fim e o One Winged Angel do início também chamam muito a atenção

...

Por fim, uma outra coisa que andei ouvindo foi um disco com músicas de Final Fantasy em versão "orquestrada". Ele vai dos primeiros aos últimos Final Fantasies, na ordem, com músicas marcantes de cada um deles. Do Final Fantasy IV, inclui Battle with Golbeza's Four Emperors (minha música de formatura); do Final Fantasy VI, inclui, além da Opera, a Phantom Forest (numa versão MUITO tri!). Termina com um mix de vários battle themes e, é claro, One Winged Angel:



Eu acho triste como esse álbum consegue ser tão underrated. Ele tem pouquíssimas visualizações e é simplesmente incrível!

...

Enfim... essas são as músicas que eu andei ouvindo nos últimos tempos =) Como bônus, digo que assisti a esse concerto um tempo atrás e achei uma puta perda de tempo (fora a parte do Brass de Chocobo à 1h46min49sec; e fora a empolgação do pessoal quando começa One Winged Angel logo depois -- mas aí o Nobuo Uematsu vem com sua banda e estraga a música ¬¬):




Tomara que os leitores interessados por uma boa música gostem dessa postagem n_n

R$

9 de mar. de 2014

Sobre o Português e o Espanhol

Há algum tempo alguém me fez um comentário-pergunta (relacionado a linguagens, porque por qualquer motivo o assunto surgiu) que, na hora, pareceu mais crível do que um pouco depois: se o latim é mais complicado que o português e o português tem mais sons que o espanhol, então será que o espanhol não seria "uma segunda derivada" do português?

Porque estávamos discutindo sobre como o espanhol faz menos diferença entre vogais do que nós falantes de uma das mais ricas fonologias vocálicas de todas as línguas românicas, a pergunta pareceu fazer pleno sentido. Mas um pouco depois, pensando sobre como, por exemplo, o Latim não tinha artigos e nem futuro do subjuntivo (estruturas complexas que ambas as línguas desenvolveram independentemente da sua língua "mãe"), a coisa começou a degringolar.

Essa postagem, assim, meio que tinha a pretensão de linkar coisas que eu considero que possam me dar argumentos contra essa idéia.

Na postagem anterior eu falei um pouco sobre interações entre línguas. O que eu aprendi com isso foi que, normalmente, quando populações falantes de exclusivamente uma de duas línguas não mutuamente inteligíveis precisam se comunicar, elas criam um pidgin, que tem como uma de suas principais características o fato de ser uma linguagem simples. Daí eu gosto de extrapolar a idéia de que a interação entre essas duas populações tenderia a causar a perda de estruturas gramaticais de ambas as línguas.

Com essa idéia em mente, e tendo lido que os espanhóis só expulsaram os mouros quase 300 anos depois dos portugueses (aliás, um link bonzinho sobre o assunto foi esse aqui), eu gosto de pensar que talvez tenha sido culpa disso que o espanhol faça tão pouca diferença entre sons vocálicos.

A Wikipedia, aliás, mais uma vez se mostra bastante conveniente quando consultada sobre o assunto. Não esperava encontrar um artigo de comparação entre as duas línguas, por exemplo (e nem que os artigos de história de ambas fossem tão completos grandes).

Bom... de qualquer forma, acho que é meio simplista achar que tudo foi culpa dos mouros. Ambos portugueses e espanhóis foram muito influenciados por franceses durante todo o tempo, e o espanhol não era a única língua falada na região da atual Espanha (o que dizer do Aragonês, do Basco, do que hoje a Wikipedia chama de "Mozarabic" e do Leonês? [entre outros?]). Assim, eu acho muito mais crível que talvez toda essa interação entre línguas é que os tenha obrigado a dropar alguns sons pra permitir a mútua inteligibilidade. Ou então que os sons simplesmente tenham se [des]desenvolvido independentemente (o que, anyways, me parece sempre improvável, já que, em se tratando de línguas, a suruba é sempre o mais comum v_V).

Eu meio que paro minhas especulações por aqui. Essa busca só me fez abrir um monte de abas com texto demais para pouco tempo para leitura. Mesmo assim, não posso deixar de postar aqui algumas coisas que achei interessantes.

Eras isso...

R$

8 de mar. de 2014

Coisas aleatórias

De tempos em tempos eu me obrigo a fazer uma postagem aqui com conteúdo de um monte de coisas que eu vi, quero compartilhar, mas que não é suficiente pra ganhar uma postagem inteira.

Expletivos

Enquanto procurando por argumentos que mostrassem que o Espanhol não é "derivado" do Português como tem muita gente que de vez em quando supõe (engraçado é que falantes nativos de inglês creio que tendam a pensar justamente o oposto, já que o Espanhol é mais popular), acabei encontrando três artigos da Wikipedia que julguei interessantes.

O primeiro deles fala sobre um tal de Atributivo Expletivo, do qual o melhor exemplo que consegui achar foi

This is fucking awesome!
(Isso é realmente incrível!)

A idéia é que o adjetivo ou advérbio não contribui com significado, mas serve como intensificador. Tenho a impressão de que em português essa estrutura não seja lá tão bem desenvolvida quanto em inglês... e que se ela fosse talvez pudéssemos usar o expletivo como infixos, como ocorre em algumas frases do inglês:

This was un-fucking-believable!
(Isso foi in-fucking-acreditável!)

LOL... depois de escrever aqui que eu fui ver que no artigo ali da Wikipedia (eu não tinha lido ainda até o fim) inclusive se fala sobre como o inglês permite infixação dos expletivos.

O artigo da Wikipedia diz também que expletive vem do latim explere, que significa preencher. E outra coisa que também é chamada de expletiva são os Pronomes Expletivos (ausentes no português). Esses pronomes ocupam o lugar dos nossos sujeitos indeterminados em frases como

It is raining today.
(__ está chovendo hoje.)

Esses pronomes ocupam o lugar do que é chamado de Expletivo Sintático, i.e., lugares vazios que precisam ser preenchidos para que a sintaxe "funcione".

Dois videos interessantes

Eu queria muito compartilhar esses dois videos a que assisti já há algum tempo. O primeiro deles é do Vsauce. Apesar de não gostar lá tanto do modo como eles estruturam seus videos (dando informação sobre muita coisa bem pouquinho de cada uma -- e não aprofundando em nada, daí), eu entendo que o objetivo deles é direcionar o espectador interessado naquilo que ele quiser aprender. Assim, um dos links foi o segundo video, que me foi muito interessante:





Contato lingual

[Preferi chamar de "contato lingual" pra não traduzir como "contato linguístico" e não ficar explícito que eu to falando do contato entre línguas. Mas não sei se ficou claro, no fim u.u]

Nesses artigos da Wikipedia que eu vou linkar a seguir frequentemente eu caio por acidente e, porque eles são tão fortemente relacionados, eu nunca consigo abrir um sem abrir quase todos os outros. Também... eu nunca consegui terminar de ler todos -- porque eles falam todos de assuntos muito relacionados e sempre eu tenho a impressão de que eu não to sabendo de alguma coisa na hora de lê-los.

O primeiro deles fala de contato entre línguas. Os efeitos que esse contato pode ter são vários possíveis. Um primeiro do qual eu gosto muito (e do qual eu tenho sido vítima há algum tempo, digamos assim, porque eu tenho quase todo dia falado com uma pessoa gringa que me obriga a pensar durante algum tempo em inglês) é o empréstimo de palavras entre as duas línguas. Às vezes esse empréstimo é tão forte que o vocabulário inteiro de uma das línguas pode ser substituído pelo da outra -- apesar de o mesmo não ocorrer com as estruturas gramaticais. Outra possibilidade é que ambas as línguas convirjam (é essa a conjugação certa?) para uma situação em que elas sejam menos diferentes do que eram inicialmente.

Outras coisas podem acontecer. Quando uma das línguas tem mais prestígio do que a outra em meio à população onde elas são faladas, essa língua pode, ao longo de muitas gerações, substituir a que tem menos prestígio. Por fim, quando duas populações precisam se comunicar mas não são fluentes em ambas as línguas (i.e., cada membro é fluente em somente uma das línguas), então uma "língua simplificada" pode surgir (que não é a língua nativa de ninguém). Se esse contato entre as duas populações perdurar por tempo suficiente para que crianças nasçam e aprendam a "língua simplificada" como língua nativa, então essa língua pode acabar se tornando um crioulo. Às vezes, porque o prestígio de uma das línguas da população é maior do que o da outra, o crioulo pode "se aproximar" da língua de maior prestígio.

Às vezes, nem mesmo é necessário que duas populações interajam para que a língua da população mude (aliás, às vezes eu penso que isso inclusive tem acontecido no Brasil, que não me surpreenderia se daqui a 150 anos fosse bilingual em inglês -- ou mesmo monolingual em inglês [mas eu não to dizendo que seja isso que vá acontecer u.u] --, apesar de o mais esperado por mim seria que a gente só se orgisse com o inglês um pouco -- e criasse uma coisa bem mais próxima de um Porglish [no puns intended]).

O mais engraçado de tudo pra mim é que realmente tem gente que crê numa tal de "teoria monogenética dos pidgins", que diria que todos os pidgins seriam derivados de um único dialeto (**raising eyebrown**). Esse artigo da wikipedia, por outro lado, linka um outro artigo do qual eu gosto bastante: a "teoria da linguagem bioprogramada" (tradução advinda da versão em galego da mesma página). Apesar de o artigo aparentar dizer que a teoria não funciona muito bem, ela me parece muito próxima da idéia de "gramática universal" super-popular hoje entre lingüistas u.u (mas é verdade que eu acho que entendo pouco demais sobre isso pra querer debater =/)

Bonus

Descobri duas coisas legais hoje enquanto lendo. A primeira é que praeter- em latim é um prefixo que significa além, exceto, e que praeterire é proveniente de praeter + ire e significa desconsiderar, negligir (além de umas outras coisas). Assim, praeteritus significaria desconsiderado, negleto, e seria uma boa forma de se referir ao passado.

A segunda é bem mais tri. Matricula é descendente de matrix + ula, onde ulus é um sufixo que se usa para formar o diminutivo (portanto, matricula significaria matrizinha). Mais do que isso... matrix é derivado de mater, i.e., mãe.

Legal, né?

R$

Usando a internet de verdade

Apesar de ter uma conta no Facebook, eu sempre o considerei um veneno: sempre tive a impressão de que ele só serve para me fazer perder tempo quando meu tempo é livre.

Alguns dias atrás eu havia resolvido finalmente fazer uma conta no Reddit e substituir cada vez mais o meu uso de Facebook por uso no Reddit, um dos lugares em que a internet realmente acontece (tá certo que tem coisas que ocorrem em vários outros grandes lugares da internet, mas pelo menos normalmente elas não ocorrem no Facebook u.u). Tendo criado a conta lá, me subscrevi em vários subreddits relacionados a lingüística onde eu poderia aprender alguma coisa. Me seria divertido (me está sendo, na real).

Hoje, porém, conversando com a minha mãe, descobri algumas coisas interessantes. Descobri que ela, já há algum tempo, havia começado a participar de um grupo (que tem algo como 4k membros) onde as pessoas compartilham livros. De um, ela foi entrando em outros e outros e quando viu já estava nuns 20. Todos eles totalmente brasileiros (i.e., em português), e em todos eles ocorre criação de conteúdo original (autores postam seus livros por lá), fanfics e até mesmo traduções. A maior parte deles ou fechado ou mesmo secreto

Achei o máximo: minha mãe estava fazendo o que eu considero que a maior parte das pessoas no Facebook não deve fazer: usando a internet de verdade. Como eu ía imaginar que esse tipo de coisa ocorreria no Facebook?!?! Ao comentar com ela sobre o Reddit, ela me comentou que o seu grande problema é que o conteúdo por lá é normalmente em inglês.

Tendo procurado por Latim lá, encontre esse grupo, que parece bom o suficiente para achar material de leitura e tal.

Fiquei feliz: minha impressão sobre o Facebook melhorou (apesar de ainda ser péssima) bastante depois dessa descoberta.

R$

Um pouco mais sobre Latim

Pra quem convive comigo não deve ser surpresa alguma que estou aprendendo latim. Passo muito tempo (DEMAIS!) pensando, matutando, lendo e rindo sozinho das coisas que aprendo. Hoje resolvi apresentar por aqui algumas delas (já que faz uma era que não posto por aqui xP).

Sufixo Incoativo


Ontem estava indo comer um xis com um amigo que não via há muito e, no caminho, ía pensando sobre o verbo adolescere em latim. Há algum tempo (sozinho, do nada) eu tinha notado/descoberto que adultus era o seu particípio passado e, porque havia lembrado sobre o ocorrido, fiquei me perguntando se o ad do início não seria decorrente da preposição ad. O motivo é que estava comparando com a preposição ab, que se torna a quando precedida de consoante (algo que também me tomou algum tempo para notar -- eu notei "sozinho" quando li que a preposição ex sofria o mesmo tipo de alteração [apesar de haver exceções]).

Na hora, minha suposição foi a seguinte: que adolescere viria de ad + dolescere. Questão é que eu tinha já em mente a idéia de que todos os ecer do português são criação "mais nova" vinda do latim vulgar e ausentes no latim clássico (sim, é verdade, estava ignorando o sc ali). Um exemplo seria

oboedir --> oboedecere --> obedecer

Porque eu supunha que ecer/escer fossem invenções do povo (o latim vulgar é o latim "que o povo falava" -- porque vulgus é povo em latim, anyways), eu passei a imaginar a possibilidade de dolescere significar dolere. E dolere significa doer em português, e então tudo me pareceu fazer muito sentido: o adultus seria uma pessoa sofrida e, portanto, já digna do status de "completa" na sociedade.

Mas, bem, sim, eu estava errado. Acontece que na verdade adolescere vem de ad + alescere, onde alescere significa "começar a alimentar" (o uso é meio estranho: apesar de alescere ser usado de forma ativa, ele tem um significado na verdade passivo. Assim, na verdade, alescere significaria "começar a ser alimentado").

Tá... mas aí o Wiktionary dizia algo bem legal sobre alescere:

Etymology

Inchoative or inceptive form from alō (foster), + inceptive suffix -ēscō.
 
(forma Incoativa ou inceptiva de alō (“eu alimento), + sufixo inceptivo -ēscō.)

No caso, alere é o verbo alimentar (daonde vem aluno, alimento, ...). Eu fui atrás do "sufixo inceptivo -esco" e, quem diria, ele era um sufixo produtivo no latim que indicava o aspecto "incoativo" ou "inceptivo/incetivo" (eu gosto de traduzir como incetivo porque foi-se o tempo em que as palavras guardavam esses p mudos no português), que, no caso, indicava "início de". Assim, em latim, se eu quisesse dizer que eu "ía começar a fazer tal coisa", me bastava adicionar um -sc- e tava feito o carreto \o/

O que eu achei legal disso é que aquela minha suposição de que ecer era coisa de latim vulgar caiu por terra / foi por água abaixo. Um exemplo é a palavra aparecer (que tem aparente [e não aparecente] como particípio presente):


Etymology

From Old Portuguese aparecer, from Late Latin appārēscere, present active infinitive of appārēscō (begin to appear), from Latin appareō.

(do Português Antigo aparecer, do Latim Tardio [tardio?] appārēscere, infinitivo presente ativo de appārēscō ("começo a aparecer"), do Latim appareō.)


Prevérbios

O leitor astuto deve ter notado que o o em adolescere não aparece na construção ad + alescere. Tendo clicado na palavra inceptive no Wiktionary, notei sua etimologia:

Etymology

From the French inceptif, from the Latin inceptīvus, from incipiō (I begin).

(do Francês French inceptif, do Latim inceptīvus, de incipiō (eu começo).)

Cliquei na etimologia de incipio e descobri que vem de in + capio. Como assim? O verbo não era incipio? Daonde saiu aquele a em capio?

[aliás, diga-se de passagem, o particípio passado de incipio é inceptus, de onde vem a palavra inception, no inglês xP]

Eu não tenho muito para explicar aqui, mas a moral é que essa parte da postagem foi feita só para eu pôr esse link aqui (do Elmord's Magic Valley), onde o autor descreve sobre a existência de prevérbios e de algumas mudanças vocálicas quando a preposição é "acoplada" ao verbo.

No mais, outros exemplos incluem incidir, que é derivada de in + cadere (onde cadere significa cair -- e é daonde veio a expressão "estrela cadente" [i.e., estrela que cai]); e a oposição placere (gostar) vs. displicere (não gostar).

Infinitivo Futuro Passivo

Na minha busca por informações sobre "incoativo", acabou me chamando a atenção como os infinitivos futuros passivos são formados. Normalmente eles são compostos por dois verbos: o verbo "principal" em sua versão "supino" + o verbo eo (que significa ir) no infinitivo presente passivo (i.e., iri).

Assim, o infinitivo "ir ser cantado" é conjugado como cantatum iri.

Pra mim isso é interessante porque me mostra como há 2000 já se usava o verbo "ir" para marcar o futuro (como fazemos hoje -- sim, de forma diferente, mas enfim).

Aspecto Frequentivo

Por fim, ao procurar por mais informações sobre as coisas que escrevi logo aqui em cima, acabei descobrindo que a palavra cantare é proveniente da flexão do verbo canere (cantar) no aspecto frequentivo. Assim, da mesma forma que se usa -sc- para indicar "início de", se usam os sufixos -tāre/-sāre, -itāre e -titāre/-sitāre para indicar "feito com frequência".

A página da Wikipedia sobre o assunto dá até vários exemplos de verbos que se usam hoje e que são provenientes do uso dessa regra.



Enfim... isso cobre várias abas que deixei abertas desde ontem sobre vários assuntos. Tomara que isso crie pelo menos algum interesse no leitor sobre essa língua que pra mim tem trazido muita diversão.

R$

13 de jan. de 2014

Preconceitos

Pois... Feliz Ano Novo \o/

Depois de 13 dias, finalmente uma postagem por aqui no ano de 2014.

Eu vim dizer que a minha vida finalmente tomou rumo e eu agora sei mais pelo menos melhor o que será dela. Se até alguns dias atrás eu achava que ficaria vagando pelo vazio sem nada para estudar/fazer e tal, agora já está definido que continuarei a estudar fazendo cadeiras de um futuro (mas ainda talvez não bem real, na real) mestrado focado em Processamento de Linguagem Natural (especificamente interessado na aquisição de linguagem).

Isso significa que provavelmente eu continuarei brincando com linguagens, mas que finalmente poderei fazer alguma cadeira da Letras que me ensine um mínimo de lingüística como ela é vista pelos "humanos". Ao mesmo tempo, isso significa que eu terei de conviver com gente da Letras, e aí entra uma questão interessante.

Eu demorei pra aceitar, mas eu finalmente concluí que eu definitivamente tenho preconceito com estudante de vários cursos de humanas (Letras, História, Geografia, ... -- mas não todos, já que Direito e Biblioteconomia não estão inclusos na lista). É engraçado: mesmo assim, tenho vários amigos da Letras, das Sociais ou da História contra quem não tenho nada.

O que acontece é que eu uso "ser estudante desses cursos" como uma proxy (como dizem alguns com quem convivo) para "são bando de revolucionário esquerdistinha maconheiro feminista" -- o que não significa que eu não simpatize com algumas idéias de alguns desses grupos, mas que em geral eu esteja indisposto a ter de ficar agüentando suas idéias tanto quanto eles estão dispostos a ouvir a palavra de Deus proferida por um Testemunha de Jeová. Ou seja... o relacionamento com essas pessoas já pra mim começa com um pé atrás.

O que uma amiga minha me fez notar é que, na real, eu não preciso conhecer essas pessoas como "amigas" (ou seja, conviver com elas a ponto de interagir com seus pensamentos): basta que eu as conheça como colegas, i.e., que eu interaja com o seu trabalho, que provavelmente me seja pelo menos mais interessante do que os seus ideais políticos.

Mas, aliás, falando em palavra de Deus, é verdade que eu também tendo a ter preconceitos com crentes. Em geral, eu faço todo um esforço (enorme!) pra não me deixar influenciar por esse preconceito, mas de vez em quando acaba acontecendo. Enquanto, sim, eu sou crente, eu tendo a sempre esperar dos crentes com quem eu vou conversar que eles venham com idéias sem nexo, teorias da conspiração, paranóias com mensagens subliminares, teologias da prosperidade, profetadas divinas (ou histórias de que Deus mandou a alguém algum aviso) ou arcaicismos e péssimas interpretações da bíblia, daquelas de fazer rir. Especialmente quando o crente é "de congregação", é bem tenso ouvir dos seus dotes musicais ou tratar de idéias simples como cabelos e vestimentas.

Da mesma forma, às vezes eu mesmo me sinto preconceituado por conta da minha crença. Basta dizer que sou crente e as pessoas já tiram um enorme conjunto de conclusões sobre o meu comportamento, a minha capacidade intelectual ou mesmo sobre que assuntos são "próprios" para se conversar comigo. Enquanto eu normalmente evito assuntos "controversos" quando conversando com pessoas que eu sei que discordam de mim, tem gente que não se dá conta de o quão inconveniente é quando fica insistindo v_V [porque, sim, não são só os Testemunhas de Jeová ou os crentes que fazem questão de disseminar suas crenças]

Aliás... esse é um ponto que eu acho estranho hoje em dia. Enquanto alguns grupos se sentem na "legitimidade" de "desclassificar" a minha crença como algo que possa ser passado adiante... eles próprios clamam por "liberdade de expressão" e fazem o mesmo tipo de esforço para passar adiante as suas. É o mesmo caso de quando os mesmos grupos exigem "maiores discussões" sobre alguma coisa, mas não deixam que a discussão flua quando ela favorece a opinião alheia/divergente (vide videos sobre as discussões do Parque Tecnológico da UFRGS).

Invertendo um pouco o assunto, eu acho interessante como eu não tenho alguns preconceitos que eu vejo muita gente tomar como a mais pura verdade às vezes em algumas discussões. É claro que todo mundo faz piadinhas com "mulheres no volante" ou com que "mulheres são fofoqueiras", mas eu sempre tomei isso como simples piada. Tem gente, por outro lado, que realmente acredita que elas sejam piores motoristas ou especialmente mais fofoqueiras que os homens. Um exemplo ocorreu esses dias: uma pessoa comentou (seriamente) que, enquanto homens tendem a sentar e fazer seu trabalho objetivamente, mulheres ficariam conversando, fofoqueando, se fresqueando para fazê-lo. Outro exemplo que consigo lembrar ocorreu no segundo semestre da faculdade, quando boa parte das gurias haviam ido mal nas cadeiras relacionadas a programação e um colega comentou que o nosso curso "não era pra gurias". Apesar da "evidência", eu ri xP

Por outro lado, quando eu vejo a paranóia feminista de que "as mulheres são consideradas mais fracas, logo, inferiores. Gay é "xingamento" porque ser gay é ser um homem mulherzinha.", eu logo me pergunto: e não é a mulher em geral "mais fraca" mesmo? (e, nesse quesito, sim, eu tendo a ter facilidade de acreditar que negros são sim mais fortes em geral que homens brancos) E em que isso tem a ver com "ser inferior"? E se "gay é "xingamento" porque ser gay é ser um homem mulherzinha", então por que eu não vejo mulheres machorras serem consideradas "mais fortes" e, portanto, "superiores" pela sociedade? (ou seja, seguindo a mesma lógica) Eu vejo que tem muita paranóia onde o preconceito não está.

Enfim... eu vejo que esse assunto é um negócio que vai longe. O que eu posso dizer é que, sim, eu tenho preconceitos, mas eu faço todo um esforço pra que eles não me impeçam de interagir com as pessoas com quem eu tenha de ou queira interagir. Cada vez mais eu tenho notado o quão legal/conveniente/interessante é conhecer pessoas, e, enquanto eu realmente não sou bom com isso, eu tenho tentado xP (e isso significa tentar [tentar!] deixar alguns preconceitos para com alguns tipos de pessoas de lado -- apesar de que não tem como eu aceitar pessoas fedendo a maconha na minha presença... lamento =/ )

Eras isso... u.u

R$

31 de dez. de 2013

Brasileirismos

Desde há pouco mais de 3 meses, um conjunto de pessoas novas foram introduzidas à minha convivência diária. Algumas delas não são gaúchas, e dentre essas há ainda um grupo de pessoas que morou em outro estado (não o RS e nem o seu) antes de chegar aqui. Assim, frequentemente algumas "features" (como dizer feature em português? Atributo? Detalhes? Nem sei... mas só sei que pra mim feature é feminino xP) da sua fala me chamam tanto a atenção que eu nem consigo prosseguir atento ao que dizem.

[Mudando dos paus pra canoa...]

Esse natal, duas primas com quem eu me dou muito bem passaram lá em casa. Uma delas mora em Salvador há já uns 10 anos (mais?), e a outra mora em Floripa há pouco menos e agora voltou pra cá. Um primo que morou 25 anos no Espírito Santo também estava por casa, e pra completar um amigo de Recife passou o natal por lá. Conversa vai e conversa vem, eu frequentemente me pegava divagando da conversa e notando quando o seu sotaque ficava forçado ou quando usavam de forma bizarra (para o meu português) algumas palavras.

Essas interações me motivaram a fazer uma postagem sobre alguns brasileirismos que já me chamaram a atenção demais para eu não escrever em algum lugar.

Eu randomly achei essa tirinha uns dias atrás e ela agora deu MUITO bom
Mas antes de qualquer coisa eu faço questão de adicionar um disclaimer (com título garrafal pra que todos entendam):

Disclaimer

Percebei que todas as "não-gramaticalidades" listadas a seguir não estão erradas. Errada deve estar a gramática, por não tratar dessas especificidades. Se essas "não-gramaticalidades" permitem (e até mesmo facilitam) a comunicação, então elas devem ser tratadas como melhorias, como patches, como plug-ins à gramática, talvez somente não aceitas em contextos mais formais.

Digo isso para que não me surja ninguém a dizer coisas along the lines of "como a gente fala errado" ou "como gente de [lugar X] fala errado", etc...


Em --> Ne

Essa parece ser típica dos mineiros e capixabas. O primo a que me referi, que morou 25 anos no ES, já me havia comentado como o povo de lá dizia ne mim em vez de em mim.

Quando comecei a conviver quase diariamente com as pessoas a quem referi no primeiro parágrafo, logo notei o mesmo uso por parte de um mineiro. Aliás, vereis que boa parte da responsabilidade pela criação dessa lista de "brasileirismos" é culpa dele xP

Bom... continuando com o que interessa, essa substituição me fez notar algo legal. Em português, temos dois sons para a letra m (acho que o nome disso é alofonia, certo?). Quando acompanhado de vogal, o m tem o som de m normal (ou seja, /m/). Quando em fim de sílaba, o m, que antes era labial, passa a ser nasal-palatal-aproximante, o que é denotado no IPA (o alfabeto fonético internacional) pelo símbolo /ȷ̃/ (notai a sua pronúncia em palavras como amém, alguém, porém, ..., e como ela se assemelha à pronúncia do n em palavras como dengue, capenga, incas, enrolar).

Aí eu fiquei me perguntando: qual a diferença entre em algum e nhalgum, foneticamente, para nós brasileiros? E me convenci de que a resposta simplesmente é "nenhuma!". E aí eu notei o quanto nhalgum se assemelha de nalgum, e fiquei me perguntando se não teria sido daí que surgiu essa regra totalmente sem sentido (até então) de quem em + o = no (e variações).

Eu não tenho a resposta para isso ainda, mas acho que faz um mínimo de sentido xP



Pra mim + infinitivo

Tá tá... eu sei que o título é "brasileirismos", mas a utilização por parte de outrem (gente de fora, que vem pra cá e incorpora nosso jeito de falar) dessa "não-gramaticalidade" me obrigou a pôr esse item, típico de gaúchos, nessa postagem. A gente vive aprendendo, e reouvindo, e redizendo, e reexplicando pras pessoas que "mim não conjuga verbo" e aí dando exemplos de como fiz esse bolo pra ti comer não significa fiz esse bolo pra tu comeres, mas não adianta.

Em casos capciosos como esse aí de cima, a prosódia é quem nos diz tudo 6__6
Achei interessante pôr isso aqui porque um amigo meu diz que só gaúcho diz isso; mas o mineiro ali a que referi acima inconsistentemente (ou seja, às vezes sim e às vezes não) diz isso também.


Sobre o "Pila"

Fiquei sabendo que pila (dinheiro) se diz em tudo que é lugar. Enquanto, por outro lado, pila indica pouco dinheiro, uma recifense me disse que usaria pila para falar de algo que custou caro O_o

No mais, ela e um outro recifense disseram que pila era algo que se entendia mas que pouco se falava. Fiquei pensando que talvez fosse como cafageste e canalha, que, apesar de perfeitamente audíveis como xingamentos (acho que por causa da TV), nunca sairiam da boca de um gaúcho.

Agora me veio a curiosidade sobre se pila lá fora se usa no plural. No sul as pessoas tendem a marcar o plural em somente uma palavra [ou seja, não há concordância de número, quase] e eu fiquei me perguntando se esse efeito também ocorre nas outras regiões. Percebo que fazemos o mesmo com barão (R$1000, pra mim, pelo menos) e conto (de fato, acho que nunca ouvi barão no plural).


O uso da palavra Guri

Eu já disse que tenho uma prima que mora em Salvador. Lá, naturalmente, é de se esperar que não se diga guri. Eu não gosto de pensar no Brasil através de isoglosses, mas tenderia a pensar que a partir de uma certa região do país a palavra guri receba uma conotação negativa (em Floripa já é negativo, por exemplo) e dali pra frente a coisa só piora.

Eu lembro que o Wolverine, no desenho do X-Men antigo (aquele com a abertura Age of Empires-like -- comparai com isso), chamava a Jean Grey de guria e eu achava estranho isso.

Nevertheless... a minha prima disse que descobriu um uso de guri que os baianos aceitam perfeitamente: quando dentro da expressão quando eu era guri. Diz ela que o baiano com quem ela conversava achou até um absurdo que ela questionasse o seu uso de guri no meio dessa expressão, como se nem houvesse outro modo de dizer a mesma coisa. Eu achei legal que essa é certamente mais uma dessas expressões formuláicas que não são analizadas por inteiro e que usamos sem nem pensar em como elas pouco ou nenhum sentido fazem, como quem me dera (onde o dera é um resquício de pretérito mais que perfeito na nossa fala) ou assim que [X ocorrer] (qual o sentido de assim que aqui? O_o].


Enfraquecimentos e Assimilações

Na postagem anterior, eu comentei que andara lendo sobre algumas mudanças sonoras e listei quatro tipos por que eu mais me havia interessado no momento. O motivo do meu interesse pelo assunto e por aqueles tipos em especial era que eu andei notando (tendo a impressão, pelo menos -- mais uma vez por culpa de uns "mineirismos") que algumas mudanças sonoras estão em "passos diferentes" dependendo da região.

Quatro expressões foram as causadoras dessa minha impressão: doce de leite, de jeito nenhum, desse jeito e monte de coisa. Eu tentei criar uma tabela com o modo como eu espero que elas sejam pronunciadas abaixo. Em casos em que o d está acompanhado de um e ou i, ele normalmente muda a sua pronúncia (o que também ocorre com o t). Para representar essa alofonia, eu uso os grupos dg e tch. Eu também tentei criar uma transcrição pelo IPA, mas sou n00b com o IPA e nem sei se o usei certo xP Eu represento o fim em "nenhum" como um ɐ̃, mas não tenho certeza de o quão certo está isso. Todas essas pronúncias são o que eu espero quando essas frases são pronunciadas rapidamente (como dentro de uma frase proferida por uma pessoa relativamente brava).

-- RS RS -- IPA MG MG -- IPA 
Monte de coisa Montchcoiss ou
Montchcoia (eu) 
Mont͡ʃi'kojs ou 
Mont͡ʃi'koja
Mondgicoi Mond͡ʒi'koj
Doce de leite Doss dgi leitch Dos d͡ʒi 'lejt͡ʃ Dojdgi lei Doʒd͡ʒi 'lej:
Desse jeito Dess jeit Des 'ʒeit Dejei De'ʒej
De jeito nenhum Dgei tnehum Dʒej tne'ɐ̃ Dgeinihum Dʒejne'ɐ̃

O que eu acho legal notar é que, enquanto em MG os ts e os ds já sofreram enfraquecimento affuuuu, a fala do pessoal gaúcho ainda é mais conservadora. Detalhe é que esses enfraquecimentos mineiros em geral não causam dificuldade no entendimento (na maior parte das vezes xP), e, sinceramente, eu só espero que eles não continuem evoluindo muito mais por causa da interação deles com o resto do país (que começaria a se tornar problemática a partir de um certo nível).

Mesmo assim, me é interessante que paradoxalmente eu fale (pra não dizer que "as pessoas falam isso no RS") coisas como ó aí ó (com o sentido de olha para isso olha), poblema ou pa/po (no lugar de pra e pro) -- isso pra não citar o (toma), que entrou artificialmente no meu vocabulário.

M de Monchito [...], T de Monchito, e O de Oscar


Falando em sons, eu achei que seria legal comentar sobre alguns alófonos. Os comuns todo mundo já conhece: quem não gosta de folgar no r de roceiro de uns paulistas, ou no r "trinado" (que eu queria muito ter) de uns interioranos? E os ds e ts de uns nordestinos (pra ser justo, são só algumas regiões), que não mudam de pronúncia quando acompanhados de sons de i?

Uma coisa que eu ando notando já há uns tempos é como o ê e o i são mais ou menos alófonos também aqui no RS. Expressões como desculpa aí ou e aí? são facilmente deturpadas para desculpa aê (e daí desculpaê) e iaê? (ou eaê?). Eu to pra dizer que isso só ocorre em fins de frase, mas vislubraria o dia em que alguém dissesse quase caê ali hoje (com ares de maloqueiro, que é bem o tipo de gente que eu espero que conduza essa mudança xP). Talvez isso seja bem coisa de gaúcho mesmo: a gente vive querendo mudar sons de vogais, como uns que viram lããã e depois uns lææææ.

Precisa + verbo

Um tempo atrás, quando eu ainda via meu pai com mais frequência, eu assisti a uma propaganda do canal Futura em sua casa onde um cara saía às ruas perguntando qual era o certo: precisar de fazer ou precisar fazer?.

A resposta é obviamente a segunda opção: o verbo precisar, quando catenativo, não espera a preposição de. Eu sempre achei que isso fosse conhecimento comum, e algo que as pessoas normalmente não "errassem" (não que isso seja errado). Mas lembro que ao ver a propaganda comecei a supor que talvez isso não fosse verdade.

O convívio com o mineiro já referido (bá... essa é a última vez que pego no pé dele... sério xP) me mostrou que definitivamente não era verdade: ele quase sempre diz precisar + de+ verbo no infinitivo.

Lembro que uma vez eu vi uma mulher que cometia esse erro no Casos de Família do SBT (a que minha vó assistia frequentemente =/ ), e lembro que ela foi a mesma que me fez perceber que tem paulistas (creio que no interior) que não usam subjuntivo (e falam coisas como ela queria que ele se mudava pra lá O_o). O Geraldo Alckmin também me chamava a atenção errando uma vez lá que outra esses precisa + de (procurei um video em que ele o fizesse mas fiquei sem saco e logo desisti) -- aa, bom, mas se até o Alckmin erra isso, então deve não ser grandes problemas, né?


Ques coisa... e os s gaúchos

Gaúcho tem mania de não terminar palavras em s. Quando conjugamos verbos na primeira pessoa do plural, os s logo vão embora. Quem é que diz vamos, quando vamo já é suficiente? E comemo, andamo, ...

Mais do que isso, temos o costume de não conjugar a segunda pessoa do singular. Enquanto outros estados, quando o fazem, frequentemente comem um t do pretérito perfeito (pernambucanos, catarinenses, paraenses e mesmo os riograndinos daqui do RS dizem fizesse no lugar de fizeste [um típico caso de elisão xP]), nós simplesmente nos rendemos à terceira pessoa, e mais uma vez eliminamos os s de tudo: tu come, tu anda, ...

Nessa perda de s de tudo que é lugar, perdemos nossos plurais também: quem é que precisa dizer os litros, os tomates, quando os litro e os tomate são suficientes? Os s são marcados somente nos artigos; mas o que acontece quando omitimos os artigos? A minha crença é que eu faça o mesmo que quem não usa pronome relativo: coloque um pronome depois, onde eu possa marcar o plural (ex.: tomates, eles são bons pra saúde). Mas acho que tem gente que ainda marca o plural no próprio nome.

Mais do que isso, temos cada vez mais eliminado a necessidade do nós e usado a gente no lugar. Eu já notei que uso a mesma estratégia do parágrafo anterior pra evitar a conjugação na primeira pessoa do plural. Assim, em vez de dizer Eu e a minha mãe fomos ao mercado ontem, eu digo Eu e a minha mãe, a gente foi ao mercado ontem [aliás, isso me soa meio francês u.u].

Tá... então agora surgiu uma regra pra nós de que plurais são marcados somente em artigos e pronomes, certo? Nessa regra, um pronome acabou passando a concordar em número: o que. Se antes se dizia eu não sei de que tomates tu tá falando, agora a regra define (algo que eu não digo naturalmente, mas faço todo um esforço pra usar -- porque acho legal) que se diga eu não sei de ques tomate tu tá falando. Isso fica mega evidente quando alguém quer fazer uma reclamação contra algo plural. Em vez de dizer, por exemplo, Potz... mas que crianças do inferno, muitos dizem Potz... mas ques criança do inferno [notai o "Potz" ali, mais um caso de gaúchos mudando a pronúncia de uma vogal u.u].


O vocativo

Notei esses dias que o português marca sim o vocativo -- pelo menos na fala. Frequentemente, quando eu quero chamar a atenção de alguém, eu não digo, como na bíblia, coisas como Oh homens de pouca fé (um Oh aberto, como o o em pobre); mas se eu estivesse querendo interpelar alguém, diria naturalmente "Ô pessoa" (com o O fechado).

Apesar de eu nunca ter notado, isso ocorre o tempo todo. Fiquei me perguntando se isso ocorreria somente no Brasil ou se ocorreria também em Portugal. Digo isso porque a Wikipedia em inglês diz somente:

Catalan and Portuguese use the personal article, but drop it in front of vocative forms.
O que pra mim não significa nada (eu não dropo nada quando quero chamar alguém O_o). Já a Wikipedia em português diz isso:

Entre as línguas românicas o vocativo foi conservado apenas no romeno.
O que não é verdade, na real, dado que, se a nossa marcação de vocativo não é morfológica, pelo menos nós temos uma marcação.

Infelizmente, essa marcação só ocorre às vezes, e os exemplos comuns de vocativo normalmente não contemplam o Ô ali de cima =/ Um exemplo típico pra mim é algo como "Eles trazem o almoço aqui, João". Me é engraçado que uma das frases mais proferidas por crianças (e alguns adultos xP) normalmente já marquem o vocativo tranquilamente: Ô mãe!


Bônus


Eu tenho sérias dificuldades pra achar verbos frasais em português. Por acaso, esses dias, notei a existência de vários. Escrevi aqui -- e tomara que alguém consiga me dizer mais alguns:


ir atrás, ir embora, deixar para trás, jogar pra escanteio, deixar de canto, deixar de fora, deixar de lado, jogar fora, entregar de volta

Eu não sei direitinho ainda como "analisá-los", mas os deixo aqui pra um futuro distante, quando eu talvez queira pensar nisso denovo.


...

R$

29 de dez. de 2013

Random Links pós-TCC

Bom... então... como todos sabeis, eu terminei o TCC há poucos dias. E, como eu já disse anteriormente, no tempo em que eu estava fazendo-o, eu deixei muitas abas no meu navegador abertas, esperando por alguma atenção. Algumas delas ficaram abertas até que eu as referenciasse por aqui; outras, ainda nem lidas haviam sido.

Mudanças sonoras

As abas contemplam vários assuntos: desde recursão em línguas, passando por verbos frasais, e finalizando em alguns links sobre criação de painéis e gráficos em R. Num dos últimos dias, por exemplo, passei o tempo todo lendo sobre mudanças de sons em línguas (o motivo ficará evidente numa próxima postagem). Estou longe (e nem tenho a pretensão) de esgotar o assunto, mas gostei bastante do que aprendi. Foquei mais ou menos em 4 grandes tipos de mudanças:

  • Assimilação (que engloba vários outros tipos de mudanças sonoras, dentre os quais os que mais me interessaram foram metafonia [e, daí, a nomenclatura vai à loucura e eu só vou deixar os links de harmonia vocálica e umlaut aqui], e harmonia consonantal): o efeito em que um som de uma palavra se torna mais próximo de um outro som em suas redondezas (um bom exemplo é como o n muda de lugar conforme a consoante que o segue: enquanto ele é pronunciado "na frente da boca" em palavras como dentro [ok ok, exceto em alguns sotaques como o de Bento Gonçalves, no interior gaúcho], ele é pronunciado "no fundo da boca" em palavras como dengue).
  • Elisão (que eu conhecia com o nome de síncope): o sumiço de uma parte de uma palavra para facilitar a sua fala (como o sumiço do p em excepto, ou do c em facto e em insecto. Outros bom exemplo é a contração para o --> pra o --> pro ou o pronome cada vez mais comum ). Quando a elisão ocorre no fim de uma palavra, ela é chamada de apócope.
  • Lenição: o enfraquecimento de uma consoante (um ótimo exemplo são os particípios passados do latim, que fizeram a transformação tus --> do pra chegar ao português).
  • Fortição: o oposto de lenição xP (bem mais incomum, obviamente)

Verbos frasais

Bom... voltemo-nos a verbos frasais agora. Ao longo do meu TCC, eu citei vários verbos frasais como exemplo de algo [que eu queria exemplificar no momento]. Como verbos frasais tendem a ser um tópico "avançado" de inglês, eu me sentia [e sinto] frequentemente inseguro para criar exemplos que não os que eu já havia visto alhures. Por isso, eu fui atrás de novos verbos na internet em lugares que parecessem minimamente confiáveis.

Nessa busca, acabei percebendo o quanto verbos frasais são frouxamente definidos por aí. Nesse link, por exemplo, dos 4 verbos "frasais" que ele menciona, somente um (fall through -- intransitivo) é realmente um verbo frasal de acordo com a definição que eu uso. Todos os outros são verbos normais cuja regência exige uma preposição transitiva (ou seja, uma preposição que exige um "objeto").

Por outro lado, 100% dos verbos desse link eram frasais de acordo com a minha definição (e, aliás, apesar de ele não dizer nenhuma grande novidade, vale a leitura xP). Por fim, eu encontrei um link que tentava dar uma idéia de como é difícil determinar exatamente o que são verbos frasais e o que não são, e mostrava como o significado dos frasais pode mudar conforme o contexto (no caso dele, blow up poderia significar ambos "explodir" e "soprar pra cima" -- ou talvez a versão blow up que significa "soprar pra cima" não seja um frasal, daí u.u). De bônus, eu acabei encontrando um artigo da wikipedia (que não existe em outras línguas O_o) sobre verbos "catenativos", que achei mega interessantes xP


Recursão

Em alguns momento do meu TCC, eu percebi que havia escrito uma frase comprida demais e que, por causa do tamanho, o seu entendimento ficava difícil. Lembro que no mesmo dia eu tinha dito a um colega que existe uma língua que não permite recursão, e, como a frase me lembrou do assunto, resolvi "espraiar a cabeça" procurando um pouco sobre o assunto.

Aí eu achei esse blog, que dá uma explicada bem de leve no problema, e esse artigo, que só agora eu fui ter tempo de ler com calma. Como recursão em lingüística frequentemente aponta pra gramáticas generativas, criação e objeto de estudo do Chomsky (algo que eu só fui descobrir há pouco tempo), eu já concluí que isso não é algo que eu possa parar pra ler por agora xP [tem coisa demais nesse meio pra eu me afundar T__T].


Procrastinartigos...

Dentre as coisas que achei por aí, havia 3 artigos que eu deixei pra ler "depois" e que só agora fui terminar de ler.

EDIT: eu ía fazer uma postagem separada, mas fiquei com preguiça. Dane-se... vai ficar aqui mesmo u.u

Os três artigos são os seguintes:
David Wood -- Formulaic Language in Thought and Word: Vygotskian Perspectives

Alison Wray -- Formulaic Language in Computer-supported Communication: Theory Meets Reality
Kathy Conklin and Norbert Schmitt -- Formulaic Sequences: Are They Processed More Quickly than Nonformulaic Language by Native and Nonnative Speakers?
O que dizer? O primeiro deles tenta linkar as idéias dos estudos sobre linguagem formuláica (relacionados a como a gente lida com sequências formuláicas, e a por que processos mentais a gente passa pra fazê-lo) às idéias propostas por um cara chamado Vygostki (que eu não conhecia, mas que um amigo meu e uma prima minha me disseram ser top na pedagogia).

Enquanto descrevendo as idéias do Vygostki, me chamaram a atenção algumas partes relacionadas a como ele acreditava que o desenvolvimento do pensamento ocorria:
In Vygotsky's view (Vygotsky, 1934/1986), there are two planes of speech, the inner, semantic one, and the outer, or phonetic representation of it. A child masters outer speech from word to sentence, from part to whole, and inner speech from whole, meaningful complex to whole. These two processes run in opposite directions. At first, a child's thought is a vague, shapeless whole, and needs expression in a word. As thought gets more differentiated over time, there is less need for words, but for whales such as phrases and sentences and texts. As speech progresses to wholes in this way, thought also progresses in the opposite direction, becoming more particular and less holistic.
[... e depois, mais pra frente ...]
Another key point in Vygotsky's ideas of the development of speech and thought is the development of egocentric and inner speech (Vygotsky, 1934/1986). Both of these forms of speech in children are speech for oneself, while external speech is speech for others. Inner speech, the foundation of thought, is preceded by egocentric speech, a transition from the social connections through language of the child to individual activity and thought development. Egocentric speech, or talking aloud to oneself, serves mental orientation to tasks and conscious understanding of the environment. It especially appears to help the child overcome difficulty, and it increases in frequency when tasks require reflection and focus of consciousness. Egocentric speech is evident in young children who imitate speech sequences and structures observed in adult conversation, and use them to talk to themselves during individual play. Over time, this egocentric speech transforms into inner speech, a more internal, less vocalized, and less readily understood form of self-talk. In the end, inner speech separates completely from speech for others or social speech, and vocalization stops altogether. This is the foundation of thought.
 O que me "incomoda", de certa forma, é a parte em negrito logo ali em cima. Me pergunto: é incomum que vocalization não páre? Porque no meu caso eu acho que ele não tá nem longe de parar (sim, eu vivo falando comigo mesmo como forma de pensar -- e isso me ajuda affuuuu a estruturar meu pensamento ).

Já sobre o segundo artigo, ele é só uma descrição sobre como, realmente, boa parte das idéias propostas pela autora em vários outros escritos dela dão certo quando postas em prática -- e a leitura é tri agradável xP Uma idéia que eu acho legal que ela comenta no seu artigo é um tal de "princípio da needs only analisys", através do qual as partes de uma expressão idiomática só são analizadas separadamente se o seu significado como um todo não tiver sido recuperado com sucesso (ou seja, o significado da expressão "inteira" não fizer sentido).

O que eu achei tri é que justamente o terceiro artigo mostra que as expressões idiomáticas tendem a ser processadas mais rápidamente do que o mesmo número de palavras separadamente, mas que o nosso cérebro é rápido o suficiente pra se ligar quando o sentido da expressão é literal ou idiomático.



Random Links of Happiness

Bom... tem links que não caem em categoria alguma. Um deles é esse teste de vocabulário de inglês que um amigo meu me mandou e com que eu brinquei um pouco quando conheci. É bem legal, mas fica roubado quando a gente é latino, já que várias das palavras "difíceis" são nossas xP

A definição de idioma da wikipedia, essa lista de idiomas do inglês e essa definição de frasema da wikipedia (a nomenclatura pra Expressões Multipalavra não é muito bem definida ainda, e frasema é só mais um nome para um fenômeno muito parecido) também entram como links não muito bem classificados. Por fim, uma definição de gêmeos siameses em lingüística -- esse artigo é bem legal n_n




Finalmente, já to notando que eu to prometendo um monte de postagens e eu to com medo de não conseguir cumpri-las. Tomara que eu consiga e que gosteis delas: se a minha produtividade quanto a escritos aqui tem sido baixa, pelo menos a minha vontade de produzir tem sido bem alta xP

Eras iss...

R$

22 de dez. de 2013

Gente com "Mente forte"

[essa postagem é bem inútil. É um comentário meu sobre um link que achei. O link está no segundo parágrafo do texto. Acho que nem achareis grandes coisas. Estais avisados u.u]

[hãn hãn? Entendeu o trocadilho?]
Esses tempos, enquanto eu estava meio atucanado com o TCC, um amigo postou um treco no Facebook que eu acabei lendo "pra espraiar a cabeça". Não era algo MEGA importante, mas foi algo pelo menos marcante sobre que eu resolvi que escreveria por aqui em algum momento.

Apesar de estar CHEIO de abas da Wikipedia clamando por leitura no meu navegador, eu queria muito comentar sobre a postagem de que falo, que está nesse link. O esquema é o seguinte: a postagem é composta por 13 coisas que as pessoas mentalmente fortes evitam (mentalmente, aqui, pra mim está relacionado a "ter equilíbrio psicológico"); e daí pra cada coisa eu faço um comentário. Eles não definem o que é "força", mas dá pra ter uma idéia com base nos itens. O motivo de escrever isso por aqui é que, ao longo do tempo, tenho cada vez mais percebido [a ausência de] essas características (algumas delas, mesmo antes de tê-las lido por aqui) nas pessoas que eu considero "prósperas" e, realmente, cada vez mais "entendido" que aprendê-las [ou melhor, a evitá-las] é um passo em direção a me tornar [quem sabe] uma pessoa melhor. Vereis =)


1. Perder tempo sentindo pena de si mesmas

Você não vê pessoas mentalmente fortes sentindo pena de si mesmas ou suas circunstâncias. Elas aprenderam a assumir a responsabilidade por suas ações e resultados, e têm uma compreensão inerente de que muitas vezes a vida não é justa. Elas são capazes de emergir de uma situação difícil com consciência e gratidão pelas lições aprendidas. Quando uma ocasião acaba mal para elas, pessoas fortes simplesmente seguem em frente.
Pois é... eu não vejo "pessoas mentalmente fortes [...]" porque nenhuma definição disso me foi dada até agora v_V

Não, mas, falando sério. Acho que essa característica, apesar de não muito bem, eu já domino mais ou menos. Eu entendo que, às vezes, mesmo que algo não dê certo, esse algo pelo menos pode me ter servido de aprendizado. Não ter conseguido o intercâmbio pra Berlim ou não ter conseguido usar o que eu fiz na Alemanha como TCC são exemplos de pseudo-insucessos. Chamo de "pseudo" porque, ao não ter conseguido isso, não tive nenhuma perda real. Por outro lado, o que me faz achar que eu ainda não sou bom em evitar esse tópico é justamente o eu nunca ter experimentado uma perda real (e, sim, eu já me ter torturado bastante com as minhas frustrações familiares em algum momento da minha vida -- apesar de todo o esforço para não fazê-lo).

2. Ser controladas ou subjugadas

Pessoas mentalmente fortes evitam dar aos outros o poder de fazê-los sentir-se inferiores ou ruins. Elas entendem que estão no controle de suas ações e emoções. Elas sabem que a sua força está na sua capacidade de reagir de maneira adequada.
Bom... nesse aspecto, acho que ainda tenho muito a trabalhar. Vós que me conheceis em geral sabeis que eu não me considero muito bom em muita coisa. Inclusive, até pouco tempo atrás, tinha sempre um certo medo de competição.

Por outro lado, acho que estou trabalhando bem nisso. Hoje em dia eu sei em quê eu sou "bom" e faço sempre um esforço pra me "afirmar" quanto a isso -- sempre evitando, por outro lado, me achar melhor do que outrem (e, sobre esse aspecto, talvez eu faça uma postagem relacionada num futuro relativamente próximo).

3. Fugir de mudanças

Pessoas mentalmente fortes aceitam e abraçam a mudança. Seu maior “medo”, se tiverem um, não é do desconhecido, mas de tornarem-se complacentes e estagnadas. Um ambiente de mudança e incerteza pode energizar uma pessoa mentalmente forte e estimular o seu melhor lado.
AAA... mudanças...

Mudar é sempre uma tortura. Chama a atenção, é difícil, é irritante, etc. Tem coisas que eu gostaria de poder não mudar: meus contatos sociais, por exemplo, às vezes gostaria que fossem estagnados. Tem gente em quem eu confio o suficiente já no meu círculo de amigos, e adicionar novas pessoas sempre me deixa com um pé atrás. Mas nisso eu posso dizer que estou trabalhando! E acho que estou progredindo bem nessa coisa de "lidar com pessoas" (mas é um aprendizado já de mais de 6 anos -- e bem longe de chegar ao fim).

Noutros aspectos, eu percebo que, se eu tiver, de alguma forma, uma segurança para "voltar atrás caso algo dê errado", mudar não me fica tão difícil assim. Mas, sim, ainda tenho um longo caminho pela frente u.u

4. Gastar energia em coisas que não podem controlar

Pessoas mentalmente fortes não reclamam (muito) do tráfego, da bagagem perdida e especialmente das outras pessoas, pois reconhecem que todos esses fatores estão, geralmente, fora do seu controle. Em uma situação ruim, elas reconhecem que a única coisa que sempre podem controlar é a sua própria resposta e atitude.
AA... nisso eu sou bom \o/ Em alguns aspectos, acho que nisso eu sou bom até demais xP Deve ser culpa da vida semi-metódica que sigo. Nem tenho muito o que dizer nisso aí u.u


5. Preocupar-se em agradar os outros

É impossível agradar a todos. Pior ainda é quem se esforça para desagradar outros como forma de reforçar uma imagem de força. Nenhuma dessas posições é boa. Uma pessoa mentalmente forte se esforça para ser gentil e justa e para agradar aos outros quando necessário, mas não tem medo de dar sua opinião ou apoiar o que acha certo. Elas são capazes de suportar a possibilidade de que alguém vai ficar chateado com elas, e passam por essa situação, sempre que possível, com graça e elegância.
Eu sei que, nesse tópico, estou meio caminho andado. A parte da "graça e elegância" ainda me é um problema. Eu normalmente digo as coisas bem alemão-like: na cara v_V Mesmo assim, fazer "o que é certo" (de acordo com meus valores) é normalmente o que eu [pelo menos acho que] faço.

Ainda virá uma nova postagem, talvez, que contemple esse assunto um pouco mais aprofundadamente (provavelmente a mesma de que eu falei ali no item 2), focando no "lidar com as pessoas" -- algo sobre que eu tenho muito pensado ultimamente.

6. Ter medo de assumir riscos calculados

Uma pessoa mentalmente forte está disposta a assumir riscos calculados. Isso é uma coisa completamente diferente do que pular de cabeça em situações obviamente tolas. Mas com a força mental, o indivíduo pode pesar os riscos e benefícios completamente, e avaliar plenamente as potenciais desvantagens e até mesmo os piores cenários antes de tomar uma atitude.
Riscos 6_6

Uma pessoa muito "influente" atualmente na minha vida (e que foi um dos motivos pelos quais eu achei legais esses 13 pontos, já que eu ponderei que ela vai bem em boa parte deles xP) me tem dito frequentemente que eu sou "avesso ao risco" (enquanto ela seria "propensa" a isso). Pode ser verdade; e talvez isso seja culpa de eu ser "bastante" (i.e., "que basta", "que chega", "suficientemente") metódico. Nesse ponto, através dela, venho [tento, pelo menos] aprendendo bastante sobre isso, e entendendo que, querendo ou não, a vida é feita de decisões, as quais a gente precisa tomar -- sendo elas arriscadas ou não.

O Stormtrooper talvez devesse ter se prevenido melhor contra esses 13 tópicos...


7. Saudosismo freqüente

Há força em reconhecer o passado e, sobretudo, as coisas aprendidas com as experiências passadas, mas uma pessoa mentalmente forte é capaz de evitar se afundar em decepções antigas ou fantasias dos “dias de glória” de outrora. Elas investem a maior parte de sua energia na criação de um presente e futuro melhores.

8. Cometer os mesmos erros repetidamente

Não adianta realizarmos as mesmas ações repetidas vezes esperando um resultado diferente e melhor do que o que já recebemos. Uma pessoa mentalmente forte assume total responsabilidade por seu comportamento passado e está disposta a aprender com os erros. Pesquisas sugerem que a capacidade de ser autorreflexivo de forma precisa e produtiva é uma das maiores características de executivos e empresários bem-sucedidos.
Falo desses dois tópicos num mesmo comentário, já que acho que estão relacionados.

Sinceramente, eu acho que eu passo por um "algoritmo de machine learning" quando eu levo em conta o passado (tá, na real, pior que isso, uma mera Maximum Likelihood Estimation, bem porcalhona u.u). Se eu só vir casos em que algo causa outralgo, então eu vou achar que sempre algo --> outralgo (ou seja, eu raramente paro pra pensar que talvez em uma certa ocasião em que eu me encontre no momento aquela implicação não seja verdadeira, porque talvez haja variáveis novas sobre que eu não tinha pensado até então).

Isso aconteceu esses tempos, e eu me provei estar totalmente errado quanto ao julgamento que eu tinha feito com base no "aprendizado" que tinha tido de experiências anteriores. No caso, felizmente, me foi perfeitamente possível corrigir o erro.

Quanto a investir a maior parte de sua energia na criação de um presente e futuro melhores, estou certo de que é justamente isso que estou fazendo =)

9. Ressentir o sucesso dos outros

É preciso ter força de caráter para sentir alegria genuína pelo sucesso de outras pessoas. Pessoas mentalmente fortes têm essa capacidade. Elas não ficam com ciúmes ou ressentidas quando outros alcançam sucesso (embora possam tomar nota do que o indivíduo fez bem). Elas estão dispostos a trabalhar duro por suas próprias chances de sucesso, sem depender de atalhos.
Eu pensei bastante sobre esse tópico nos últimos tempos (desde que li esse textículo, tinha ficado com os tópicos na cabeça, matutando sobre eles). Acho que esse tópico pode ser dividido em dois aspectos, sobre o quais eu discuto separadamente.

Em primeiro lugar, sim, é legal ficar feliz pelo sucesso alheio -- e não ficar ressentido ou com ciúmes, como diz ali. Eu acho que isso eu faço bem: normalmente sou bastante "empático", e fico feliz com a felicidade alheia e triste com a tristeza alheia -- apesar de, acho, não conseguir externar isso muito bem =/

Por outro lado, tem um caso que me é frequentemente difícil aceitar (e que me estressa, e sobre o qual eu tenho trabalhado xP): quando o sucesso de alguém que me é importante não é "compartilhado" comigo (o que, como dá pra ver, é obviamente egoísmo, ligado à frustração de esperar algo de alguém e isso não ocorrer). Mas, meh, ao longo do tempo eu aprendo =)

10. Desistir depois de falhar

Cada fracasso é uma oportunidade para melhorar. Mesmo os maiores empresários estão dispostos a admitir que seus esforços iniciais invariavelmente trouxeram muitas falhas. Pessoas mentalmente fortes estão dispostas a falhar de novo e de novo, se necessário, desde que cada “fracasso” os traga mais perto de seus objetivos finais.
Sim... Eu gosto de pensar que esse tópico é inútil. Ele está por um lado vinculado ao tópico 6 (sobre assumir riscos -- e, daí, falhar) e por outro, ao tópico 13.

Quando eu chegar ao 13 eu falo mais =)

11. Ter medo de passar tempo sozinhas

Pessoas mentalmente fortes apreciam e até mesmo valorizam o tempo que passam sozinhas. Elas usam esse tempo de inatividade para refletir, planejar e ser produtivas. Mais importante, elas não dependem de outros para reforçar a sua felicidade e humor. Elas podem ser felizes com os outros, bem como sozinhas.
Por um lado, eu já aceitei que "sozinho" será o meu estado durante um bom tempo ainda. Eu gosto de estar "sozinho" e, de fato, de tempos em tempos eu preciso ficar sozinho.

Por outro lado, eu definitivamente dependo de outros pra reforçar a minha felicidade e humor. E eu não vejo isso como algo de todo ruim, apesar de que realmente seria muito bom não precisar disso para estar sempre de bem. Enfim... um bom trabalho pela frente ainda me espera u.u

Acho que esse tópico está muito ligado ao número 5: se eu me preocupo em agradar aos outros demais, talvez eu precise demais estar com esses outros, e isso me atrapalhe.

12. Sentir que o mundo lhes deve algo

Na economia atual, executivos e funcionários de todos os níveis estão ganhando a percepção de que o mundo não lhes deve um salário, um pacote de benefícios e uma vida confortável, independentemente da sua preparação e escolaridade. Pessoas mentalmente fortes entram no mercado preparadas para trabalhar e ter sucesso de acordo com seu mérito, ao invés de já chegar com uma lista de coisas que deveriam receber de mão beijada.
Um tapa na cara da esquerdalha xP

Tá não... sério... eu concordo totalmente com esse tópico, e apesar de eu achar às vezes que seria bem mais fácil se, sim, algumas coisas nos fossem fornecidas, eu já aprendi a aceitar (tópicos 1 e 4) que as coisas nem sempre serão do jeito que a gente gostaria.

13. Esperar resultados imediatos

Quer se trate de um treino, um regime nutricional ou de começar um negócio, as pessoas mentalmente fortes entram nas situações pensando a longo prazo. Elas sabem que não devem esperar resultados imediatos. Elas aplicam sua energia e tempo em doses e celebram cada etapa e aumento de sucesso no caminho. Elas têm “poder de permanência” e entendem que as mudanças genuínas levam tempo.
Finalmente, um tópico em que eu sou mestre xP Definitivamente, nisso eu vou bem. E é legal o quanto eu já me conheço quanto a isso \o/ Quando eu começo a ler um livro técnico, eu normalmente já sei que logo o largarei de mão (e não conseguirei terminá-lo de primeira -- uma "falha", pensando do ponto de vista do tópico 10). Mas isso não é motivo para não lê-lo: eu leio até uma parte com a certeza de que, no futuro, poderei voltar a lê-lo a partir de onde parei.

O mesmo aconteceu com o francês: eu comecei a estudar ciente de que logo pararia e esqueceria algumas coisas. Mas com o que eu ainda lembro logo poderei retomar os estudos e chegar a um patamar além daquele em que tinha parado inicialmente. E assim vou progredindo, aos poucos.

Quanto ao latim, eu não espero decorar todas as declinações e sair fluente em latim de um dia para o outro. Eu sei que aprender uma língua demora muito, e que não é de uma hora pra outra que eu vou poder começar a ler São Tomás de Aquino. O Vim pra mim é outro exemplo: me demorou meio ano até que eu conseguisse me sentir confortável para usá-lo. Mas a trabalheira inicial certamente valeu a pena, e o esforço tornou-se conforto com o enorme ganho de produtividade que eu tive mais à frente.



Enfim... como eu disse, achei esses pontos bastante interessantes para o meu progresso "como pessoa", e pensei que escrever sobre a minha situação quanto a eles aqui seria legal. Foi bom ter posto todo esse pensamento "no papel": eu vejo que eu entendo melhor sobre algo depois que eu o faço.
 
Eras isso...

R$

Forma[n]do

Nas últimas três semanas, eu passei por momentos que, se não foram os mais estressantes (porque, sim, certamente, já tive momentos mais estressantes -- como os últimos dias do ano passado), certamente se aproximaram deles.

Meu TCC, sobre o qual eu já até que bastante escrevi aqui, tendo tomado "corpo", finalmente pôde ser entregue à banca, lido, apresentado (falo mais da apresentação logo) e entregue à biblioteca. Apesar do stress, tudo ocorreu aceitavelmente bem, e agora estou só pela formatura, no próximo dia 18.

Minha apresentação me deu um pouco de orgulho. Foi a primeira vez em que apresentei algo durante 30min e não parei pra pensar, não me perdi e não me distraí com coisa alguma que causasse a platéia a rir (o que frequentemente ocorre xP). Foi natural: depois de ter ensaiado uma vez pra mim mesmo e "apresentado" uma segunda vez pra minha co-orientadora e um mestrando do grupo -- os quais me fizeram várias sugestões convenientes -- eu fiquei bastante seguro. Fiquei feliz: me parece que a banca gostou.

Bom... dada a minha correria, deixei esse blog um pouco parado. Não tão parado quanto em outros momentos ele já esteve, mas mais parado do que eu gostaria. Não vos preocupeis: já sabeis que direi que acho que os próximos dias verão um número mais elevado de postagens por aqui. Como acho que vós leitores assíduos já notastes, as postagens por aqui vêm em rajadas, e normalmente falam sobre os assuntos lingüísticos sobre os quais tenho pensado ultimamente. Como voltei a ler o livro "An Introduction to Language", da "Viktoria Fromkin", várias coisas devem surgir por aí =)

No mais, no futuro próximo, vejo alguns caminhos a seguir. O nome "pós-graduação", apesar de bastante genérico, soa suficientemente específico pra mim nesse momento: só agora é que olharei melhor, com calma e serenidade, como prosseguirei meus estudos.

Estou feliz! E gostaria de desejar aos leitores -- como eu normalmente não faço -- um feliz natal e próspero ano novo \o/

R$